18/01/2016 - 11:39
Amados irmãos e irmãs, Excomunhão ou Intercomunhão?


As experiências da vida nos fazem crescer sob os inúmeros interesses do mundo eclesial, que constantemente precisa se submeter a um processo de purificação e despojamento e por isso fazemos essa partilha teológica:

Quando a fé cristã é ‘guetizada’, urge refletir sobre as profundas decisões e posturas que tomamos em perspectiva do Reino e ante os isolamentos e alienações que criamos em nome da fé e de nossa pertença eclesial. Em particular o que nós anglicanos católicos renunciamos do mundo romano?

1) O despotismo das ideias opressoras sobre as consciências e a liberdade do ser aprisionado em algumas realidades dogmáticas sem fundamentos teológicos ou eclesiológicos, mas fruto do egoísmo humano-político de cunho arcaico. Fundamentados onde? Na histórica escolástica-tomista na sua árdua tentativa racionalista em provar quem é Deus, sua existência e a fé cristã que se solidifica somente na Igreja Romana (isso é heresia);

2) A uma visão puritana e não ética, que muitas vezes não constrói exaltando o pecado e a ruína humana na descrença da esperança e no aniquilamento interior;

3) A uma visão legalista-juridicista, onde muitos tribunais eclesiais ousam administrar e manipular a graça, as relações humanas e conduzem em muitas ocasiões à catástrofe do patrimônio interior;

4) A uma mentalidade que cultiva a segregação das relações, que não sacramentalizadas ou institucionalizadas pelo poderio paroquial não são dignas de aceder de maneira plena ao Banquete e ao corpo eclesial;

5) A uma visão eclesial medieval que isola a muitos filhos pródigos considerados indignos do Corpo e Sangue do Senhor oferto a todos nós pecadores;

6) A uma visão de uma Igreja, que em virtude do poder temporal julga e faz a propaganda do seu modelo como única verdade em nome de Cristo, excomungando e denegrindo àqueles que não são de seu rebanho. Mas não renunciamos:

7) A fé Una, Santa, Católica e Apostólica – que é fruto do Credo comum promulgado universalmente pela Igreja indivisa. Esta fé não é posse da autoridade episcopal romana e nem de outra, mas dom do Alto;

8) Ao espírito da Igreja comunhão, que tem o desafio constante de abrir-se aos irmãos ou ao ‘novo’ que se nos apresenta e que se alicerça em Pentecostes;

9) À graça dos sacramentos e ao corpo hierárquico eclesial que não é só de estrutura da tradição romana;

10) Na confiança de que a Igreja se encontra plenamente e validamente na Igreja local com seu bispo e na graça da Eucaristia (identidade e fonte de missão), aí está a sinodalidade não mascarada e nem forjada e isso não depende só da bula apostólica romana, mas no respeito e acolhida das várias tradições e suas autoridades;

11)  Respeito e reverência ao Papa como bispo de Roma e não sumo pontífice (isso é medieval e trai a verdadeira eclesiologia – Cristo é o Sumo Pontífice), mas como o “primus inter pares” – “primeiro entre os iguais” - nem mais e nem menos, servidor da unidade e da paz juntamente com as demais Sedes Apostólicas e suas cabeças;

12) Abertura e acolhida ao clero casado, conforme a antiga tradição apostólica e não na imposição do celibato histórico e político em favor dos bens eclesiais – o celibato é um chamado livre do Senhor para a vida monástica/consagrada e para aqueles que assim o desejam.

Tal partilha brota como um grito profundo de nossa alma contra a aberração e ignorância do domínio alheio sobre nossas consciências de batizados e livres em Cristo Jesus.

“Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas, para que não as calquem com os seus pés, e, voltando-se contra vós, vos despedaçem” (Mt 7, 6)

Com gratidão e bênção fraternal. Em Cristo vosso servo!

 

Artigo publicado na página 11 da edição 151 da Gazeta de Votorantim de 16 a 22 de janeiro de 2016







Deixe seu Comentário

Newsletter
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.