09/02/2015 - 15:30
Premência de uma reforma politica


Em seu discurso, assim que venceu as últimas eleições, a reeleita Presidente afirmou a necessidade de uma mudança nas regras eleitorais, o recém eleito presidente da Câmara dos Deputados também tem defendido a discussão da forma como elegemos nossos representantes, a sociedade civil através de diversas entidades de classe, assim como a imprensa, defendem a discussão e uma reforma política em nosso país. Enfim, todos queremos uma mudança. O que está faltando?

Assim como cada cidadão, que conhece a legislação e o processo eleitoral, tem a sua opinião e defende a forma ideal, também tenho a minha, que já externei neste espaço.

Eleições a cada dois anos estão paralisando nosso país e nos anos pares dividem espaço com a Copa do Mundo e com as Olimpíadas, deixando pouco tempo para o debate eleitoral, por isso precisamos unificar as datas dos mandatos e fazer com que as eleições sejam realizadas em ano ímpar, onde não temos o calendário esportivo para disputar espaço e certamente mais tempo para os eleitos governarem e a sociedade produzir.

O conceito do voto distrital é muito importante para que cada região de nossas cidades, estados e país possam se sentir representados e possam cobrar os seus eleitos, e misto, para que tenhamos também pessoas que tenham a responsabilidade de pensar no todo.

O processo judiciário nas eleições também precisa ser revisto, estamos cada vez mais judicializando nossas vidas e com 100 milhões de processos em nosso país, em breve poderemos ter também um apagão judicial. Precisamos de leis mais claras, e com menos alterações, para que os advogados participem, sim, do processo  eleitoral, mas que não sejam protagonistas.

A principal questão a ser debatida é a financeira, tenho absoluta segurança de que uma parcela significativa da corrupção e dos desvios bilionários que estamos acompanhando pela imprensa têm relação direta com o formato do nosso processo eleitoral. E não adianta proibir doações de pessoas jurídicas, ou até mesmo limitar o financiamento ao dinheiro público. O que precisamos é mudar o foco e pensar nas despesas, precisamos de eleições limpas e, principalmente, avaliar como estamos usando os programas de televisão e rádio durante o período eleitoral.

Cada vez mais o marketing político ganha espaço, com objetivo de criar um personagem e assim conhecemos cada vez menos nossos candidatos. É necessário, sim, disponibilizar espaços na mídia para que os candidatos possam se expor, mas com menos recursos televisivos .Acredito que mudar o formato ou até mesmo acabar com o programa eleitoral gratuito seja uma opção e aumentarmos os programas ao vivo para que cada candidato possa se apresentar sem os discursos prontos para serem lidos nos “teleprompter” (recursos cada vez mais utilizados, onde o discurso pode ser lido e ser feito sem improviso, utilizado diariamente nos telejornais).

Hoje, cada partido, além do fundo partidário recebido, tem seu tempo de televisão nos programas eleitorais gratuitos nas eleições, definidos de acordo com sua bancada na Câmara Federal, criando uma disputa no período eleitoral na busca do maior número de partidos coligados ,com o fim de obter mais tempo de televisão. Se acabarmos com esse critério e revermos a forma de repasse dos fundos partidários, desincentivaríamos a criação e manutenção de um número cada vez maior de partidos em nosso país.

A grande dificuldade no processo de discussão é que aqueles que farão  parte do debate são diretamente envolvidos no resultado. Vejo como alternativa  postergar a vigência dessas alterações para daqui 10 a 20 anos (demora, mas chega), ou uma participação maior nas discussões, das entidades de classe e da imprensa, para que seja definido este ano, e já passe a valer no próximo pleito.







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