18/02/2015 - 13:21
Consciência do lixo


A quantidade de lixo produzida pela humanidade cresce desproporcionalmente à consciência da população na busca de alternativas para melhoria do meio ambiente. A cultura do consumismo descartável ao lado das produções industriais é responsável pela situação de poluição que o mundo vive atualmente. A esperança reside no despertar da cultura da reciclagem, como principal medida para que não nos afundemos em nossos próprios dejetos.
O desenvolvimento econômico do mundo ocidental proporcionado pela globalização e o avanço tecnológico trouxe facilidades para a vida cotidiana das pessoas. A mudança do referencial de consumo, substituindo o produto duradouro pelo descartável, é uma exigência do mercado, que necessita produzir cada vez mais, para que possa empregar mais pessoas, que possam consumir ainda mais. Geladeiras, fogões, ferros de passar roupas, móveis e os mais variados produtos que até há pouco tempo possuíam uma vida útil de 10, 20, 30 anos, hoje dão lugar a outros de mesma espécie que seque conseguem sobreviver mais que 4 ou 5 anos. A alimentação da população também mudou, seja no aumento vertiginoso de refeições realizadas fora de casa, como também no consumo de produtos industrializados. Se considerarmos os cálculos de ONGs ambientais, a quantidade de embalagens descartadas e resíduos produzidos por pessoa pode atingir de 1 a 1,5 kg por dia. O planeta não possui mais condições de empurrar para baixo do tapete tamanha sujeira.
O despertar da consciência ambiental para questão do lixo ganha mais adeptos quando engendrada nessa lógica capitalista que vivemos. O marketing do “politicamente correto” passou a pautar campanhas publicitárias de empresas, abrindo espaço para a criação de um nicho econômico de transformação de lixo em riqueza.  A alternativa da reciclagem, tão defendida por ambientalistas, hoje é uma realidade, recebendo investimentos públicos na criação de cooperativas, como também muito dinheiro privado, seja em investimentos das próprias empresas poluidoras, como também daqueles que desejam prosperar nesse negócio. Latinhas de alumínio, papelão, ferragens, cobre, embalagens plásticas, tudo é reciclado, transformando-se nos mais diversos produtos.
A responsabilidade sobre a questão do lixo é de todos, porém cabe ao Poder Público a iniciativa de enfrentar esse problema. Ações como a coleta seletiva são fundamentais para minimizar os efeitos do acúmulo de lixo produzido à sociedade, todavia é preciso que os governos direcionem suas atenções para outras demandas.  A elaboração de uma política pública envolve ações de educação preventiva, elaboração de leis que sejam suscetíveis de fiscalização e punição, além de investimentos que priorizem produtos com menos embalagens, cujos lixos produzidos sejam recicláveis ou fácil absorção pela natureza.
A preocupação com o lixo deve ir além de depositá-lo à porta da residência para a coleta, exige uma atitude cidadã de consciência social e preocupação com o coletivo. Ao olharmos somente para o próprio umbigo esquecemos que o mundo é um grande ser vivo, no qual estamos todos interligados, cujas consequências individuais certamente afetarão a todos.
Pensemos todos no lixo, para que não façamos porcaria.

 

publicado na edição n° 105 de 14 a 20 de fevereiro de 2015 do Jornal Gazeta de Votorantim, na página 2







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