09/05/2016 - 13:37
Relação bem próxima de Paulo Betti com Votorantim
 Foto: Divulgação 

Uma das cenas do filme A Fera na Selva, gravada no Hospital Santo Antônio

O ator e produtor Paulo Sérgio Betti apesar da grande exposição de seus trabalhos, não abandonou as origens e ligação com o interior paulista. Nascido na zona rural de Rafard veio morar na infância com a família em Sorocaba.

Quando o assunto é Votorantim relembra duas fases distintas. A primeira quando menino, vindo com frequência à casa de familiares no bairro Barreiro e se deparando com situações tão simples, mas que se tornaram muito especiais e a segunda fase, na idade de iniciar a vida profissional, ao conquistar o primeiro emprego no hospital Santo Antônio.

“Meus irmãos são mais velhos e eu temporão. Nasci dez anos depois do irmão mais novo, o José. Fui privilegiado, todos eles foram operários e sustentaram a possibilidade de eu estudar. Isso não impediu de trabalhar como menor de idade. Eu tinha 16 para 17 anos quando comecei no hospital” relembra Paulo Betti.

Quando menino observava atentamente o grande volume de operários com suas bicicletas circulando em frente da fábrica de tecidos Votorantim e a imaginação o transportava para uma situação já vista em filmes italianos da época.

“Também me recordo do cinema e seguindo em direção ao Barreiro via antes, na Barra Funda, as casas de tijolinhos à vista dos mestres e contramestres; depois eram as moradias mais simples, com o formato geminado para os demais operários. Era bem diferente de onde eu morava na Vila Leão, em Sorocaba” relembra o ator.

Foi nessa fase de menino que Paulo se divertiu em Votorantim, ao fazer inúmeras visitas ao irmão Antonio e família, no bairro Barreiro. Em uma das vindas, conviveu com uma situação inusitada. Chegou a pegar micuim no campo de futebol onde era frequente a presença de cavalos.

“O que me impressionava muito na casa do meu irmão Antonio era o banheiro. A privada ficava fora da casa, era em cima de uma fossa revestida na parte alta por madeiramento e um buraco ao centro. Então dava medo de cair lá dentro. Era uma coisa muito forte, uma imagem rural. Depois soube que caiu um pato lá dentro e meu irmão entrou para tirar e salvar o animal. Foi surpreendente, ele era uma pessoa bondosa e muito querida” comenta Paulo.

Um dos momentos mais importantes de sua vida foi o primeiro emprego, obtido a partir de sua irmã Cida, que trabalhava no hospital. Ia pela manhã de ônibus até a Barra Funda e para retornar à Sorocaba, de vez em quando pegava carona com os médicos. À noite, suas atenções se voltavam aos estudos.

“Contribuiu muito para minha formação ter trabalhado no hospital. Ter sentido a natureza humana que é muito frágil e aquele local sempre nos ensina que somos mortais. Recordo-me do nascimento de muitas crianças, mas tinham casos de doenças incuráveis e isso me marcou, vendo alguém entrando aparentemente saudável e pela motivação da doença vir a falecer” destaca Paulo.

Já estava envolvido no teatro amador, os médicos sabiam de sua vontade e o tema era assunto frequente de diálogos com os enfermeiros. As irmãs religiosas também se simpatizavam com o esforço de Paulo, tanto que reservavam um local apropriado para que após o almoço pudesse descansar um pouco.

“Sempre achei bonita a arquitetura do prédio e uma das coisas que me chamavam a atenção era os jardins na entrada do hospital, aparenta ser um labirinto de cedrinhos. Tudo bonito e bem cuidado pelas mãos do seu Davino. Com muita habilidade para manusear aquelas tesouras de jardineiro garantia a formação de belas esculturas” relembra Paulo.

Foi nesse ambiente marcante que permaneceu trabalhando no escritório do hospital de 1970 a 1972. Percebeu que com o apoio que recebia, conseguiria até cursar Medicina, com uma bolsa de estudos a ser ganha junto às Indústrias Votorantim, a gestora do hospital. Até sonhou com essa possibilidade, mas o desejo de ser ator o fez mudar para São Paulo, graças mais uma vez a sua irmã Cida que conseguiu um emprego no departamento de Compras, na sede do grupo empresarial.

Sua ligação continua forte com Votorantim, tanto que acaba de gravar o filme “A Fera na Selva” a ser lançado em 2017, onde protagoniza ao lado da ex-esposa Eliane Giardini. As gravações ocorreram em Sorocaba, Iperó, Salto e não poderiam faltar cenas rodadas também em Votorantim.

(Cesar Silva é jornalista formado pela Uniso, gestor público pós-graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio), membro da Academia Votorantinense de Letras, Artes e História e autor de dois livros sobre a história de Votorantim)

 

Coluna publicada na página 17 da edição 167 da Gazeta de Votorantim de 07 a 13 de maio de 2016







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