13/03/2017 - 18:10
Parte 3 - A experiência pedagógica beneditina em Sorocaba

(Parte 3 de 4)


Maria Aparecida de Lima Madureira *

 

 O humanismo cristão e o ideal formativo do Colégio Santa Escolástica

“Haja hoje para tanto ontem.” Paulo Leminski

 

A pedagogia tradicional e seus princípios orientadores influenciaram as ações escolares no Brasil, segundo Demerval Saviani, até aproximadamente 1950, desde então outras propostas renovadoras foram sendo assimiladas nos fazeres pedagógicos. No Colégio Santa Escolástica, enquanto instituição escolar, as práticas educativas adotadas seguiam esse método que durante tanto tempo formou parte das pessoas no Ocidente.

A pedagogia tradicional, diferentemente das propostas atuais, prioriza a teoria, tendo como principal transmissor o professor. O professor tem um papel central no ensino, é de responsabilidade do mestre o conteúdo a ser ministrado. O método é intransigente em relação ao desempenho já que o aluno é submetido a tarefas, provas escritas e orais muito seletivas e as notas são o principal parâmetro para que a aprovação ou retenção aconteça. Outros os tempos, mas ainda hoje, em pleno século XXI, muito do método foi mantido e segue, embora por outros caminhos, educando pessoas.

Os estudos sobre o Colégio Santa Escolástica demonstram que nas primeiras décadas de trabalho pedagógico na cidade de Sorocaba as religiosas adotam práticas educativas que têm como apoio filosófico os ideais humanistas cristãos. A formação integral, referência educativa das religiosas beneditinas tinha dois pontos de apoio: o ensino de conteúdos científicos e o de princípios morais cristãos. Nas primeiras entrevistas com a religiosa Irmã Cecília Torres, no ano de 2013, inúmeras vezes ela salientou que a formação efetivada no colégio era integral. Hoje a educação integral ganhou outros sentidos, entre eles a permanência das crianças durante pelo menos oito horas na escola, essa referência, no entanto, não era o objetivo da integralidade defendida pelo trabalho formativo da congregação beneditina mantenedora da escola. Formar integralmente era fazer com que os alunos e alunas se apropriassem do conhecimento científico desenvolvido nas academias de ensino superior e, além disso, propiciar o conhecimento e a vivência na filosofia cristã.

A educação pelo humanismo cristão é vista como o processo pelo qual o homem é conduzido à sua realização, que será mais vital: “Quando tender com mais energia ao seu fim, sem se deter em algum degrau intermediário. Nosso primeiro dever é nos tornarmos aquilo que somos; nada mais importante, nem mais difícil, do que nos tornarmos homem”. (Jacques Maritain, 1968)

Durante as cinco primeiras décadas do século XX, objeto desse estudo, o Colégio Santa Escolástica formou um grande número de meninos, meninas, mulheres. A abertura da escola ocorreu em 1906 para dez crianças. Os primeiros anos na cidade foram difíceis, mas gradativamente o trabalho educativo das religiosas foi reconhecido na cidade e em toda a região. Em 1909 a escola contava com três salas de aula de ensino primário, uma de meninos e duas de meninas. Em 1910 é fundado o Curso de Música, mantido até 1986. Um conservatório musical que ensina canto, violino, flauta doce e piano. A partir de 1913, o Colégio Santa Escolástica abrigou até a década de 1960 o Externato São Miguel, destinado ao ensino gratuito de meninas (período diurno) e mulheres pobres (período noturno). Em 1914 é criado o jardim da infância. Em 1927, segundo os anais do priorado, foi necessário retirar do “pátio: vacas, galinhas e abelhas”, para que acontecesse uma ampliação do prédio e do atendimento às crianças.

De 1930 a 1940, após trinta e cinco anos de trabalho, o Colégio Santa Escolástica havia-se firmado como uma instituição educativa na região de Sorocaba. O número de alunos e alunas aumentou consideravelmente. Os livros de matrículas de 1930 mostram que o Colégio atendeu, naquele ano, 282 alunas, 263 alunos. O Externato São Miguel atendeu 146 alunas (diurno) e 90 alunas (noturno); ou seja, aproximadamente 780 pessoas matriculadas. Em 1940, o Colégio atendia 292 alunas e 241 alunos, enquanto o Externato São Miguel atendia 195 alunas (diurno) e 142 (noturno) – totalizando 870 pessoas. Em 1934, foi criado o ginásio para meninas. Nesse mesmo ano, foi feita nova reforma: seis novas salas.  Em 1944 o Colégio Santa Escolástica comemorava o número de mil alunos matriculados.

 

 

Maria Aparecida de Lima Madureira é doutoranda em Educação pela UNISO.

cidalimadureira@uol.com.br







Deixe seu Comentário

Newsletter
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.