09/11/2017 - 18:14
A difícil relação com o espaço chamado Cemitério
 Foto: Arquivo 

Dia de Finados, logo após a Emancipação de Votorantim

Se tem um lugar em Votorantim onde não é nada agradável visitar é o cemitério São João Batista. Ali são finalizadas nossas relações com pessoas tão especiais que passaram e marcaram nossas vidas.


O cemitério surgiu quando Votorantim ainda era distrito, até para suprir as necessidades e evitar o transporte de corpos num trolinho funerário, adaptado em um dos vagões dos bondes até algum cemitério de Sorocaba. Como passamos a ter nossa própria necrópole, faltava ainda ter o asfaltamento da estrada de acesso. Imagine quando chovia, o cortejo era feito na maioria das vezes a pé, num trecho liso e barrento, saindo da parte baixa da Barra Funda e seguindo em procissão até os altos onde se localiza o cemitério. Às vezes era possível transportar em cima de um caminhão.


Graças a emancipação de Votorantim, nossos administradores locais deram atenção ao espaço. As cercas de arame foram trocadas por muros e o pavimento chegou com a instalação de lajotas. Por último, o local ganhou iluminação em todo o recinto, garantindo segurança aos vigias que se apoiavam em rondas noturnas na base do lampião e do farolete.

Entre os personagens do local a figura do popular “Tonho Bode”, onde durante o dia dormia em túmulos não ocupados, mas a noite era convidado a se retirar com a alegação que nesse período só estava autorizado a permanência do vigia. Essa era a fala oficial da Prefeitura, enquanto administradora do espaço, mas todos sabiam que “Tonho Bode” pernoitava no local.
Ali sempre tiveram abnegados servidores, diariamente dando suporte ao público visitante, fazendo enterros, exumações realizadas por ordem judicial e remoção de ossos para sepultar outra pessoa da família no lugar. Se antes os caixões eram colocados direto na terra, chamadas “covas de sete palmos” de fundura, hoje os serviços são feitos em gavetas com profundidade de cinquenta centímetros e vão verticalizando, fazendo novas construções em cima para incluir mais sepultamentos com o passar do tempo.

Em cada enterro se vai junto histórias da nossa gente, a cada perda se forma uma lacuna e a cidade perde a memória oral que deixou de ser documentada para melhor compreensão do nosso tempo.
               
Cesar Silva é jornalista e autor de três livros sobre a história local.
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Coluna publicada na página 13 da edição 243 da Gazeta de Votorantim de 04 a 10 de novembro de 2017







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