28/10/2019 - 14:28
Votorantim dos bons tempos

Na década de 50, Votorantim, então vila industrial e distrito de Sorocaba, contava com mais de 12 mil habitantes, que em sua maioria morava nos bairros da Barra Funda e da Chave, os dois bairros históricos que deram origem ao povoamento do distrito. Nessa época, todo acontecimento, por mais simples e comum que fosse, como o nascimento de uma criança, a aposentadoria de um operário, casamentos, falecimentos, etc... eram, em poucas horas do conhecimento de todos e assunto nas rodinhas de pessoas, no armazém da fábrica, no Chico da Banca de jornais, no Bar do Arcuri, nas barbearias do Menegocci, do Raul Tozi, do Horácio, do Pradinho, do Miro, no cinema do Beranger, no pátio da estaçãozinha dos bondinhos. O assunto era comentado nos mínimos detalhes, como se todos tivessem presenciado o fato.

Como uma grande família, todos se conheciam, conviviam o dia-a-dia, participavam dos momentos de alegrias e tristezas, onde sempre prevalecia o espirito solidário e de sinceras amizades. E foi nesse clima de muita união e principalmente sob o embalo das músicas contagiantes da Orquestra de Gleen Miller, dos inesquecíveis boleros de Gregorios Barrios, Lucho Gatica, Bienvenido Granda, os sambas de Ataulfo Alves, Silvio Caldas, que os bailes do Atlético passaram a contar; surgiu uma nova orquestra: o Jazz Votorantim, formada integralmente por trabalhadores da fábrica de tecidos. O conjunto ficou logo conhecido em toda a região e presença obrigatória, aos sábados e domingos, bem como, nos dias festivos. As formaturas no salão ao lado do cinema contavam sempre com a presença dessa orquestra. Seus integrantes, excelentes músicos, com eficiência, dedicação e empenho, faziam de tudo para alegrar os finais de semana da nossa gente. Muitas vezes os bailes se prolongavam até a madrugada e os frequentadores retornavam aos seus lares, a pé, e em grupos, percorrendo as ruas silenciosas, cantando fazendo serenatas, extravasando toda a sua alegria e descontração. 

Somente aqueles que viveram essa saudosa época e que participaram disso tudo, podem avaliar a falta que isso nos faz nos dias de hoje. Os bailes de hoje, já não são como os de outrora, não existe segurança para andarmos à noite nas ruas; as serenatas emudeceram, dando lugar as sirenes de polícia e a lua prateada já não inspira mais os poetas e os namorados apaixonados, que até ignoram a sua existência. 

Por isso, quando nossa cidade está prestes a comemorar 56 anos de Emancipação, vamos recordar os bons tempos de outrora, destacando na foto a orquestra que marcou a vida dos votorantinenses e foi a alegria de uma cidade operária. 

Aparecem na foto, da esquerda para a direita: JOSÉ ORSI, ARMANDO SILVA (Pandeiro), TONINHO MESSIAS (Clarinete), TUNIM VETORAZZO WITERMAN LOUREIRO MELO (Góde) (Trombone), NELSON BORMAN – ORIDES MAINARDY (Acordeon), VICENTE VIEIRA (Viola), ANDRÉ REGINATO, ISMAEL ROQUE (Bateria), SINÉSIO SANTOS (Contra-baixo) E O GRANDE MÚSICO GUILHERME MAGANHATO (Violino). ABAIXADOS: JOSÉ GIANELI (Sax-alto), DOMÍCIO TERCIANI (Sax-alto), ITAGIBA (Piston), ZICO (Clarinete). Os croners eram o NATALINO e o PAIM NETO.  

“Antigamente, se morria mais cedo, depois de viver-se mais. Hoje, morre-se mais tarde, depois de viver-se menos”.


Coluna publicada na página 11, da edição nº340 da Gazeta de Votorantim, de 26 de Outubro a 1 de novembro de 2019







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