13/05/2019 - 13:36
A simplicidade ficou no passado
 Foto: Divulgação  

Juquita, Dinho, Edson Campioni, Adair Marinoni com a pequena Marlene e Herculano, ao fundo Olga Fe

Hoje muitos populares que passam pela rua Amirtes Luvison, onde fica a igreja matriz São José e a portaria da Fiação Alpina não se dão conta que ao lado, uma pequena rua estreita, sem saída, é a Bernardino de Campos, uma das mais antigas e colecionadora de boas histórias.

Entre os seus moradores, ali está a segunda vanguardeira mais antiga de Votorantim. Dona Amélia Ribeiro de Góes completa 98 anos de vida agora em 2019. Mora no local há 75 anos e guarda várias lembranças.

No passado a simplicidade ajudava a unir ainda mais os moradores. Ao fundo das casas, no pouco espaço existente, as famílias tinham a preocupação que hoje já não existe mais, de formar pomares e cultivar hortas. Havia os chiqueiros para a criação de porcos na Chave e na Barra Funda e os piquetes para cuidar das cabras numa área junto à rua que passaria ser chamada de Ovídio Godinho.

“Saudades daquele tempo, quando as pessoas tomavam leite espumoso direto das tetas da vaca, improvisávamos uma canequinha, colocava açúcar e canela e bebíamos gostoso. Mamãe tirava o leite da vaca e ficávamos do seu lado com a caneca na mão” relembra Amélia.

Dá para imaginar a quantidade de crianças na rua que se divertia numa grande interação. Amélia chegou a conviver quando criança com o período em que não se tinha chuveiro elétrico e para tomar um belo banho era preciso ir ao rio.

“Hoje é triste ver que as crianças não sabem mais o que é apanhar a fruta no pé, perdem a noção de espremer ou descascar manga, laranja e goiaba. Agora elas têm tudo na mão, só conhecem suco em caixinha, de garrafa ou em pó. Recordo-me de minha mãe dizendo pega um balaio, corre lá no quintal e tire bastante ervilhas do pé por que hoje vou fazer um virado. Por isso brinco que era gostoso ser pobre” numa referência à simplicidade da época.

Amélia viu as crianças crescerem e hoje alguns já são até avós. Tinha a fama de brava, por sempre aparecer na rua com a cinta na mão e não ficava ninguém. O argumento era que precisava tirá-las do perigo, depois agradeciam por não terem se machucado. Também dizia que era para pôr ordem no local, uma maneira de evitar com que os maiores batessem nos pequenos.

      

Cesar Silva é jornalista e autor de três livros sobre a história local

Visite a Fanpage: Histórias da Minha Cidade –Votorantim

 


Coluna publicada na página 14 da edição nº316, do jornal Gazeta de Votorantim, de 11 a 17 de maio de 2019.







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