26/08/2019 - 16:00
Cine Votorantim era um dos mais antigos do Estado

O cinema funcionou no primeiro prédio até 1946

Quando não havia ainda público suficiente para garantir a lotação, o espaço de projeção do Cine Votorantim, instalado num salão da Barra Funda, já funcionava para garantir entretenimento aos operários e seus familiares, bem como aos que vinham de bondes de Sorocaba.

Se constituía numa novidade e como era a época do cinema mudo uma banda fazia a trilha sonora para embalar o público que se atentava às mímicas e gestos dos personagens, além de observar os letreiros da projeção.

A magia do cinema gerava encanto, despertava sentimentos de emoção e promovia o encontro de toda a família, interação de amigos e motivação para paqueras virarem namoros.

Em novembro de 1946 o Cine Votorantim foi transferido para novas e amplas instalações na rua Joaquim Fogaça. Em sua estréia a exibição do filme “A Noite Sonhamos”. No novo endereço, o Cine estava há poucos metros da rua Lacerda Franco, a via principal do antigo centro de Votorantim.

Tabuletas anunciando as estréias e horários das sessões eram estrategicamente espalhadas, como chamariz ao público que prontamente correspondia. Um exemplo foi “Tristezas do Jeca” estrelado pelo ator Mazzaropi. O administrador do espaço Francisco Beranger sempre comentava com orgulho que em 2 de março de 1963, o filme foi visto em duas sessões e totalizou um público de 1.649 pessoas.

Para a tristeza de Beranger, que ali trabalhou por 45 anos, o cinema foi perdendo aos poucos os frequentadores. Primeiro com a propagação dos aparelhos de televisão, depois com o início da construção da nova igreja Matriz e as atividades do Distrito se deslocando para o novo centro comercial que se formava na avenida 31 de Março.

O Cine Votorantim ainda resistiu a diminuição de público, mas em março de 1973 tinha suas atividades encerradas. Um lugar que envolveu gerações, fez o público se sentir parte de cada exibição, que ao longo de 63 anos mostrou tantas histórias de amor e suspense, mas que teve um desfecho nada agradável quando fechou as portas e decretou o seu próprio fim.

 

 

Cesar Silva é jornalista e autor de três livros sobre a história local / Visite a Fanpage: Histórias da Minha Cidade – Votorantim

Publicado na página 14 da edição nº331, do jornal Gazeta de Votorantim, de 24 a 30 de agosto de 2019.







Deixe seu Comentário

Newsletter
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.