07/11/2016 - 10:35
O federal e o vigilante


Ainda repercute, negativamente, o atropelamento e morte do vigilante votorantinense Francisco Lopes da Silva Neto, de 36 anos, ocorrido no último dia 23, por volta das 6h, no km 94 da rodovia Raposo Tavares, sentido interior-capital. Tudo em razão do atropelante, o delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho, de 40 anos, estar respondendo ao crime em liberdade.

A indignação se fundamenta em razão dos seguintes motivos: o delegado está com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida há um ano e três meses, conforme informou a Polícia Civil. Além disso, de acordo com a polícia, o exame do bafômetro feito pelo delegado apontou que havia 0,49 miligramas de álcool por litro de sangue, comprovando a presença de bebida alcoólica no organismo. O permitido por lei é 0,33 miligramas.

O delegado foi indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, sob influência de álcool ou outras substâncias, como prevê o Código de Trânsito Brasileiro. Mesmo preso em flagrante no dia do acidente, ele pagou fiança de R$ 2 mil e está em liberdade. O delegado plantonista do dia do acidente concluiu que mesmo com o resultado do bafômetro, o policial federal não tinha sinais de embriaguez.

Francisco foi sepultado no dia 24 no cemitério São João Batista, em Votorantim, cidade que residia com a esposa e duas filhas, de 11 e 5 anos.
Sua família sente a falta do marido, do pai. Era ele que mantinha a casa.
No dia do acidente, ele voltava para a casa depois do trabalho. Quis o destino que ele cruzasse com o delegado que seguia numa reluzente Mercedes Benz branca, pertencente à Polícia Federal, da qual Marcelo Ivo, mesmo com habilitação vencida, era o fiel depositário.

Embora incrédulos, votorantinenses esperam que a morte de Francisco não seja esquecida e que a justiça seja feita. Afinal, a lei é igual (ou deveria ser) para todos. O caso ganhou repercussão na mídia local, regional e estadual pelo fato de Marcelo Ivo ser o delegado da Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

A Polícia Civil informa que o indiciamento do delegado federal pode mudar, apesar de depender de vários fatores. Um deles, por exemplo, é o laudo da perícia no local que deve sair em 20 dias. Ainda se espera o resultado do laudo sanguíneo e tem a questão da CNH vencida, um agravante. Vale ressaltar que o impacto destruiu a parte da frente do luxuoso carro e deixou a moto do vigilante em pedaços.

Enquanto aguarda a justiça, a família do vigilante segue a vida com saudades. Marcelo Ivo também. Já Francisco saiu de cena com apenas 36 anos. A comunidade, de modo geral, espera que não prevaleça a impunidade e que aquele domingo, onde a desigualdade ficou evidenciada, não seja um dia para se esquecer.  

Aqui não se pretende apontar o certo e o errado, nem fazer julgamento ou antecipar sentença. Queremos sim chamar a atenção para a questão da conduta, do exemplo e reclamar, sim, pela justiça plena, eficaz e igual.

 

Coluna publicada na página 02 da edição 194 da Gazeta de Votorantim de 05 a 11 de novembro de 2016







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