30/11/2015 - 13:18
Visitando a escola que marcou os primeiros estudos
 Foto: Divulgação 

Construção da EEPG Barra Funda em 1984, hoje Comendador Pereira Inácio

Experimente deixar as ocupações do dia a dia e resgatar um momento de sua história de vida ao visitar aquela que foi a primeira escola e que se viu interagindo com professores e colegas de classe. Ao visitar as instalações não tem como não relembrar do convívio e ter de volta na memória a ajuda na formação que marcou um dos mais importantes ciclos da vida.

Sabemos que a maioria não tem a oportunidade ou não fizeram a escolha de retornar em visita à unidade escolar, muitos até conseguem quando os filhos frequentam os mesmos prédios ou quando das ocasiões especiais, como o dia das eleições.

A professora Lúcia Xavier de Miranda Brito está há mais de 20 anos trabalhando na escola estadual Comendador Pereira Inácio, é a diretora escolar e só de magistério são 29 anos de dedicação. Ela sempre experimenta ver ex-alunos retornando ao prédio e partilhando as sensações.

“O tempo pode passar, mas quando chegam à escola, percebemos que os olhos brilham, se veem ainda crianças interagindo por todos os espaços, relatam acontecimentos e lembram os nomes dos professores, sempre querendo saber onde estão aqueles que perderam o contato. É a escola exercendo e tendo força no ser humano” destaca Lúcia.

No meio da conversa entusiasmada do ex-aluno sempre vem à mente que no passado algum diretor ou professor tinha o hábito de gritar para controlar o ambiente. Os berros eram temidos e ouvidos por todos os cantos. Essas figuras marcantes, às vezes assustando com o tom de voz elevada, de estilo enérgico, são lembradas em meio a sorrisos pelos ex-alunos. Nos tempos atuais, aqueles que exercem as mesmas funções, não tem o hábito de gritar, apenas mostram cara feia!

“Teve uma vez que recebi a visita de um ex-aluno, que veio com a família para votar nas eleições. Ele foi enfático ao dizer que a escola parecia estar pequena e perguntando o que estava ocorrendo com o prédio, já que antes era tão grande. Aí chegamos a conclusão e dissemos que antes ele era pequeno, agora cresceu. Para as crianças, olhando todos aqueles corredores, a escola se transforma num prédio grande, como se fosse um shopping” comenta a educadora.

Não podemos ignorar que de alguma maneira a escola está ficando grande fisicamente, a clientela que são os alunos, está diminuindo, as famílias estão tendo menos filhos e vários prédios escolares da cidade começam parcialmente a serem destinados a outros serviços educacionais do Estado ou atrelados diretamente à Diretoria Regional de Ensino.

“Os meus pais tiveram 11 filhos e sou a caçula. Eu só tenho um filho! Esse é um exemplo para mostrar que as famílias estão ficando menores. Então a escola também vai ficar menor em número de alunos matriculados. Antes aqui na escola Comendador tínhamos 17 salas de aula formadas nos três períodos do dia, agora são somente 14 turmas em funcionamento em cada período” reforça a educadora Lúcia.

O prédio atual da Escola Comendador Pereira Inácio foi inaugurado em 29 de março de 1985, com área doada pela Sociedade Anônima Indústrias Votorantim. Demorou três anos para ser construído e teve a finalidade de atender aos alunos que estudavam no prédio anterior, na rua Laila Gallep Sacker, que funcionava desde sua oficialização em 1920 e que foi desalojado com a enchente de 6 de fevereiro der 1982.

Entre as vítimas da enchente estava a servente Sueli da Silva Paula, que mesmo de folga, era um sábado, percebendo o avanço das águas do córrego Cubatão, foi até a escolas e quis elevar os utensílios numa altura que não fossem atingidos, mas o nível das águas se elevou rapidamente e segundo testemunhas, para se proteger ela subiu no muro da escola, mas a correnteza conseguiu derrubar a parte do muro onde estava apoiada e foi levada pela enxurrada.

“Estamos numa época onde muitos estão preocupados em registrar ou bater o ponto, cumprir o horário do trabalho e ir embora. Por mais que prestemos homenagens a ela, é muito pouco pelo que representou como servidora pública comprometida com o trabalho. Mesmo não estando no horário funcional, se sentiu responsável e cuidadosa” finaliza a diretora Lúcia.

    Lúcia Xavier de Miranda Brito


Primeiro prédio escolar em 1947, na rua Laila Gallep Sacker


Ao fundo inspetor Otávio e auxiliar Antonio Marciano, à frente vice-diretora Ondina Seabra, auxiliar Zimar de Campos Alarcon e diretor José Peirete

(Cesar Silva é jornalista formado pela Uniso, gestor público pós-graduado pela Univ. Fed. do Estado do RJ (Unirio), membro da Academia Votorantinense de Letras, Artes e História e autor dos livros Nossa História Nossa Gente - volumes I e II)

 

Coluna publicada na página 17 da edição 146 da Gazeta de Votorantim de 28 de novembro a 04 de dezembro de 2015







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