02/04/2015 - 12:58
PÁSCOA, A INTERVENÇÃO DIVINA NA HISTÓRIA HUMANA


Manoel Peres Sobrinho

Porque o Senhor passará para ferir os egípcios; quando vir, porém, o sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras, passará o Senhor aquela porta e não permitirá ao Destruidor que entre em vossas casas para vos ferir – Êxodo 12:23.

Nos tempos do Israel antigo, lá pelos anos 1.400 antes de Cristo, mais ou menos, os governos eram chamados, quanto à sua ideologia política governamental, de teocráticos, isto é, uma espécie de governo que tem como fundamento a pessoa de um deus, de um culto religioso ou de crenças em mistérios espiritualistas. Israel tinha o seu D’us, os egípcios também tinham os seus. Todo enfrentamento militar de duas potências antigas, começava com as hostilidades dos seus deuses, e no final dos embates, aquela que vencesse, sobrepunha a idéia do seu deus e seu culto à nação derrotada. Isso fazia com que religião, economia, cultura e política se confundissem num amálgama perfeito, dando, assim, o colorido social dos povos e seu status quo. Era impossível viver à margem desse tipo de sociedade. Já havia quatrocentos e trinta anos que os filhos de Israel habitavam no Egito (Êxodo 12:40) e os tempos da ação poderosa do seu D’us havia chegado. O lamento de Israel havia movido o coração de Jeová. Havia chegado o tempo da libertação.

Ao lermos as descrições da Páscoa e suas resultantes, somos levados a pensar que a saída de Israel do Egito, foi ocasionada por algumas das ações mais espetaculares que o mundo já viu em termos de fé.

A LIBERTAÇÃO DA ESCRAVIDÃO

A base de toda sociedade antiga era a escravidão. Somente os escravos faziam os serviços braçais, restando aos nobres a manutenção da burocracia e a administração de seus bens. A saída do povo de Israel do Egito, trouxe um caos total em sua economia, na mão de obra, e na manutenção dos serviços essenciais. Com isso, certamente, houve um colapso social, restando a muitos nobres fazer o trabalho do escravo ou perecer. Estima-se que foram cerca de 4 milhões de judeus que saíram do Egito, e de uma hora pra outra, deixaram um enorme vazio na sociedade egípcia. Deus ordenou a Moisés “Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito.” – Êxodo 3:10. Por que Deus havia de fazer isso?  Ele mesmo responde: “Pois o clamor dos filhos de Israel chegou até mim, e também vejo a opressão com que os egípcios os estão oprimindo.” – Êxodo 3:9.

JUIZO DIVINO AOS EGIPCIOS

As dez pragas que antecederam à saída dos filhos de Israel (Êxodo 7-12), na verdade, não eram somente uma demonstração de maravilha e força de Deus, mas o aniquilamento sumário dos deuses egípcios. Deus escolheu exatamente as representações simbólicas mais caras da religiosidade egípcia para demonstrar que somente Ele é Deus, e somente Ele pode todas as coisas. Um estudo mais apurado deverá ilustrar melhor esse fato. Se tudo isso não bastasse, o Senhor resolveu tocar na vida do Faraó que naquele tempo representava toda a existência em seu país. A morte do seu primogênito, provocada por uma ação direta de Deus, culminava com a total impossibilidade de êxito contra os israelitas. Também o Senhor destruiu todos os carros e cavalarianos que seguiram Israel, vindo a perecer no mesmo mar que o povo de Deus havia passado a pé enxuto. Ninguém há maior do que o Deus dos israelitas.

CONDENAÇÃO E AMPARO NO DESERTO

A extensão da história da Páscoa pode ser vista nos atos que transcorreram após a saída do povo de Israel do Egito. Por sua desobediência, aqueles que saíram do Egito foram condenados a morrer no deserto, servindo-se das areias quentes daquela solidão como o seu túmulo. Mesmo aos santos, o Senhor jamais aprova um ato de rebeldia. Ninguém está isento de ser punido neste quesito.

Mas, como o coração de Deus é infinitamente generoso, a sua bondade ainda se estende àqueles que cometem pecado diante dele. Se não podiam entrar na terra prometida, pelo menos conduziriam aqueles que o fariam por não haverem pecado: as suas próximas gerações. Por isso, como um ato de bondade, mesmo no desesperador deserto “o Senhor ia adiante deles, durante o dia, numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho; durante a noite, numa coluna de fogo, para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite. Nunca se apartou do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite.” – Êxodo 14:21-22. O próprio Moisés se viu em apuros com o julgamento de Deus, por não haver crido no milagre da água na rocha, e com isso, perdeu a benção de entrar na terra prometida. Com Deus não se brinca. Ele é amor, mas também justiça.

PROMESSAS DE SALVAÇÃO

J. J. Von Allmen relembra bem o significado da Páscoa para os cristãos, que não mais vêem uma salvação meramente temporal, física, militar e política, mas uma salvação eterna. Assim diz ele ao falar do sangue que deveria ser aspergido nos umbrais da porta: “O sangue nos umbrais da porta é o sinal que preservou do Destruidor as casas dos israelitas no Egito, Destruidor que ‘passa além’ (em Hebraico: passach, etimologia popular do nome da festa.” – In Vocabulário Bíblico, p. 146.

Nesse sentido a Páscoa permaneceu como um grande farol da redenção histórica de Deus, iluminando a um povo cativo de inimigos poderosos, mas insuficientes em relação ao poder de Deus. Este fato foi como uma luz que iluminou todo o passado, reportando-nos a Jesus, Luz do Mundo, quando tomou para si o pesado papel de Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Mateus 26:20-30).

(*O Autor é Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie).

 

 







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