11/10/2018 - 20:33
A criança e o professor: singeleza, presente e futuro
 Foto: Divulgação 

Tiago Antonio de Araújo

Tiago Antonio de Araújo

 

Em tempos tão difíceis, não podemos discutir as relações sociais e o momento que estamos passando sem olhar para a escola como um local de refúgio e de alento para todo o despropósito que estamos vivendo.

Nossa sociedade chora as mazelas não resolvidas e as feridas não tratadas dos sonhos levantados em meio a alicerces que se ruíram.

E nesse contexto social hostil, não há como se pensar nas possibilidades futuras sem relacioná-las à educação de nossas crianças. Assim, surgem algumas questões importantes a se refletir e algumas possibilidades para se dialogar:

Quem são nossas crianças?

Quem são seus professores?

Que sociedade é esta que estamos inseridos e participando?

Primeiramente, é necessário dizer que nossas crianças são pessoas em desenvolvimento, que já na mais tenra idade estão construindo sua identidade em meio ao caos de uma sociedade adoentada, sofrida, pouco unida e com seus poucos princípios arruinados. Nossas crianças são as pessoas que crescem no século XXI agitado e ansioso, no contexto da informação rápida das redes sociais em que se pode quase tudo.

Nossas crianças são aquelas que aparecem nos jornais, com suas famílias desestruturadas ou sem famílias, que vivenciam o abuso de todas as formas e intensidades, diariamente, que sofrem caladas, que veem suas infâncias roubadas. Nossas crianças também são aquelas que estão na escola, que brincam felizes, que parecem às vezes despercebidas ou até mesmo alheias à sua realidade e que, em meio a tantos desafios, aos “trancos e barrancos”: aprendem. 

Não obstante, é nesse contexto no mínimo “confuso” que fazemos uma reflexão sobre os nossos professores: pessoas em desenvolvimento e plena aprendizagem que, jovens ou não tão jovens assim, convivem diariamente com as crianças desta sociedade complicada e que, quase sempre, são cobrados para além do ensino. Deles são inqueridos, além dos conteúdos e saberes escolares, tantas outras tarefas, tantas outras possibilidades, tantas outras habilidades.

E para além do sentimento de desânimo coletivo que nossa sociedade vivencia, os professores conseguem, através de suas capacidades de reinvenção e resiliência constantes, transformar o ensino. Dão gosto e forma para essa escola que tenta acompanhar as constantes mudanças e, de certa forma, proporcionam sentido a esta sociedade tão carente.

Nestes dias, 12 e 15 de Outubro, datas em que celebramos o Dia da Crianças e dos Professores, respectivamente, convido a todos a fazer uma reflexão sobre nossas crianças e professores, a pensar o quanto é complicada a tarefa de ser criança e de ser professor em meio às relações ávidas e excludentes que se estabeleceram no convívio social.

Convido você a celebrar estas datas tão especiais. Por fim, se puder, abrace uma criança e transmita uma mensagem de carinho, valor e ânimo para um professor ou professora que você conheça...

Se você é professor ou professora, saiba que não há profissão mais valiosa e intrigante do que a sua. Saiba que sua inovação e tentativas diárias influenciarão crianças, famílias e sociedades inteiras, ainda que você não possa dimensionar tudo isso.

 

Criança e professor andam de mãos dadas. Feliz Dia das Crianças! Feliz Dia do Professor!



Tiago Antonio de Araújo é professor e secretário Municipal de Educação de Votorantim.

 

Coluna publicada na edição 288 da Gazeta de Votorantim de 12 a 19 de outubro de 2018 na página 09







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