05/10/2015 - 11:02
A urna eletrônica e a mulher de César


Algumas pessoas podem achar estranha a relação que faço acima, perguntando: o que uma coisa tem a haver com a outra? Eu diria que tem tudo a haver, pois, para a urna eletrônica ou para a mulher de César não bastam ser honestas, tem que parecer honestas.

Quando votávamos, por meio das cédulas, registrávamos o voto de forma escrita e as depositávamos nas antigas urnas de lona. Após a votação, as mesmas eram lacradas e levadas às zonas eleitorais para a contabilização dos votos. Se houvessem dúvidas, nova contagem era feita.
Com as urnas eletrônicas, o processo se acelerou, pois um “software” processa nossa escolha e ao final produz um “extrato” com a totalização dos votos lá digitados.

Confesso que nunca fiquei a vontade com esta “modernidade e rapidez”: Se antes a minha escolha ficava registrada na cédula, de forma clara e indubitável, agora, eu devo acreditar que o “software” da urna executa esta ação “sem errar”, ou seja, quem é mostrado no visor é de fato quem irá receber o meu voto. E se houver duvidas, temos à mão somente um singelo extrato da votação.

Como o sistema sempre foi fiscalizado pelos tribunais eleitorais, entendia-se pelas explicações das autoridades e “experts”, que o processo é isento de falhas.

Mas, se voltarmos ao provérbio romano: A mulher de César é honesta, mas....será que ela parece honesta? Há margens para dúvidas!

Após o escândalo da Volkswagem, amplamente divulgado, onde um software “oculto” instalado nos carros mascarava as emissões de CO2 deixando os motores irregulares dentro dos critérios de aceitação das normas, confesso que aquela pulga que eu tinha atrás da orelha, virou um pastor alemão!

Entendi por que a maioria dos países do mundo não utiliza o nosso sistema de votação, pois, não basta a sua eficiência de totalizar votos, existe uma vulnerabilidade no processo. E não estou aqui a lançar duvidas a idoneidade de ninguém, mas sejamos honestos, o risco existe!

Países desenvolvidos e não desenvolvidos utilizam-se das antigas cédulas de papel e urnas. Por que será?

Não vou me ater a achismos ou teorias de conspirações, pois tais deduções estão muito além do meu mundinho de trabalhador da iniciativa privada e pagador de impostos.

Infelizmente, na sanção da minirreforma eleitoral, o voto impresso, proposto e aprovado pelo Congresso Nacional foi vetado pela Presidente da República, sob a justificativa de trazer ônus financeiro ao TSE.

Porém, em um país tão ultrajado por escândalos, corrupção e injustiças, onde a população paga os maiores impostos do mundo, torço para que este Congresso Nacional derrube este veto e mantenha a garantia de maior lisura ao processo eleitoral.

Enfim, o que todos os Brasileiros querem é a conjugação completa do provérbio: “Não basta a mulher de César SER honesta, TEM que parecer honesta!” (Noticia: Dilma sanciona reforma politica com vetos a doações de empresas e voto impresso. – O Globo de 29/09/2015)

 

Artigo publicado na página 6 da edição 138 da Gazeta de Votorantim de 3 a 9 de outubro de 2015







Deixe seu Comentário

Newsletter
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.