03/04/2018 - 09:43
A estaçãozinha que deixou saudades

Vamos recordar juntos

Há cinquenta e dois anos, mais precisamente, desde 22 de agosto de 1966, deixavam de circular os bondinhos da Estrada de Ferro Elétrica de Votorantim, para o transporte de operários e passageiros.

Desaparecia assim, uma tradição de mais de 73 anos e que deixou muita tristeza e saudades em seus passageiros e usuários. Circulavam 22 composições por dia, das quais, nove eram operários (havia trem especial para o transporte de mulheres, que trabalhavam na indústria e dois bondes, que eram para transportar o almoço e o jantar dos operários).

Os funcionários da fábrica não pagavam nada pelo transporte de Sorocaba à Votorantim e vice-versa, bem como, até o bairro da Santa Helena, para os que trabalhavam na fábrica de cimento. Era bonito ver o comboio, apinhado de operários chegando, em Votorantim, de madrugada.

A pequena, mas aconchegante estaçãozinha da foto, era o ponto de encontro de todos que, diariamente, utilizavam os bondinhos como transporte. Idosos, adultos, operários, professoras, estudantes, jovens e crianças se cruzavam no vai e vem do pátio da estação.

Administrada de maneira eficiente pelos agentes Abilião, Cristovam e Del Bem, o atendimento contava ainda com os dedicados funcionários, o Angelim e o Brazarosco, que eram responsáveis pelos guichês de venda de passagens. Para embarcar nos bondinhos, passávamos pelas figuras alegres e brincalhonas do Atamiro e do Brasilio, os quais picotavam as passagens. No comando dos bondinhos, transportando todos, lá estavam os motorneiros, o Taubaté, o Alegria, Benedito Nogueira, o Zé Tramela, o Elói e os auxiliares Pindova, Alipio (Pente Fino) e outros. Já a Maria Fumaça, era cuidada com esmero e carinho pelo Sr. Lopoldo Strongoli e, o Nene Burrico, com a prancha azul, socorria os imprevistos das viagens.

Os passageiros, enquanto aguardavam a hora do embarque, petiscavam os salgadinhos, na Barraca da Baiana e seu filho, o Dionísio, que ficava anexa à estação. Outros, não embarcavam sem antes saborear um Chopp e os sorvetes do bar do Arcuri, de frente a estação. Alguns passageiros, engraxavam os sapatos com o Toninho Kriguer, na calçada do bar e muitos davam uma esticada pelo Jardim Bolacha, até a banca de Jornais do Chico, para comprar jornal e saberem as manchetes o dia. Dona Zalla, chefe do correio, despachava a correspondência da agência e o inesquecível Beranger, remetia os rolos de filmes para o bairro Santa Helena, através dos bondinhos. Até os sepultamentos eram feitos pelos bondinhos, que transportavam os falecidos num carro fúnebre até a estação Paulo Souza, em Sorocaba. Tudo girava em torno dos bondinhos e da histórica estaçãozinha. Com a mudança do centro da cidade para a avenida 31 de março, a estaçãozinha, deixou de existir, foi demolida e com ela um pouco da nossa história. A estaçãozinha e os bondinhos, marcaram a vida da cidade e de todos os votorantinenses e, deixaram muitas saudades...

O encanto da vida, nos vem das recordações.

Um pouco da História

A Estrada de Ferro Elétrica Votorantim (EFEV), foi inaugurada em 04 de fevereiro de 1922 e foi a segunda estrada de ferro eletrificada do Brasil. Esteve presente na inauguração, o então governador do Estado da República velha Dr. Washington Luiz Pereira de Souza, que depois foi Presidente da República. Ele fez a primeira viagem no trem elétrico.

 

Coluna publicada na página 11 da edição 261 da Gazeta de Votorantim de 30 de março a 06 de abril de 2018

 








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