18/04/2017 - 21:59
Educação inclusiva e cotidiano escolar


*Maria Aparecida de Lima Madureira


Desde 2013 atuando como diretora de uma escola municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental (faixa etária de 04 a 11 anos) foi possível acompanhar muitos casos de inclusão de crianças especiais no ambiente educativo.

Os debates em torno da função social da educação ampliaram de forma significativa os objetivos formativos no âmbito escolar. A chegada das crianças especiais na escola de ensino regular é parte dessa ampliação que requer uma atenção especial por parte de todos os envolvidos nas comunidades escolares.

A inclusão proporciona, na escola, o contato com inúmeras deficiências que quase sempre leva educadores, gestores e funcionários de apoio da escola a estudarem práticas e mecanismos de inclusão para que as crianças especiais sejam acolhidas em todos os aspectos formativos. No entanto há sempre situações em que o acolhimento e os estudos não são suficientes para que a inclusão se torne efetiva e de qualidade.

A heterogeneidade das crianças especiais, mesmo aquelas que possuem laudos de uma mesma condição ou deficiência, impede que se estabeleça um padrão no desenvolvimento das práticas pedagógicas. Essa questão, no entanto, não seria um problema se as salas de aula tivessem um número menor de estudantes. Convivendo com os docentes é possível perceber o comprometimento de todos, porém as condições de trabalho na tarefa da aprendizagem das crianças afetam a qualidade no atendimento. Há outros fatores que dificultam o processo inclusivo pleno, mas o número de crianças por sala de aula é um fator preponderante.

Para alcançar os parâmetros de equidade social que fundamentam os debates iniciados há três décadas, a escola inclusiva precisa de um olhar que avance para além da racionalização econômica. Propiciar uma formação efetiva para todos aqueles que vivem a educação escolar é sem dúvida o desejo de todos os envolvidos no campo educativo, mas não se pode executar essa enorme tarefa social de formação humana sem as condições de trabalho necessárias.

Todas as crianças e adolescentes merecem estar em um ambiente escolar de qualidade em que se efetivem práticas inclusivas que os preparem para estarem no mundo.

Estar no mundo é se reconhecer como sujeito, como pessoa, como ser humano, que de posse do conhecimento atue socialmente transformando o mundo num lugar melhor.

 


Maria Aparecida de Lima Madureira é doutoranda em Educação pela UNISO.

 

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