24/08/2015 - 11:26
O poder do humor


O humor é uma arma importante para o avanço democrático de uma sociedade, seja qual for o seu tamanho. Quando se trata de política, o humor pode ajudar muito, e, em uma sociedade como a de Votorantim, isto não é diferente. A maior dificuldade é que os personagens políticos estão muito próximos de cada um de nós. As mídias locais e regionais, muitas vezes optam por não utilizar esse instrumento crítico justamente por essa proximidade com os personagens que compõem a esfera política, já que são eles que determinam e que decidem sobre nossas vidas e, não raro mal nos perguntam se é isto que queremos. Além de temer os políticos, a imprensa interiorana “se pela” de medo de satirizar outras autoridades, tais como delegados, juízes, promotores, ou seja, quem detenha alguma instância de poder.

O humor, a sátira, a caricatura ou mesmo a charge é um instrumento que ajuda a expor certas características, ainda que de forma discreta, levando a mensagem ao público de uma maneira mais leve e divertida. Colocar os poderosos em uma situação de humor, e está aí a explicação do enorme sucesso das colunas de humor, é uma forma de lavar a alma. É assim que se sente um leitor ou mesmo telespectador: de alma lavada. Tanto é que os políticos “morrem” de medo de ver quaisquer ações suas transformadas em charge e caricatura.

Recentemente a redação de uma revista francesa foi invadida por extremistas religiosos, e seus editores e desenhistas pagaram com a própria vida por ter desgostado estes líderes. Por aqui, as armas para pôr fim à expressão através do humor são outras, mas o intuito é o mesmo, ou seja, eliminar não a vida, mas a possibilidade de conscientizar através da sátira.

Quem ri, adora. Quem é motivo do riso, odeia. Homens públicos com capacidade de discernimento aprenderam a lidar com esta modalidade de expressão, e além de não se importarem, divertem-se. Chico Caruso, um dos mais importantes caricaturistas brasileiros, diz que a crítica através do humor lhe trouxe mais amigos do que inimigos. O trabalho de Caruso é tão relevante que o Jornal da Globo abriu um espaço diário para as charges e caricaturas, e por ali passam de deputados a Joaquim Barbosa e à presidenta Dilma, nas situações mais embaraçosas possíveis. Mas qual é a diferença entre os políticos de lá de cima e os daqui de baixo? Como já mencionado, a resposta é a distância que cada um deles está de cada um de nós.

Não se pode generalizar. Os políticos que se comportam como donos de uma bola de futebol, onde só joga quem eles permitem, são muitos menos do que aqueles que entendem e não ignoram (pois quem ignora é ignorante). Na Câmara de Votorantim, ou mesmo na Prefeitura, há gestores públicos que entendem perfeitamente e convivem de forma tranquila com o humor, tanto com o que exalta coisas negativas, quanto com o humor que exalta coisas positivas, ou seja, não são políticos que estão apenas em busca de vantagens. Erinaldo Alves, Joãozinho do PT, Pastor Tonhão, Robson da Farmácia, Bruno Martins, Fabíola Alves, Pedro Nunes, Marcão Papeleiro, Lê Baeza, Fernando Oliveira e por aí vai, são políticos que sempre que percebem que algo passou do seu limite, buscam um diálogo, ou mesmo uma retratação, e sempre foram atendidos, ainda que sejam pressionados por aqueles que, na verdade, estão mais preocupados em prejudicá-los enquanto se dizem preocupados com o prejuízo de imagem que a Gazeta de Votorantim possa causar a eles.

Justiça seja feita, existem abusos sim: programas como CQC, Pânico na TV, entre outros, muitas vezes saem do campo do humor e passam para o campo da humilhação, da destruição de políticos, o que não tem graça nenhuma. Porém, transformar um vereador em cantor sertanejo em plena Festa Junina, e este vereador se deixar levar por inimigos seus (pois só podem ser inimigos) é demonstrar que todos estes anos como vereador não serviram para nada, pois ignora-se o bom senso e não se percebe que está sendo usado.                                            

Se um político não aguenta conviver com o peso de uma piada, preferindo a força da lei para coibi-la, como podemos supor que ele poderá algum dia conviver com a verdade?

É mais frequente do que se possa imaginar. Alguém que foi entrevistado pela Gazeta de Votorantim, seja político, empresário, sindicalista, solicitar para ler a reportagem (matéria) antes desta vir a ser publicada. Obviamente, com muita paciência e cautela, os editores ensinam que não é assim que se dá a relação entre entrevistador e entrevistado, o que mostra o pensamento arcaico e ultrapassado de alguns em Votorantim.

Mas não sem razão, políticos odeiam o humor. Porque uma piada bem-feita pode pesar mais do que uma decisão judicial.

Com a chegada da Gazeta de Votorantim, foi possível perceber uma preocupação de que estava passando da hora da cidade se desligar de Sorocaba. Também no que diz respeito à informação, a Gazeta vem buscando mostrar que deixamos de ser aquela cidade anêmica, sem vida e sem propósito, que fomos por muitos anos, ou seja, descobrimos que existe vida além de Sorocaba.

Voltando nos mais incomodados, os políticos  daqui debaixo, são seres acomodados, que reinaram por muitos anos longe dos holofotes, e barbarizaram sempre da forma que bem queriam: cabides de emprego em troca de apoio político, vereadores que com a força de seu poder seduziam  funcionárias na mesa de seus gabinetes, viagens sem a menor necessidade às custas da população, ajuda financeira dos cofres públicos  para suas vestes, isto sem falar da vida pessoal, na qual falcatruas das mais diversas aconteciam, de grilagem de terra a estelionato, mas isto é passado e a Gazeta de Votorantim não existia para tratar destes assuntos em sua coluna de humor. Hoje se pensa um pouquinho mais, pois seja através do humor ou de seu jornalismo, a Gazeta de Votorantim não perdoaria, mesmo correndo o risco de ter que responder aos insatisfeitos na justiça.

O Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, com representação em Sorocaba, diz que 80% dos casos em que precisa colocar seu jurídico a serviço de um associado são em função de políticos que gostariam de ser tratados como ouro, e não como latão, e esquecem que para ser ouro precisam brilhar, e com isto ter valor.

Aos pretensos cidadãos  que almejam se tornar homens públicos, pensem bem: vocês vão se transformar personagens, e se não tiverem grandeza, sabedoria  para isto,  continuem em suas profissões, se tiverem profissão, pois  ser político não é  profissão, é dom: dom de conviver com as diferenças, conviver com as divergências de ideias e, sobretudo, ter a grandeza de conviver com elogios e críticas, pois a Gazeta de Votorantim jamais vai deixar de seguir os seus propósitos iniciais: de fazer um jornal do tamanho de Votorantim e dos votorantinenses, mesmo que tenhamos políticos do tamanho de suas próprias consciências, ou seja, pequenos.







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