09/02/2015 - 14:13
Epidemia?


Após um ano com poucas chuvas, os temporais dos últimos dias trouxeram esperanças para o abastecimento de água, mas também alerta com o aumento de casos suspeitos de dengue. A preocupação extremada em armazenar água e a falta de controle no combate aos focos do mosquito – águas paradas em ralos, pneus, vasos, garrafas etc. – contribuíram para a eclosão de um maior número de casos de dengue no município e em toda a região. É preciso que o poder público municipal aja rapidamente, mobilizando toda a comunidade, para que não soframos mais essa temeridade.
Desde o início do período de colonização do território brasileiro, um dos maiores perigos para os europeus que aqui chegavam era a ameaça de doenças desconhecidas. As matas virgens abrigavam uma infinidade de insetos que transmitiam diversas doenças, fazendo com que os colonizadores acreditassem no sobrenatural para explicar por que famílias morriam, enquanto os nativos sequer eram ameaçados. As pesquisas realizadas no início do século passado e as campanhas de vacinação que foram encampadas pelos governos brasileiros ao longo de todos esses anos, praticamente extirparam qualquer ameaça de uma epidemia em larga escala em nosso País.
O desenvolvimento urbano e o consequente aumento de produção de lixo fizeram com que residências, empresas e terrenos baldios constituíssem em ambientes perfeitos para o desenvolvimento das larvas do mosquito Aedes aegypti. Os casos suspeitos já registrados no município estão relacionados a vítimas que moram ou trabalham em bairros em que foram identificados criadouros do mosquito. O Parque Bela Vista, localizado próximo ao centro da cidade, é o que concentra o maior número de casos registrados.
Os casos suspeitos de dengue crescem em toda a região, ensejando uma ação que extrapola os limítrofes municipais. Da mesma forma que Votorantim, em Sorocaba também há um grande número de pessoas foram internadas com a suspeita da doença. Há a necessidade de que haja uma política conjunta dos vários municípios da região, incluindo Votorantim, para que elaborem um plano geral de contenção da doença, focalizando as ações na informação à população e fiscalização de lugares suspeitos ao desenvolvimento das larvas.
Em Votorantim, a administração municipal já reúne vários setores para que possam juntos combater o avanço das contaminações. Entre as iniciativas mais imediatas está a identificação dos criadouros da larva, segundo a localização da moradia dos contaminados. Também a contratação de agentes de saúde (ampliando de 15 para 21), faz parte dessas ações mais emergente, visando a realização de operações de bloqueio da doença, com orientações aos moradores de regiões onde há casos confirmados. Todavia é preciso mais!
Não podemos mais ficar à mercê somente de campanhas contra a dengue em períodos em que os contágios aumentam. Há a necessidade de se estabelecer uma ação contínua, que envolva escolas, veículos de imprensa e todos os setores representativos da comunidade votorantinense no sentido de proporcionar informação educativa: aquela que faz com que as pessoas mudem seus hábitos e atentem para a prevenção da doença. Também se torna fundamental que o Poder Público proporcione maior fiscalização sobre terrenos baldios e também colabore para a remoção de entulhos de áreas públicas. Uma ação conjunta não só legitima a responsabilidade de todos para com o problema da saúde pública, como também exigirá a tomada de decisões do poder público municipal na elaboração de uma política clara de saúde.
A dengue é uma questão de saúde pública, mas uma responsabilidade de
todos!

 

publicado na edição n° 104 de 07 a 13 de fevereiro de 2015 do Jornal Gazeta de Votorantim, na página 2







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