04/11/2016 - 12:40
O vale tudo eleitoral que prejudica o futuro de Sorocaba.


A última semana do segundo turno das eleições sorocabanas foi marcado por um acirramento dos ânimos sem precedentes na história da cidade.

Nem em 2004, quando Crespo cassou a candidatura de Luiz Leite dando lugar para Vitor Lippi se viu tanta animosidade e uma cidade tão dividida.

É esperado e faz parte das campanhas eleitorais que os candidatos possam apontar os pontos fracos das propostas dos seus opositores. Demonstrar que suas propostas são mais factíveis e que eles próprios são mais capacitados, experientes e preparados para fazer uma ótima gestão. Também não surpreende que os planos de governo sejam comparados e que as propostas do adversário sejam combatidas à luz do orçamento municipal e das necessidades dos eleitores. Faz parte do processo democrático o debate de ideias, propostas e modelos de gestão. E até do modelo de cidade que se deseja.

Os primeiros dias do segundo turno pareciam caminhar nesta direção. Até a divulgação da pesquisa do IBOPE que mostrava empate técnico e depois com a pesquisa do IPESO que também mostrava empate técnico, com pequena vantagem para Raul Marcelo. Na última semana o limite entre a crítica às ideias e propostas foi ultrapassado: instalou-se em Sorocaba um clima de vale tudo. O que era uma disputa de propostas para Sorocaba melhorar transformou-se numa guerra irracional com ataques aos familiares dos candidatos, sobremontagens de fotos, vídeos truncados e muita intolerância e preconceito. E entraram no “octógono eleitoral” os correligionários, militantes e simpatizantes. E o que se viu foi um linchamento da democracia e uma eleição plebiscitária, como se a votação fosse contra ou a favor do aborto, legalização das drogas, ideologia de gênero entre os temas que frequentaram as mídias sociais.

A imprensa sorocabana - à título de se manter isenta no processo - assistiu ao Laissez-faire eleitoral e não interveio. Ora, faltou a censura pública dos editorais apontando que o direito à livre expressão não avaliza a baixaria eleitoral. Se um correligionário, autor de uma peça apócrifa que viralizou nas redes sociais, deparar-se com o seu próprio candidato censurado publicamente, com certeza não produzirá outra peça. E assim os limites se estabeleceriam.

Mas o que se viu foi uma cidade dividida. As mídias sociais tornaram-se terra sem lei onde a intolerância ganhou espaço para vilipendiar a história digna dos candidatos. Quem perde com isso é a cidade de Sorocaba. Afinal, um prefeito para fazer um ótimo governo precisa pactuar com toda a sociedade. Um prefeito não consegue governar com meia cidade. Para fazer um bom governo o prefeito

precisa de todos os cidadãos. Se uma parcela dos eleitores sai da eleição com a sensação de que foi injustiçada, com a sensação de que foi derrotada nas urnas, não vai aceitar fazer um pacto com o prefeito eleito.

E o vale tudo eleitoral provoca exatamente esse sentimento nos eleitores: que o resultado das urnas não tem legitimidade porque a campanha foi ilegal. Sentem-se injustiçados, saem das eleições acreditando que venceu o mais ardiloso, que venceu o mais sorrateiro. Deste processo, temos eleitores derrotados e não apenas um candidato que não se elegeu.

Sorocaba precisa muito dos seus cidadãos: que falem bem da sua cidade, que não joguem lixo nos terrenos baldios, que se organizem em mutirões para combater a dengue que conservem os próprios públicos, que economizem água tratada e muitos outros comportamentos para o bem comum.


Por Victor Trujillo, diretor do Ipeso de Sorocaba







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