20/01/2016 - 09:23
SÓ COM OS MESMOS VALORES O DIÁLOGO É POSSIVEL?


O diálogo significa presença de dois, ou seja, saída de mim para poder entender o outro. E porquê? Porque a verdade é uma, uma só, mas é tanto mais verdadeira quanto mais tem em conta a verdade do outro. O erro situa-se ao nível da paixão, que impede o diálogo e nos deixa refens sobre nós mesmos, incapazes de olhar e de escutar o outro.

No diálogo, não há hereges, quando todos procuram o mesmo: a verdade.

Quem julga que, como solitária mônoda ou seja “Estamos na nossa experiência terrena condicionados ao EU, um condicionamento necessário à evolução e expansão do Todo”, que se julga ter a verdade, é normalmente um intolerante.

Por isso, no futebol, há menos razão do que intolerância. Porque uma simples discussão tem, frequentemente, a paixão feroz que por vezes se levanta nos estádios, nos grandes jogos. Que haja interlocutores e receptores é a primeira e necessária condição do diálogo. E nunca encontramos interlocutores, quando a nossa verdade nos parece a única verdade. Desde o filosofo grego Sócrates que o diálogo se caracteriza pela procura da verdade, em comum. Quando o diálogo se assemelha a uma parada de militares, que acertam o passo pelos berros imperativos do oficial, a verdade não se vislumbra.


Só nos aproximamos da verdade, trilhando este caminho: do uno ao uno, pelo múltiplo. Por outras palavras: de uma unidade original, consciente das suas limitações, para uma unidade final de plenitude, onde todos os elementos se sentem integrais mas superados. O pensamento de Pascal poderá aqui invocar-se: “Todos erramos e tanto mais perigosamente quanto mais defendemos as nossas verdades, pensando que só há erro nas verdades dos outros“. Não se trata, na procura da verdade, de vencer um adversário, mas de vencer a inimizade que nos impede possamos alcançar a verdade, em equipe – uma equipe farta em calor humano!

No desporto (no futebol, portanto) a competição não esconde, antes supõe, a compreensão e o afeto, porque não são estreitas nem boçais as suas fronteiras.

No Evangelho segundo São João logo na primeira linha se detém, as palavras: “Ao princípio era o Verbo”, metafisicamente falando essa frase diz que o Verbo é a fala, tudo que se diz torna-se real, se materializa se faz, se concretiza ou melhor “No princípio era a Ação”. “Primeiro a Ação e só depois o Pensamento?” Não primeiramente é o pensamento pensar,  sentir, transformar em energia e e transformar em forma. Deixando bem claro que no plano metafísico, ou lógico, ou axiológico, a Ação não vem em primeiro lugar.  Contudo, a ação, mas com o sentido do diálogo, “conferindo a esta palavra toda a sua riqueza: reconhecer o outro, como outro, amá-lo tal como é e não como alguém que é preciso dobrar e conquistar reconhecer sempre o outro como um interlocutor válido. “Ao convidarmos os observadores, para que venham e vejam, todas as portas estçao abertas, sejais inteiramente livres e inteiramente respeitados, falemos sem preconceitos, sem reservas, sem manobras ocultas. Com essa ação realizaremos no fundo um ato comparável ao de Gandhi que (vagabundo sublime da solidariedade) dormia em casas de muçulmanos, para lhes provar que os ouvia, que os respeitava, que os amava”.  Enfim, o espírito aberto ao diálogo implica, necessariamente, a consciência de que não tenha o privilégio exclusivo da Verdade porque, uma boa parte dela, está precisamente naqueles que eu proclamo, sem argumentos dos fatos.

É verdade que, durante a sua existência, não há ninguém que possa ser permanentemente igual a si mesmo. O que antigamente se chamava “um homem de convicções”, incapaz de um erro, ou de uma simples fraqueza, não passa de ficção, de pura mentira. Todos erramos! Mas revelamos uma admirável intrepidez mental e coragem moral, quando o reconhecemos (errar é próprio da condição humana) e, através dos nossos erros, passamos a compreender e a tolerar melhor os nossos adversários. Por outro lado, o diálogo não só é necessário, como é possível,  entre pessoas com a mesma cultura e os mesmos princípios e os mesmos valores? O diálogo é possível sim entre pessoas da mesma profissão assim como aqueles que não tem profissão, aos cultos e aos matutos, aos jovens e aos mais vivenciados. Toda a profissão exige estudos, trabalho e dedicação, se não for dessa maneira serás um profissional linear e intolerante, é possível saber de tudo um pouco do que saber muito de uma coisa. Aos profissionais ou não, um critério é muito importante para um bom diálogo para que se possa concretizar cordialidade entre locutores e interlocutores o Respeito. Não se há necessidade de autorotular-se como um produto final de prateleira de serviços, pois aquele que se rotula automaticamente se limita incapaz de ser ousado e visionário e principalmente em ser humano.







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