20/02/2018 - 09:40
Divertimento da juventude no distrito de Votorantim
 Foto: Divulgação  

Coreto, jardins da Igreja Matriz e Votecipa

Tudo seguia num mesmo ritmo. De segunda a sábado dedicados à jornada de trabalho na fábrica de tecidos Votorantim. Eram muitos os operários que chegavam de bondes, que vinham das vilas operárias e de outras partes mais distantes. O cumprimento do dever era algo sagrado para todos.

Já o domingo, único dia de descanso, o tempo passava rápido demais e de modo especial aos jovens, era preciso aproveitar cada momento precioso de descanso para ter o merecido lazer no distrito de Votorantim.

Período em que não se falava em drogas, nem havia violência, os pais ficavam tranquilos sabendo onde os filhos estavam e os valores familiares eram preservados.

O antigo centro era referência para unir a mocidade nos momentos em que não se estava trabalhando e nem na casa. Aquela área do antigo distrito reunia o cinema, clube, igreja, coreto e os jardins, um pouco mais distante o estádio e as piscinas do Clube Atlético.

Também tinha um lugar onde os rapazes gostavam de frequentar, era o Bar do Irmo. Um ponto de encontro para reuniões, boas conversas e cantorias. Uma fase boa, onde as pessoas bebiam menos, havia o hábito de tomar cerveja e a mistura de Gim com Vermute para ir mais animados para os bailes no Clube Atlético.

Outra prática muito comum era o passeio informal, tendo a finalidade de arranjar algum namoro, o popular “footing”. Era tradicional, com os moços circulando de um lado e as moças no sentido inverso. Muitos se conheceram dessa forma, começaram a namorar e curtiram momentos agradáveis embalados pela presença da tradicional banda tocando no coreto. Sempre a visita de algum moço ou moça vindo de fora do distrito chamava a atenção, mesmo não sendo uma pessoa bonita, mas era novidade!
Com isso ganhava importância os passeios feitos no Jardim Bolacha como ficou conhecido o canteiro central da rua Lacerda Franco e que aparentava o formato daquelas bolachas retangulares de maisena. Não se pode esquecer do espaço onde estava o busto de Anita Garibaldi, era o local mais escuro e preferido por alguns casais para esquentar um pouco mais a relação, mas nada que fosse explícito ou atentasse aos bons costumes da época.
               
Cesar Silva é jornalista e autor de três livros sobre a história local
Visite a página no Facebook: “Histórias da Minha Cidade –Votorantim”

 


Texto publicado na página 10 da edição 255 da Gazeta de Votorantim de 17 a 23 de fevereiro de 2018







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