02/09/2014 - 15:15
Mercado imobiliário no interior de São Paulo

Na última semana tivemos, na “Convenção Secovi”, o painel do interior onde cada uma das cidades representadas teve a oportunidade de relatar como o mercado imobiliário está se comportando em nove regiões do estado de São Paulo.

As apresentações e dados mais detalhados dos estudos realizados em várias destas cidades podem ser encontrados em www.secovi.com.br.

As migrações para o interior, que ocorreram fortemente na década passada, reduziram sua força e velocidade, com exceção da região de Ribeirão Preto e Campinas.

As indústrias, principalmente a automobilística, têm buscado, no interior do estado, espaço para novas instalações e através de incentivos discutíveis e questionáveis feitos pelo governo federal têm fomentado bastante o mercado no local onde têm se instalado. As universidades, tanto públicas quanto privadas, também neste processo de interiorização, têm sido fortes propulsoras em nosso mercado.

Embora o comportamento seja bastante parecido, cada região tem suas características:

- A região da Baixada Santista tem uma forte presença na verticalização com baixíssimos lançamentos de loteamentos e com pouca presença de empreendimentos do Minha Casa Minha Vida e com a expectativa principalmente no pré-sal e na ampliação do porto,  ofertou, além da demanda, os empreendimentos comerciais.

- A cidade de Campinas, também muito verticalizada e com baixos níveis de lançamentos, principalmente por sequenciais problemas políticos e de aprovação, tem pouca presença de empreendimentos econômicos o que tem feito com que as cidades do entorno tenham buscado atender a demanda tanto por loteamentos abertos e fechados quanto por imóveis mais acessíveis. Os investimentos no aeroporto de Viracopos também devem trazer mudanças no cenário do mercado imobiliário no entorno com o novo zoneamento da chamada macrozona 7.

- A região do Vale do Paraíba, com restrições do plano diretor de São José dos Campos, tem feito com que vários empreendimentos tenham saído da cidade e buscado nas cidades do entorno como Taubaté, Caçapava outras opções de investimento para atender a crescente demanda da região que é estrategicamente localizada e tem se beneficiado com a melhoria da ligação com o litoral e com o novo porto de São Sebastiao.

- Comportamento parecido deve acontecer na região de Sorocaba, caso  aprovado o plano diretor como proposto. Hoje, ainda com vários e diversificados lançamentos acontecendo para atender a demanda local, podemos observar indícios da saída de empreendimentos, principalmente de loteamentos, para o entorno. Em Sorocaba as universidades e as indústrias de pás eólicas e a cadeia automobilística são fundamentais na criação de demanda para o mercado imobiliário.

- A região de Jundiaí, proporcionalmente, com o maior número de lançamentos residenciais, tem enfrentado dificuldades também nas aprovações e licenciamentos,  principalmente em relação aos empreendimentos comerciais e industriais. Sendo uma região favorecida pelo acesso fácil das duas principais rodovias do estado,  tem aumentado muito o número de habitações impróprias, nas cidades do entorno, em razão dessa dificuldade verificada nos  últimos dois anos.

- A região de Bauru, com localização centralizada no estado e com acesso fácil de estradas e aeroporto, mesmo com um pouco de dificuldade no licenciamento ambiental em alguns casos, tem hoje um bom equilíbrio, entre a oferta e a demanda, em todos os tipos de empreendimentos, acentuando nos últimos anos o processo de verticalização.

- A região de São José do Rio Preto, com o aeroporto cada vez mais encurtando a distância e com muito boa infraestrutura para atender a população, é ainda pouco verticalizada e recordista no lançamento de loteamentos abertos e fechados para todas as classes sociais,  foram pouco mais de 22 mil nos últimos 5 anos.

Podemos constatar as principais particularidades de cada região, mas o poder publico quando é lento nos licenciamentos e não tem regras claras pode deixar o mercado fortemente demandado, nestes casos o principal prejudicado é o consumidor que pagará mais caro pela realização do sonho da casa própria.

 

Flavio Amary







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