10/04/2017 - 19:52
O coreto: músicas, lembranças, saudades...
 Foto: Arquivo 

A igreja de São João Batista foi construída pelo Com Pereira Inácio em 1917, defronte à fábrica. Ele exigiu que a arquitetura da mesma fosse idêntica a que ele frequentava em sua cidade natal, Baltar, em Portugal, conforme foto por ele exposta.

Não demorou muito para que, ao redor da mesma, fosse também construído um Coreto e um belo jardim florido, tornando-se o local uma bela e aconchegante praça.

O jardineiro que cuidava da praça era o Sr. Lélio Gavioli, que, com esmero, carinho, arte e talento, transformava os cedrinhos e as arvorezinhas em forma de animais, aves e estrelas, dando assim um colorido especial e uma atração a mais nos canteiros daquele local publico.

E foi no pátio dessa igreja que surgiram depois as primeiras festas joaninas de Votorantim, com suas barracas feitas de bambu e cobertas com folhas.

Atrações como: quadrilhas, quermesses, pau-de-sebo, porquinho ensebado, corrida do ovo, correio elegante, concurso da moca mais bonita, corrida do archote, leiloes, eram motivos de diversão e alegria para todos. Poréma a grande atração mesmo, era um grande tablado que foi construído defronte a entrada da Igreja, onde o Conjunto Serenata, composto pelos músicos: Mainardi, Maganhato Domício Terciani, Ataíde Júlio, Afonso Pinho, Toninho Messias, Sinésio Santos, Adair Alves animavam os bailes, onde todos dançavam e se divertiam ao ar livre até às quatro da madrugada. As festas joaninas eram um evento essencialmente religioso e beneficente, razão pela qual o símbolo da festa era representado por um centenário eucalipto, com vinte metros de altura, que ficava de frente à Igreja e à Fábrica e que continha em seu topo, um mastro com lâmpadas coloridas, onde homenageava os santos do mês: São Pedro, Santo Antônio e São João.

A administração da festa era realizada pelos festeiros, que eram empregados nomeados pela Fábrica. Cada um era responsável por cada setor do evento. Nesse tempo, ela era mais familiar e permitia uma maior confraternização dos amigos, todos se conheciam.

Hoje a festa e mais comercial e não existe as brincadeiras de outrora.
Todo imponente, lá estava também o coreto, onde todos os domingos aconteciam as belíssimas retretas sob a batuta do maestro Santo Pregnolato. Após a missa do Pe. Antonio, a praça era literalmente tomada, sendo seus bancos ocupados pelas famílias votorantinenses e seus filhos que, ao redor do pipoqueiro e do vendedor de algodão doce, brincavam despreocupadamente.

Os jovens namorados, nos escurinhos do jardim, faziam juras de amor, ao som de lindas melodias. Vez ou outra aparecia também um velho realejo distribuindo sorte a todos. Irradiando belas músicas e a caixa mágica aguçava a curiosidade da garotada e as meninas eram as que mais procuravam para saber se teriam sorte no amor. Alguns preferiam ir ao cinema Beranger assistir Oscarito ou o Mazzaropi. Outros circulavam no jardim Bolacha para os flertes ou paqueras. Pra ver as moçoilas passar, os rapazes com seus topetes exalando brilhantina e glostora, faziam posto na esquina do bar do Arcuri. Foi uma época gostosa e inesquecível, em que todos se conheciam e viviam como uma grande família. Éramos felizes e não sabíamos. O encanto da vida nos vem das recordações.

 

Coluna publicada na página 15 da edição 213 da Gazeta de Votorantim de 08 a 13 de abril de 2017







Deixe seu Comentário

Newsletter
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.