30/10/2017 - 15:30
Cerca-lourenço do Esporte Edição 242


Kaká Martins

Nos tempos da Grécia e Roma antigas, o entretenimento em forma de esporte eram as arenas e coliseus, onde gladiadores com suas espadas e armaduras épicas faziam a alegria de um povo que não tinha outra opção senão acompanhar um cenário de morte e horror, até o último ficar de pé. Ladrões, oposicionistas ao império e até aqueles que negavam pagar altos impostos, acabavam por virar alimento de leões, como forma de diversão, momentos antes dos combates da arena.

Muitos séculos depois, as coisas não mudaram ou não evoluíram ao ponto do homem respeitar seu corpo, sua vida. Quando esperávamos tempos de reflexão, paz, qualidade de vida, e práticas esportivas ou de competições que não comprometessem a saúde do atleta, eis que surge o vale-tudo, MMA (Artes Marciais Mistas), ultimamente administrado pelo UFC.

As lutas do UFC ganharam notoriedade, investimentos com retorno absurdo dos anunciantes, seus atletas se tornaram heróis de seus países, e a cada edição parece atrair mais público para os eventos que hoje também recebe a disputa de mulheres, visto que até a novela das nove da Globo retratou o sucesso e a performance da major Geiza.

O votorantinense Gustavo Estebam, campeão mundial de jiu-jítsu em várias categorias, praticamente não encontrou adversários ao longo dos últimos anos, ganhando aproximadamente 120 medalhas e se consolidando como um dos maiores atletas do país na sua idade. Em uma das suas entrevistas com este colunista, deixou escapar que poderia e desejava fazer lutas de MMA, categoria onde o atleta se expõe a lesões, fraturas, deslocamento de retina, hematomas, e em algumas ocasiões levando a óbito, comparado ao judô, karatê, jiu-jítsu, que aliás não matam ninguém, muito pelo contrário, são saudáveis e disciplinadores.

Obviamente que desejamos sucesso para o garoto campeão em sua nova empreitada. No último dia 21, na categoria peso galo até 61 quilos, no Impacto Fight, em Tatuí, ele simplesmente finalizou seu adversário em 47 segundos e mostrou um boxe com esquiva perfeito, concentração e foco, levando o adversário para o chão e vencendo com aquilo que mais lhe deu alegrias na sua curta e vitoriosa carreira de artes marciais, o jiu-jítsu.
O mundo esportivo e as autoridades mundiais permitiram esse “espetáculo” em nossos tempos por conta da ganância e do dinheiro. Além, é claro de ninguém ter levado em conta a questão da saúde e integridade física do atleta.

O MMA não é unanimidade entre os jornalistas esportivos, e parte da população reprova a forma como a violência, a fúria, a raiva, o sangue derramado são apresentados para nossas crianças e jovens.

Kaká Martins é colunista da Gazeta de Votorantim, radialista e narrador esportivo.

 

Coluna publicada na página 12 da edição 242 da Gazeta de Votorantim de 28 de outubro a 03 de novembro de 2017







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