28/10/2019 - 14:39
Felizes os que moraram em vilas operárias

Na Vila Olímpia morava quem cuidava de uma usina de energia

A construção de moradias no entorno das fábricas e próximo das usinas de geração de energia foi uma prática adotada pelas empresas que ajudaram a formar o Grupo Votorantim. Em nossa cidade tivemos a Vila da Light, Vila dos Ingleses, Santa Helena, Vila Baltar, Fazenda São Francisco, Vila Olímpia, Votocel, Chave e Barra Funda.

Fixar a massa operária com seus familiares quase que vizinhos dessas empresas era a certeza que se voltariam aos interesses patronais, estariam à disposição quando chamados a atender emergências e caso necessário estendendo a jornada de trabalho.

Em meio aos apitos das fábricas que regulavam a entrada e saída de turnos, as famílias se sentiam mais seguras. Ali se formava uma comunidade com forte interação. Era uma cena comum ver as mulheres conversando junto a vizinhança enquanto observavam seus filhos curtindo o lazer nas ruas.

Os valores do aluguel e do consumo de água e energia elétrica eram simbólicos. Todos viviam nas mesmas condições, muitos em casas geminadas. Nas moradias não havia dispositivos de segurança como cadeados, as portas estavam sempre abertas ou encostadas.

Os moradores mantinham essa relação muito próxima, como se fossem uma grande família. Triste quando alguém era dispensado ou se aposentava da empresa, com isso era preciso devolver a casa e ficavam somente as lembranças dos muitos anos de convívio.

Os filhos ao completarem a idade para iniciação profissional já contavam com emprego praticamente garantido na mesma empresa onde o pai trabalhava. Por morar quase vizinho da fábrica, criava-se facilidade como durante o período de trabalho ir almoçar ou jantar na casa ou algum familiar levar a marmita até a portaria.

Os anos se passavam e a rotina era a mesma, quase nada mudava nas vilas operárias, as pessoas se acostumavam com o jeito pacato e a simplicidade existente, isso ajudava a aumentar a identificação com o bairro.

A realidade hoje é que as vilas operárias deixaram de existir, com as moradias sendo demolidas ou vendidas aos seus moradores. As casas que permanecem edificadas tiveram suas fachadas descaracterizadas.


Cesar Silva é jornalista 

e autor de três livros sobre 

a história local


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 Cidade –Votorantim


Coluna publicada na página 14, da edição nº340 da Gazeta de Votorantim, de 26 de Outubro a 1 de novembro de 2019







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