10/10/2016 - 10:43
O desafio e a demagogia eleitoral



Transcorrida com aparente normalidade, a eleição municipal aferiu, em suma, um desagrado generalizado na política, ou mais precisamente nesse modelo arcaico de estruturas partidárias derruídas. Prova disso é o elevado percentual de votos brancos e nulos que, em alguns casos, ultrapassou a votação de candidatos aptos.

Diversos são os fatores da aversão da população à classe política brasileira, mas provavelmente o discurso demagogo e generalista da quase totalidade dos candidatos contribui sobremaneira para uma justificada insatisfação popular. A promessa sem embasamento técnico plausível não é suficiente, como já foi outrora, para angariar votos. É necessário um pouco mais de acuidade e eloquência na retórica.

Encerrada a euforia das eleições, inicia-se um novo mandato, onde somente a oratória vaga já não causa efeito. Faz-se necessário, principalmente aos prefeitos eleitos, o conhecimento amplo da administração pública na atualidade. O emaranhado legal que norteia a rotina do Executivo não alude apenas preceitos (ao menos em teoria) em consonância com a Constituição, mas, sobretudo, carrega também “armadilhas” e impedimentos que limitam consideravelmente a atuação do gestor público.

Somadas à complexidade da máquina pública atual, as intempéries políticas e econômicas que o País atravessa expõem dramaticamente a fragilidade crônica dos municípios, lançando aos prefeitos desafios incomensuráveis, mormente em setores que sofrem de problemas de natureza estrutural, como saúde e educação. Além disso, a compreensão de que cabe ao poder público engendrar uma metodologia transparente e mais eficiente de gestão é condição basilar para o início de um novo processo de relacionamento entre os agentes sociais.

Ainda a nível municipal, a modernidade passa, inicialmente, por uma profunda reforma administrativa que vise não somente à drástica economia de recursos, mas à destinação adequada às áreas que ainda hoje padecem pela ingerência das classes dirigentes. Isso se faz com dois imperativos: competência e coragem. Somente o discurso eleitoreiro não pode trazer resultados onde realmente necessitamos.

 

Coluna publicada na página 11 da edição 190 da Gazeta de Votorantim de  de 08 a 14 de outubro de 2016







Deixe seu Comentário

Newsletter
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.