23/09/2014 - 12:53
Voto não é circo

A democracia tem na eleição o seu mais importante momento, pois é nessa hora que, de forma democrática, elegemos aqueles que irão nos representar no poder legislativo e executivo pelos próximos anos. Embora com algumas imperfeições, a democracia é o melhor sistema e devemos sempre respeitar a vontade das urnas.

Em dez dias todos os eleitores brasileiros, de forma obrigatória, terão o direito de escolher os seus candidatos.

Hoje, com um sistema de apuração totalmente informatizado e de fazer inveja a qualquer país do mundo com as urnas eletrônicas, evita-se o tipo de protesto em que poderíamos escrever o que quiséssemos nas cédulas.

Foi apenas em 1996 que as urnas eletrônicas apareceram .Nas eleições anteriores, os eleitores escreviam o nome de seus candidatos e o papel dos fiscais na apuração era fundamental pois poderia decidir alguns votos escritos com grafia duvidosa.

Embora a insatisfação e a decepção com a classe política seja bastante grande, no passado também já houve momentos de grandes manifestações populares, de repúdio e protesto. O que tem assustado muito nosso povo é que, embora com as acusações sendo feitas e provas apresentadas, a impunidade de hoje seja talvez o maior incentivo para a corrupção e a descrença de um futuro melhor.

No passado o voto de protesto – a famosa eleição do “Cacareco” e do “Tião” - elegeu animais em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os mais jovens não devem se lembrar ou conhecer, mas uma simples busca pela internet fará com que saibam o que foi o fenômeno na época do voto de protesto menos danoso, menos danoso pois foram considerados votos nulos.

O que não acontece quando através da urna eletrônica escolhemos um candidato para protestar .Sem citar nomes, os votos de protesto nas últimas eleições em que alguns candidatos foram eleitos por São Paulo com mais de 1 milhão de votos, em uma decisão de protesto puro, são danosos para a sociedade por pelo menos dois motivos: - primeiro, o voto de protesto elege um cidadão sem nenhum compromisso e com uma visão míope  da  sociedade e em nada acrescenta; - segundo e o mais danoso,  ao usarmos como mecanismo eleitoral o coeficiente eleitoral, esse voto de protesto elege por vezes outros 4 ou 5 candidatos com ainda menos compromissos e menos representatividade  e que por quatro anos representarão os interesses maiores de nossa sociedade.

Embora, como já disse que o momento em que vivemos pode desanimar o mais otimista dos brasileiros, são as eleições uma oportunidade ímpar para analisarmos todas as possibilidades. Conhecendo a capacidade de cada candidato e a proposta que cada um oferece, poderemos escolher de forma individual e racional quem melhor nos representará nos próximos anos.

A internet é a ferramenta mais poderosa de pesquisa para que tenhamos acesso a todas essas informações e que nos auxilia para decidir com responsabilidade a arma mais poderosa do cidadão em uma democracia.

O direito do voto de todos e todas foi conquistado depois de muita luta de alguns que nos precederam, e o protesto também é um direito daqueles cidadãos descrentes do futuro, mas se for protestar o melhor é votar nulo.

Não acredito que o voto em branco ou nulo (que são diferentes) seja a melhor forma de protestar, mas certamente é menos danosa que usar o voto para eleger um palhaço como se estivéssemos em um grande circo.

 

Flavio Amary








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