02/05/2016 - 14:43
Surgimento do bairro Vossoroca
 Foto: Divulgação 

Muitos vieram a Votorantim na busca por um emprego e se abrigar em uma das casas nas vilas operárias, que eram cedidas praticamente sem pagamento de aluguel, água e nem energia elétrica. Na impossibilidade de morar perto de uma das empresas da Sociedade Anônima Indústrias Votorantim a alternativa era se acomodar em chácaras ou em casas bem simples, na maioria das vezes alugada, em bairros mais distantes que iam surgindo.

Aos poucos as glebas de terras, algumas com plantações e outras ainda não exploradas, deram espaço a venda de lotes e aparecimento de pequenos conjuntos de moradias. Em uma parte distinta surgiu Vila Móbile, Vila do Chicho, Vila Cristino e Vila Osvaldo. Estando próximos, se desenvolveram ao longo do tempo e fez surgir o bairro Vossoroca.
Luis Antonio da Silva, natural de Oscar Bressane/SP, veio morar na Vila

Móbile em 1967 e testemunhou as transformações ao longo dos anos. A história dele é parecida com a de muitos, deixando uma pequena cidade tipicamente rural, em busca de um emprego na indústria e foi o que aconteceu, pouco tempo depois, estava trabalhando na fábrica de tecidos Votorantim.

“Cheguei quando haviam poucas casas, as ruas eram de terra, existiam várias trilhas para cortar caminho àqueles que percorriam as distâncias a pé. A maioria pegava água de poços ou de algumas nascentes. Um córrego na Vila Móbile atraia as mulheres para a lavagem de roupas. Haviam de forma improvisada as escolas de 1º ao 4º ano na Vila Cristino e de alfabetização de adultos no período noturno na Vila Osvaldo” relembra Luis Antonio.

A região ficou conhecida como Vossoroca por ser considerada pelos primeiros moradores como uma pequena serra, com terrenos acidentados e de fortes desníveis. A falta de vegetação densa e de solo firme originou o nome do bairro, numa alusão às erosões que se formavam em consequência das chuvas.

“Tudo era difícil. Para ir até a Rua do Comércio, atual avenida 31 de Março, era preciso andar em trilhas para chegar às ruas de terra. Quando chovia tinha que estar atento para não sofrer escorregões ou tropeços. Iluminação elétrica só tinha nas casas. De noite só se via alguns pontinhos de luz espaçados no meio da escuridão” se recorda Luis Antonio.

Enquanto distrito de Votorantim o local jamais teve qualquer atenção de Sorocaba. Quando da instalação do município em 1965 e a entrada em funcionamento da Prefeitura começou a ter as primeiras melhorias, como em 1966 a instalação do primeiro trecho de iluminação pública e o fornecimento de água em carro-pipa para minimizar a falta do precioso líquido nas casas.

O bairro ia crescendo e consequentemente a necessidade de infraestrutura. O atendimento de serviços públicos não acompanhava o mesmo ritmo. Em 1969 a rua José Thomaz da Costa era lajotada e gradativamente a melhoria foi estendida às demais ruas da parte baixa do bairro. Já as vias públicas da parte alta continuaram por longo período esperando a chegada do benefício.

Em 1970 era inaugurada a Escola Estadual de Primeiro Grau (E.E.P.G.) “Profª Edith Maganini”, onde Luiz Antonio foi professor, assistente de direção e diretor. Também teve passagem pela escola “Profª Alice Rolim de Moura Holtz”, na época como escola estadual no Parque Morumbi. Uma trajetória de 31 anos no magistério.

Dá para afirmar que o crescimento habitacional do Vossoroca foi rápido, porém a falta de melhorias gerava a sensação de abandono e esquecimento por parte da municipalidade.

“A realidade é que só tivemos significativos avanços quando a comunidade se organizou e fez surgir em 1983 a Associação de Moradores. A mobilização gerou cobranças e aconteceram melhorias no abastecimento de água, implantação de rede de esgoto em ruas ainda não atendidas, o surgimento da primeira linha de ônibus, a construção da creche, entre outras demandas” comenta Luis Antonio.

As conquistas e benfeitorias podem ter demorado chegar, mas a população, principalmente os mais antigos, guardam nas lembranças a importância da chegada de cada melhoria.

“Por isso que eu digo que muitos no próprio bairro que são mais jovens ou que chegaram depois, deveriam conhecer a história do local, saber da formação das primeiras vilas que originaram o Vossoroca e ver o quanto foi importante cada etapa do desenvolvimento” finaliza Luis Antonio.

(Cesar Silva é jornalista formado pela Uniso, gestor público pós-graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio), membro da Academia Votorantinense de Letras, Artes e História e autor de dois livros sobre a história de Votorantim)

 

Coluna publicada na página 16 da edição 166 da Gazeta de Votorantim de 30 a 06 de maio de 2016







Deixe seu Comentário

Newsletter
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.