28/09/2015 - 17:17
Anglicanismo e Missão


“Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos” (Mt 28, 19). Este mandato de Jesus tornou-se o grande impulso do discipulado de todos os cristãos espalhados pelo mundo e das várias Igrejas que a partir desta realidade surgiram com suas liturgias e aspectos próprios na realização do anúncio do Evangelho .

O Anglicanismo no testemunho apostólico se torna uma coluna que também oferece a sua contribuição da fé católica, quando as Ilhas Britânicas no final do primeiro século receberam o anúncio da Boa Nova entre as tribos Celtas e isso se solidificou com o apoio do Concílio de Arles em 314 d. C. e em 596 d. C. sob o Papa Gregório Magno e sua bênção oferecida ao grande missionário Santo Agostinho em Cantuária. Mas urge recordar que tal espírito de missão não ficou aprisionado no contexto romano, mas se desdobrou sob várias formas litúrgicas e realidades autônomas que foram se contextualizando na realidade britânica. Tal estilo de vivência da fé mostrava já o forte desejo em não deixar a fé católica, mas restaurá-la em sua expressão de liberdade e sinodalidade.  Isso só foi possível sob o espírito da Reforma Protestante em 1517 e a contextualização do Anglicanismo poucos anos depois (1534) em suas várias vertentes e províncias eclesiásticas.

“A Igreja em sua essência é missionária” (Ad Gentes 2) – tal aspecto deste Concílio Romano reflete uma grande reviravolta sobre a natureza da própria Igreja mas isso não atingiu o seu âmago e por isso se estagnou em seus protecionismos dogmáticos e na posse do ser ou termo católico que ficou aprisionado em muitas esferas romanas.

O Anglicanismo em seus ardores missionários mostrou a tensão da preservação da tradição, mas procurando libertá-la de muitas amarras sob o espírito e grito da Reforma.

A missão no anglicanismo refletiu e reflete uma visão ampla do ser católico, promovendo o respiro aos fiéis e a todo clero numa sinergia movida pelo Espírito e não sob uma papolatria que aflora constantemente entre os mais radicais e doutores da lei.

A própria missão nos convida a unidade, pois ela em si é livre e não fomenta os jugos entre os cristãos, mas a liberdade e a paz. Temos a coragem em repensar tudo isso ou continuaremos a fazer encontros ecumênicos para satisfazer a Cúria Romana e outras realidades, não permitindo assim passos concretos que a própria missão nos impõe?

“A Igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstâncias latino‐americanas e mundiais” (DAp 11).

Aprendamos de Maria a graça de escutar e servir o Evangelho de seu Filho, tendo consciência de que esta expressão anglicana não se torna egoísta, mas reflete mesmo parcialmente a graça e a alegria do “Ide” de Jesus a todos nós batizados.

 

Coluna publicada na página 10 da edição 137 da Gazeta de Votorantim de 26 de setembro a 2 de outubro de 2015







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