06/03/2018 - 10:02
João Kruguer: das pedreiras, o escritor de contos

Sua vida profissional teve início na fábrica de tecidos Votorantim e prosseguiu nas pedreiras da cimenteira Votoran onde ficou por 23 anos, até se aposentar. Foi no período que começou a trabalhar naquele lugar rústico que João Kruguer se interessou pela leitura e consequentemente escrever suas obras.

Faleceu em 1º de março de 1994, aos 73 anos. Sua história de vida e contribuição dada à cultura local estimulou que um espaço fosse montado no Museu Municipal para reproduzir com mobília e utensílios a sala da casa onde fazia leitura e produzia os contos. A Academia Votorantinense de Letras, Artes e História criou o prêmio João Kruguer, a ser entregue anualmente a nomes que se destacam artisticamente na comunidade.

João vivia na simplicidade. Morava na segunda casa da rua João Tobias, na Barra Funda. Depois foi morar na casa do morro, como assim chamava, na rua Antônio Armando Zanetti, na Vila José Ramos. Era comum vê-lo fazendo caminhadas pela antiga avenida Gabriel Pizza, hoje avenida Luiz do Patrocino Fernandes, com um galho nas costas, uma sacolinha pendurada e um cigarro de palha com fumo de corda que ele plantava, seguia em direção a casa da sogra adoentada e que sua esposa sempre cuidava.

Como bom observador foi encontrando inspiração para escrever grande parte do acervo de mais de mil contos destacando pessoas da cidade, os costumes da época e se inspirando nas relações com as vilas operárias e a pedreira onde trabalhava.
É possível verificar que muitos de seus contos foram publicados em diversos jornais e revistas. Ele recebia as premiações em concursos literários, mas não aceitava qualquer tipo de pagamento em dinheiro, por entender que um dom tão especial de Deus não podia gerar qualquer remuneração monetária.

Também ficaram as lembranças daquele poeta trabalhando na pedreira, que no pouco tempo de descanso após o almoço, lá estava rascunhando, preparando mais um conto e sendo observado por colegas de trabalho que sempre o rodeavam.

O escritor que pouco frequentou escola nos mostrou na prática o quanto a sensibilidade de um poeta pode gerar preciosidades como o conto “Gosto de Pedreira”, um dos mais conhecidos.

Cesar Silva é jornalista e autor de três livros sobre a história local
Visite a página no Facebook: “Histórias da Minha Cidade –Votorantim”

 


Coluna publicada na página 14 da edição 257 da Gazeta de Votorantim de  03 a 09 de março de 2018







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