21/12/2015 - 08:54
Um 2016 com menos escorpiões


2015 se vai e não vai deixar saudades. Nunca antes na história deste país se viu tanta maracutaia sendo exposta diariamente a cada um de nós, que trabalhamos, vivemos e pagamos sagradamente nossos impostos. Nunca se viu tanta gente suja se utilizando do poder para praticar suas sujeiras. Nunca se viu o trabalhador e trabalhadora pagando uma conta tão alta e que não é sua.

O que vivemos em 2015 não vai deixar lembranças das melhores, no que diz respeito à gestão pública. O que nos salva e nos fortalece é que cada um de nós, além de fazer parte da polis (polis significa cidade-estado), somos pessoas que possuímos nossos núcleos familiares, e aí sim, com toda as dificuldades que 2015 nos trouxe, permanecemos juntos, unidos e até rindo de certas situações.

Comparar a política de Votorantim com o que aconteceu em 2015, seja com a operação lava-jato ou com o descaso das autoridades com a tragédia de Mariana, MG, seria um exagero, sem dúvida nenhuma. Mas uma coisa é certa, nossa Votorantim está longe de ser o exemplo ideal de política e de políticos comprometidos com o povo e com a polis, e neste quesito, algumas questões da política local de 2015 também se vai tarde.

As dificuldades foram imensas, seja no ponto de vista econômico ou mesmo moral. Talvez estejamos em melhores condições quando se vê um Eduardo Cunha, com sua forma maquiavélica de fazer política e de conduzir a Câmara Federal; quando assistimos ao japonês da polícia federal escoltando e conduzindo para carceragem figuras que nunca antes na história deste país imaginassem que a “casa” um dia ia “cair”; comparado a tudo isto o que temos por aqui são verdadeiros ladrões de galinhas, perto dos bilhões desviados da Petrobrás ou dos conluios entre construtoras e governos. Mas não é por isto que no jogo político de Votorantim não possuam pessoas tão sujas e tão podres. 

O ano que se inicia é um ano de muita cautela e muita percepção para podermos detectar quem é quem no nojento jogo político, quem quer o poder e por que o busca (em alguns casos a qualquer preço).

Através da fábula O Sapo e o Escorpião, podemos fazer uma reflexão. Em um belo dia, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava à beira do rio. Como o escorpião não sabia nadar, pediu uma carona ao sapo para chegar à outra margem. Desconfiado, o sapo respondeu: “Ora, escorpião, só se eu fosse tolo demais! Você é traiçoeiro, vai me picar, soltar o seu veneno e eu vou morrer.”

Mesmo assim o escorpião insistiu, com o argumento lógico de que se picasse o sapo ambos morreriam. Com promessas de que poderia ficar tranquilo, o sapo cedeu, acomodou o escorpião em suas costas e começou a nadar.

Ao fim da travessia, o escorpião cravou o seu ferrão mortal no sapo e saltou ileso em terra firme. 

Atingido pelo veneno e já começando a afundar, o sapo desesperado quis saber o porquê de tamanha crueldade. E o escorpião respondeu friamente:

- Porque essa é a minha natureza!

Ou seja, estamos cercados de escorpiões, e o pior, eles vão buscar o poder de qualquer forma, mesmo que para isto tenham que mentir ou se fazer de bonzinhos, abraçar pessoas, carregar crianças e depois, horas depois, vão nos dar uma bela de uma banana e talvez nos responder da forma que respondeu o escorpião para o sapo:

- Esta é minha natureza.

Ou seja, está mais do que na hora avaliarmos qual é a natureza de quem se propõe a nos governar. Está mais do que na hora de fazer uma avaliação de quem está ao lado daqueles que se propõem a pilotar este BOEING chamado Votorantim, que é o principal lugar deste planeta chamado Terra, pois é a nossa Polis (nossa cidade). Portanto, este ano que se inicia é um ano em que aqueles que buscam o poder da caneta e junto deles ou eles mesmo podem vir acompanhados de escorpiões, e mais uma vez, a missão vai caber a cada um de nós: distinguir quem é o sapo e quem é o escorpião, pois só assim poderemos acreditar que o japonês da Polícia Federal não terá trabalho por aqui.

Um feliz 2016 e que possamos acreditar que vivemos mais entre sapos do que escorpiões.

 

Editorial publicado na página 02 da edição 149 da Gazeta de Votorantim de 19 a 25 de dezembro de 2015







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