30/09/2014 - 13:45
Os condomínios e a escassez de água

Cuidar bem da água e usá-la com consciência é uma necessidade cada vez mais urgente, em virtude da escassez do recurso no Estado de São Paulo e em algumas outras regiões do país. Diferentemente da Capital e de outras cidades, Sorocaba não vive o drama da falta de água, apesar de alguns relatos de desabastecimento na zona industrial. Mas, em municípios próximos, como Itu, o racionamento já bateu à porta e impôs a paralisação das obras de grandes empreendimentos imobiliários por 120 dias ao longo deste ano.  Ou seja, a situação é crítica no Estado, com ameaça de esgotamento total em novembro do sistema Cantareira, que abastece não só a Capital, mas várias regiões paulistas.

Por isso, síndicos, funcionários e moradores em geral devem fazer a sua parte, usando com sabedoria esse bem tão precioso. Entre as medidas que podem ser tomadas para o uso racional de água nos condomínios estão a instalação de hidrômetros individualizados, o reúso da água da chuva e a realização de campanhas de conscientização, que devem impactam positivamente no perfil do consumo e, de quebra, ajudam na diminuição da conta.

Além disto, hábitos simples no dia a dia podem provocar uma imensa economia no consumo. Por exemplo, o conserto de uma torneira pingando evita o desperdício de 46 litros de água diariamente. Ao não usar o vaso como lixeira, deixa-se de gastar em média 20 litros. Manter a torneira fechada enquanto escova-se os dentes traz uma economia de 11 a 79 litros de água.

Hoje em dia, o que não falta é tecnologia e outros aparatos para ajudar a controlar o consumo de água no condomínio. O uso desses artifícios, porém, deve estar intimamente ligado ao uso racional, como não tomar banhos muito demorados, só utilizar a máquina de lavar roupas em sua capacidade total, entre outras.

Em relação aos edifícios, algumas medidas são extremamente importantes como a inspeção de rotina em válvulas e torneiras contra vazamentos; a instalação de  redutores de vazão que, instalados em chuveiros e torneiras, geram uma boa economia de água; troca de vasos sanitários já que as bacias e válvulas mais antigas despejam entre 12 a 24 litros de água contra os 6 litros de sistemas mais modernos como as caixas acopladas; o reaproveitamento da água da chuva, que poderia ser usada para limpeza de áreas comuns e rega dos jardins; entre outras medidas.

Uma solução simples e barata é o uso de arejadores nas torneiras, uma tela que o próprio morador pode comprar em lojas de material de construção e instalar facilmente. O item funciona misturando ar na água, produzindo um efeito de jato forte, porém, com menor consumo de água. Uma boa saída é acompanhar o consumo mensal, afixando nos quadros de avisos algumas informações importantes como a quantidade de metros cúbicos de água gastos no mês.

A conta de água pode representar, em média, de 10% a 15% das despesas ordinárias dos condomínios. É um valor expressivo e, portanto, deve estar sempre na pauta do síndico. Pois, nada disso terá valia, se não houver a conscientização da população condominial sobre a necessidade de economizar o recurso. Nós não podemos controlar o regime de chuvas. Porém, com investimentos, boa gestão e colaboração de todos, é possível enfrentar com mais tranquilidade esse período de extrema preocupação em todo o Estado de São Paulo.

 

Flávio Amary, vice-presidente do Interior do Secovi-SP e diretor da Regional Sorocaba da entidade.







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