16/05/2016 - 13:12
Vila Dominguinho é celeiro de muitas histórias
 Foto: Divulgação 

Entrada do bairro com autoridades e populares, em 1966

As terras que formaram a Vila Dominguinho pertenceram a vários donos, entre eles José Carlos de Campos II (Juca Carro), famílias Fogaça, Briches e Freschi, e ainda uma gleba à Sociedade Anônima Indústrias Votorantim.

Foi a visão empreendedora de Domingos Metidieri, de estatura baixa e por isso ficou conhecido pelo diminutivo Dominguinho, que motivou a aquisição de boa parte da área e a loteou, fazendo surgir a Vila Dominguinho. A intenção era atender os interessados em adquirir um terreno próximo à fábrica de tecidos Votorantim, a maior geradora de empregos do distrito.

Os lotes foram vendidos a preços bem acessíveis e de forma facilitada, tendo como foco os que não contavam com moradias nas vilas operárias da Chave e Barra Funda, que queriam estar próximo do trabalho e do antigo centro de Votorantim. As benfeitorias públicas, como redes de água e esgoto, chegaram com o primeiro prefeito Pedro Augusto Rangel.

Um dos mais antigos moradores é Clélio Galli, que veio morar na rua Sorocaba em 1947, em consequência de naquele ano seu pai Mario montar um armazém no local. Hoje reside na rua Joaquim Fogaça.

“Havia pouquíssimas casas na parte baixa do bairro. Agora quando passo em frente das construções mais antigas me recordo das amizades feitas e daqueles que não estão mais lá. A vila é motivo de orgulho, onde passei a maior parte da vida e criei meus filhos” comenta Clélio.

Se em 1947 não havia tantas casas nas imediações do armazém então o jeito era tentar expandir os negócios, com isso não se media esforços para levar as compras aos moradores de bairros operários mais distantes como Baltar, Light e vila Olímpia. Mario Galli, pai de Clélio havia anteriormente tido um armazém na rua do Comércio, mas foi ao montar este na rua Sorocaba que logo lançou uma novidade.

“Meu pai foi o primeiro comerciante a inovar, ao vender as mercadorias incluindo somente 10% de lucro nas compras à vista. Era uma novidade, onde as compras a prazo ocorriam por meio da caderneta, então as pessoas davam um jeito e iam até o armazém com o dinheiro para garantir o benefício” comenta Clélio, que também andou por muito tempo carregando caixotes de madeira contendo compras e entregando nas casas de quem morava nas redondezas.

A Vila Dominguinho sempre se destacou por alguns atrativos como as atividades sociais na segunda sede do Savoia, conhecida como a Casa do Jogador, na rua Leopoldo Ferreira; a casa com arquitetura inglesa que abrigou os mestres da fábrica de tecidos e posteriormente foi moradia da família Trinca, pena que foi demolida em 1993; o serviço de Alto Falante de Juvenal de Campos e de Luiz do Patrocino Fernandes, o campo de bocha de Afonso Erra, a produção de leite, queijo e manteiga das cabras do Minguito, a bica na parte baixa da rua Antonio Campos Filho, a festa junina e a feira livre que funcionavam onde hoje é a praça Senador José Ermírio de Moraes, sem contar que após a inauguração da praça recebeu shows de artistas renomados e concentrações cívicas.

“Recordo-me também dos bailes do Clube Atlético e dos filmes exibidos no Cine Votorantim, tanto que uma vez fui assistir a um filme com minha namorada que posteriormente se tornou esposa. Durante a sessão, tinha dois rapazes de Sorocaba que estavam na fileira da frente. Eles comiam amendoim, jogavam as cascas no chão e faziam questão de pisar em cima só para fazer barulho e atrapalhar a audição do filme. Isso foi me irritando, a namorada me acalmando e por duas vezes pedi a gentileza que parassem de fazer isso, um deles até deu risada. Vendo que não me atendiam, então levantei da cadeira e bati uma cabeça contra a outra, chegou até abrir um corte na orelha de um deles. O resultado é que foi a maior confusão, o filme interrompido, as luzes se acenderam, o gerente Beranger me retirou e os dois rapazes foram embora” relembra Clélio.

Um dos momentos de grande comoção no bairro foi quando ocorreu o velório na rua Sorocaba, do prefeito Luiz do Patrocino Fernandes, que foi vítima de um ataque cardíaco fulminante. Além de exercer a função pública, Luizinho havia sido anteriormente presidente do Sindicato dos Trabalhadores Têxteis.

(Cesar Silva é jornalista formado pela Uniso, gestor público pós-graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio), membro da Academia Votorantinense de Letras, Artes e História e autor de dois livros sobre a história de Votorantim)

 

Coluna publicada na página 15 da edição 168 da Gazeta de Votorantim de 14 a 20 de maio de 2016







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