18/04/2016 - 11:52
Momento auge do Clube Atlético Votorantim no futebol
 Foto: Divulgação 

Os domingos nunca mais serão os mesmos àquela torcida fanática que via grandes craques desfilarem pelos gramados do estádio de Votorantim, que nasceu pelas mãos do Savoia e após a Segunda Guerra Mundial, mediante a necessidade de mudança de nome do time fez surgir o Clube Atlético Votorantim (CAV).

Se antes com o Savoia teve grandes nomes locais como Gino Imparato, Snape, Quilim e Fazolim, o celeiro de craques prosseguiu a partir dos anos 40 com o Clube Atlético Votorantim fazendo aparecer outros destaques como Fioti, Dejaniro, Mickey, Molineiro, entre outros.

O CAV, pertencente ao distrito, disputava os campeonatos amadores de Sorocaba e tinha grande apoio das Indústrias Votorantim. Em 1948 era criado o departamento de futebol profissional e passaria a disputar a segunda divisão do Campeonato Paulista. Um dos seus craques era Angelo Romulo Remulo Lava, o popular Mickey.

“O Clube Atlético pagava bem na era profissional. Fui procurado por vários times grandes, mas não aceitei as propostas, estava bem ambientado na equipe, tanto que amigos que jogavam em outros times de Sorocaba vieram para cá e reforçar o elenco do Atlético” comenta Mickey.

O ex-atleta passou a jogar na equipe em 1945, quando tinha 20 anos. Foi contratado pelo gerente da fábrica e diretor do time Nelson Bormann. Já contava com esse apelido e ninguém pense que era em alusão ao personagem infantil Mickey Mouse.

“O apelido ganhei bem antes, quando trabalhava na fábrica e tinha um time dos operários. Durante um jogo alguém gritou para mim ‘vai Mickey’ e aí eu perguntei o porquê ser chamado de Mickey e veio a resposta: ‘você é parecido com o ator de cinema, o Mickey Rooney’. Depois daquele dia o apelido pegou e ninguém mais me conhece pelo nome” comenta todo sorridente.

Um dos jogos memoráveis no campo do Atlético foi em 1947, contra o Palmeiras, que tinha acabado de conquistar o título do Campeonato Paulista, ganhando 17 das 20 partidas disputadas. O alviverde mesmo jogando com time completo ficou no empate em 3 a 3 com o Clube Atlético.

“Era um domingo, a arquibancada e o entorno do campo estavam tomados pela torcida. Fiz dois gols no goleiro do Palmeiras, o Oberdan Cattani, considerado um dos maiores de todos os tempos do time. Já o Atlético jogava fácil, começamos perdendo a partida, mas depois impusemos o nosso jogo e no final foi o Palmeiras que buscou o empate em 3x3” comemora Mickey.

Outro momento marcante foi em 1949 quando o Clube Atlético Votorantim recebeu um time misto do São Paulo sob o comando técnico de Leônidas da Silva, conhecido como “Diamante Negro”. O jogo ficou empatado em 0x0.

Em cada jogo que o Clube Atlético era o visitante, Mickey recebia uma atenção privilegiada. Na maioria das vezes como era preciso viajar, a gerência da fábrica de tecidos e a diretoria do time disponibilizava um carro com motorista para exclusivamente levar o atleta.

Esses cuidados se faziam necessários, uma forma de valorizar o meio campista que era assediado por outras equipes e fazia sucesso no futebol, tanto que num álbum de figurinhas denominado Astros do Futebol Paulista, o CAV era representado pela figurinha nº 115 tendo em destaque o jogador Mickey.

“Eu devo muito a Votorantim, não esqueço. Foi uma fase que a maioria não conseguia viver só do futebol, era preciso trabalhar e conciliar os treinos para garantir alto rendimento nos jogos de domingo. Agora parece até que os jogadores já entram cansaços em campo” destaca Mickey.

O craque de estatura média exibia dribles desconcertantes, era um exímio batedor de pênaltis e nos lances colocava os atacantes na cara do gol.

Coincidentemente logo após a troca de comando das Indústrias Votorantim, quando faleceu o comendador Pereira Inácio e os negócios foram assumidos pelo genro, o engenheiro José Ermírio de Moraes, o grupo empresarial comunicou em 1952 o término do apoio financeiro para a manutenção do time profissional. Os passes dos atletas foram disponibilizados ao São Bento, onde Mickey jogou até encerrar a carreira, sendo considerado o melhor jogador da história do clube e posteriormente se tornou técnico da equipe.

(Cesar Silva é jornalista formado pela Uniso, gestor público pós-graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio), membro da Academia Votorantinense de Letras, Artes e História e autor de dois livros sobre a história de Votorantim)

 

Coluna publicada na página 15 da edição 164 da Gazeta de Votorantim de 16 a 22 de abril







Deixe seu Comentário

Newsletter
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.