03/04/2018 - 13:58
Análise dos casos de Cinomose atendidos pelo Hospital Veterinário do Centro Universitário de Jaguariúna-SP

Hergert, J. G¹; Moraes, C. C.¹; Moreira, L.C.S.¹; Oliveira, S. G.¹; Possedente, J.M.¹; Balieiro, C.C.².

¹ Discente do semestre do curso de Medicina Veterinária da UNIFAJ.

² Docente do curso de Medicina Veterinária da UNIFAJ.

* Jhullye Gonçalves Herget

jhuherget@hotmail.com

 

INTRODUÇÃO

A doença, cinomose canina (CDV, canine distemper virus), viral e altamente contagiosa. Essa doença não curada corretamente pode deixar sequelas severas no animal ou então leva-lo a morte. O vírus, um membro do gênero Morbillivirus, subfamília Paramyxovirinae, família Paramyxoviridae, ordem Mononegavirales, é o principal causador de encefalites em cães de diferentes faixas etárias, podendo ainda estar associado com manifestações clínicas sistêmicas (MARTELLA et al., 2008).

 A CDV possui vários possui seus estágios de infecção, no primeiro dia, a exposição aerogena, leva a uma infecção dos macrófagos teciduais do trato respiratório superior; no segundo ao quarto dia, ela se alastra para os tecidos linfóides locais das tonsilas, dos linfonodos retrofaringeanos e dos linfonodos bronquiais; do quarto ao sexto dia, acabam envolvendo o fígado, o baço, os linfonodos abdominais, trazendo um pico de febre transitório e um início de linfopenia causada por pelo vírus presentes nos linfócitos T e B; do sexto ao nono dias, progride até a uma viremia, indo em direção ao sistema nervoso central (SHERDING et al., 2007).

Em alguns animais podem ocorrer apenas sinais de comprometimento nervoso, enquanto em muitos outros casos, sinais sistêmicos advém no curso da enfermidade, incluindo pneumonia e diarreias, associadas a pústulas na pele e hiperqueratinização dos coxins plantares (Silva et al. 2007, Silva et al. 2009). As manifestações clínicas e o curso da doença dependem da amostra viral, idade e status imunitário do animal afetado e localização das lesões (MARTELLA et al., 2008).

Observa-se demonstrado na figura I o ciclo de infecção da cinomose:

 

A taxa de mortalidade varia, mas é mais alta em cães jovens e quando ocorre uma doença multissistêmica fulminante severa ou uma neurológica progressiva. Os déficits neurológicos causados pela cinomose canina são frequentemente irreversíveis.

A cinomose é uma infecção por ser altamente contagiosa os métodos de prevenção baseiam-se no uso de vacinas atenuadas (viva modificada) aplicadas com reforços mensais nos primeiros meses de vida em animais jovens, seguido de reforços anuais em cães adultos, ou cães seriamente doentes (SHERDING et al., 2013).     

O diagnóstico presuntivo da cinomose pode se basear em sinais clínicos típicos em um cão jovem (2-6 meses) que apresenta uma história de vacinações inadequadas e possibilidade de exposição ao vírus. O cão neonato adquire imunidade contra a cinomose a partir de sua mãe; a maior parte de seus anticorpos derivados da maternidade vem do colostro absorvido durante a amamentação nas primeiras horas após o nascimento. Os anticorpos maternos desaparecem gradualmente, mais protegem a maior parte dos cães até depois do desmame. Enquanto estão presentes, os anticorpos maternos interferem também na resposta à vacinação; portanto, deve se administrar uma série de vacinações em intervalos de 3-4 semanas, entre 6-10 semanas de idade na maior parte dos cães. (BIRCHARD, et. Al., 2013).

Nos casos suspeitos de cinomose, tornam se útil um hemograma completo para analisar as respostas leococitárias e radiografias torácicas para avaliar quanto à pneumonia. As técnicas de virologia podem ajudar a comprovar um diagnóstico de cinomose; no entanto, isso geralmente não é prático ou necessário na maior parte das situações clínicas e resultados falso-negativos são comuns. Não há tratamento antiviral efetivo contra a cinomose; portanto, o tratamento deve ser de suporte e sintomático. Sempre que for possível, trate a cinomose em uma base ambulatorial para evitar exposição a aerossol de outros animais internados. (BIRCHARD, et. Al., 2013).

Em relação ao tratamento sintomático, deve se administrar antibióticos de largo espectro para infecção bacteriana secundaria, especialmente pneumonia. Deve se proporcionar uma umidificação das vias aéreas. Em caso de tosse, deve se administrar expectorante e broncodilatadores, bem como deve se realizar um golpemante torácico. No caso de vomito e diarreia, deve se restringir o consumo alimentar e administrar antieméticos e antidiarréicos. No caso de ataques conclusivos, deve se administrar uma dose única de dexametasona (1-2 mg/kg) e administrar anticonvulsivos, como por exemplo o diazepan. (SHERDING et al., 2013).

Em relação ao prognóstico, verificou se que a taxa de mortalidade varia, mas é mais alta em cães jovens e quando ocorre uma doença multissistemica fulminante severa ou uma doença neurologia progressiva. Os déficits neurológicos causados pelo vírus da cinomose são frequentemente irreversíveis. Justifica se a recomendação de eutanásia no caso é paciente com sinais neurológicos progressivos severos e incapacitantes. (SHERDING et al., 2013).

A educação dos clientes, no sentido de prevenção, ainda é o método mais efetivo no sentido de prevenir a cinomose.

O objetivo do trabalho é de realizar uma pesquisa acerca dos casos de incidência da doença denominada cinomose em animais domésticos, especificamente em cães e gatos, durante os anos de 2012 à 2017, a partir do registro de casos dos pacientes do Hospital Veterinário de Jaguariúna. Tendo em vista que os registros do hospital não informavam sexo e idade, a pesquisa fora realizada apenas com base na raça dos animais.

MATERIAS E MÉTODOS

 

O presente trabalho foi elaborado através da análise dos casos de incidência de cinomose relatados no livro de cadastro de atendimento do Hospital Escola Veterinária do Centro Universitário de Jaguariúna/ SP, contemplando os casos existentes entre os anos de 2012 à maio de 2017. Dentre todos os casos relatados, foram relatados apenas os casos de incidência de cinomose em cães, atentando-se apenas à raça dos animais, tendo em vista que o livro de registro não informa idade e sexo dos animais.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

O objetivo do trabalho é de realizar uma pesquisa acerca dos casos de incidência da doença denominada cinomose em animais domésticos, especificamente em cães e gatos, durante os anos de 2012 à 2017, a partir do registro de casos dos pacientes do Hospital Veterinário de Jaguariúna. Tendo em vista que os registros do hospital não informavam sexo e idade, a pesquisa fora realizada apenas com base na raça dos animais.

Encontra-se demonstrado no Gráfico I a incidência de casos de cinomose em cães de raças específicas bem como de cães sem raça definida, durante os anos de 2012 à maio de 2017.

 

Observa-se no Gráfico I que, independentemente do ano, a maior incidência da cinomose nos animais atendidos pelo Hospital Escola Veterinário do Centro Universitário de Jaguariúna foi em cães sem raça definida, seguida de cães de raças especificas, tendo a raça pinscher a menor incidência da doença.

A prevalência de cinomose nos cães sem raça definida atendidos no hospital veterinário foi maior, de 14 casos (32%) seguida da raça poodle, com 8 casos (13%) e depois da raça coocker, com 6 casos (4%) (Figura 2). Podendo ser visto na tabela de ra- ças atendidas no hospital a quantidade de cada raça atendida e de cães com cinomose de cada uma delas provando que os cães sem raça definida (SRD) foram a maioria diagnosticados com cinomose, seguidos do poodle e depois o coocker (Tabela 1). (BARBOSA, et al., 2008).

 

Encontra-se demonstrado no Gráfico II a totalidade de animais atendidos pelo Hospital Escola Veterinário do Centro Universitário de Jaguariúna/SP, independente da espécie, durante os anos de 2012 à maio de 2017, bem como o total de casos de incidência de cinomose especificamente em cães, independente da raça, sexo ou idade.

 

Observa-se no Gráfico II que, dos três mil e quatrocentos animais atendidos pelo Hospital Escola Veterinário do Centro Universitário de Jaguariúna/SP, apenas 91 cães apresentaram a doença cinomose.

Barbosa et.al., (2008) demonstra em seus estudos que dos 460 cães atendidos no período de maio a dezembro de 2007, no HV-FAA, tiveram como diagnóstico de cinomose, 49 cães (10,6% dos casos).

Encontra-se demonstrado no Gráfico III os diferentes tipos de procedimentos aplicados aos animais atendidos pelos médicos veterinários do Hospital Escola Veterinário do Centro Universitário de Jaguariúna-SP e que apresentaram a cinomose.

 

 

Encontra-se demonstrado no Gráfico III os diferentes tipos de tratamentos aplicados aos animais que apresentaram cinomose. Dos 91 animais atendidos que apresentaram a doença, 32 passaram por procedimentos específicos de tratamento à base de medicação, 17 sofreram eutanásia, 18 foram internados e 24 passaram por outros tipos de procedimentos.

Pode-se concluir que a incidência de cinomose no HV-FAA, foi baixa, de apenas 10,6%, porém é de suma importância conhecermos mais sobre a doença, sabendo que é um vírus altamente contagioso, que causa sinais clínicos bastante fortes nos casos mais graves, levando a ficar com sequelas depois de feito o tratamento e até a morte. E é muito importante para orientar alunos e professores da faculdade e do hospital veterinário sobre a doença e como impedir a disseminação do vírus tanto no hospital, bem como na cidade de Anápolis. (BARBOSA, et al., 2008).

 

 

CONCLUSÃO

 

Com base no presente estudo pode-se concluir que a incidência da doença em questão, a cinomose, é baixa em relação a espécie objeto do estudo, qual seja, canina, bem como ocorre em maior incidência nos cães sem raça definida.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA

 

Basbosa, J.M.; Passos, R.F.B.. Analise dos casos de cinomose no H.V. São Francisco de Assis da Faculdader Latino Americana – Anápolis- GO. Ensaios e Ciência: C. Biológicas, Agrárias e da Saúde Vol. XII, Nº. 1, Ano 2008. Disponível em http://www.redalyc.org/pdf/260/26012806011.pdf. Acesso em 15 de outubro de 2017.

 

Gebara, C. M. S.; Wosiacki, S. R.; Negrão, F. J.; Alfieri, A. A.; Alfieri, A. F. Lesões histológicas no sistema nervoso central de cães com encefalite e diagnóstico molecular da infecção pelo vírus da cinomose canina. [S.I]: Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. v.56,n.2,p.168-174.2004. Disponível em: Acesso em: 25 outubro de 2017.

 

Martella V., Elia G. & Buonavoglia C. 2008. Canine distemper virus. Vet. Clin. North Am., Small Anim. Pract. 38:787-797.

 

Silva M.C., Fighera R.A., Mazzanti A., Brum J.S., Pierezan F. & Barros C.S.L. 2009. Neuropathology of canine distemper: 70 cases (2005-2008). Pesq. Vet. Bras. 29:643-652.

 

Sherding, R. G., Birchard. S.J. 2013. Manual Saunders clínica de pequenos animais.







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