04/06/2018 - 12:03
Lembranças de um filho de operário em Santa Helena

Crianças se divertiam em ruas de pouco trânsito

O tempo passou e ficaram lembranças de uma infância tão feliz. Agora é preciso se acostumar com a idéia que tudo muda, tudo acaba! Os cabelos brancos chegaram e mesmo vivendo outra realidade, a qualquer momento parece que vem à mente um filme do passado, fazendo viajar pelas boas recordações. É um misto de alegria e tristeza, alegria por reconhecer que tudo valeu a pena e tristeza por ter a certeza que nada volta a ser como antes.
Votorantim contava com uma “minicidade”, era a vila operária Santa Helena, um local distante do antigo centro e ali para quem nasceu e passou a infância e adolescência o espaço se tornou uma experiência enriquecedora na formação.
Os filhos desde pequenos, viam orgulhosos seus pais saírem uniformizados diariamente das casas em direção à portaria da fábrica. Observavam com o desejo de quando crescerem, ter o mesmo caminho.
A infância ia passando em meio às ruas com pouco movimento de veículos e ocupadas por brincadeiras tradicionais como jogar bolinha de gude, soltar pião, bater corda, passar o lenço no meio de uma roda, usar nas descidas o carrinho de rolimã e nem todos tinham bicicletas, então emprestava dos amigos e dava algumas voltas pela vila.
Imaginar que além da praça e das ruas ocupadas pelo grande número de crianças, outros espaços ofereciam boa diversão à família como o braço de água da Prainha, os passeios na Fazenda São Francisco e as idas nos finais de semana à Vila da Light para curtir a Cachoeira São Francisco e as pequenas quedas de água logo abaixo.
As crianças estavam seguras brincando e quando chegava o período escolar eram encaminhadas às unidades existentes no bairro que atendiam a educação infantil com a “Neide Helena de Moraes” e os primeiros anos do ensino fundamental com a “João Ferreira da Silva”.
Esse jeito simples de viver garantia maior união entre as pessoas, que celebravam juntas as datas comemorativas do calendário. Até os vizinhos se ajudavam quando estava acabando a compra no final do mês e se emprestava um pacote de farinha de trigo ou uma lata de óleo.

 

Cesar Silva é jornalista e autor de três livros sobre a história localVisite a página no Facebook: “Histórias da Minha Cidade –Votorantim”.

Praça Brasil era um dos símbolos do bairro



Publicado na edição n°270 da Gazeta de Votorantim, de 02 a 08 de junho de 2018.

 







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