25/01/2016 - 15:20
Orgulho de ter participado da Guarda Mirim
 Foto: Divulgação 

Integrantes da instituição em 1991

Eles atuavam nos mais variados lugares. Os guardinhas mirins estavam presentes nos diversos comércios, prefeitura, indústrias e até nos parques infantis. Faziam parte de um projeto social visando formação ética e moral do jovem, a inserção e preparação ao mercado de trabalho.

Tudo começou quando o delegado titular Ennio Landulpho se mostrou preocupado com a formação dos jovens. Ao reunir representantes e lideranças expressivas dos segmentos locais aconteceu a fundação da Guarda Mirim de Votorantim, em 30 de setembro de 1971.

A primeira diretoria foi composta tendo como presidente Alfredo Metidieri, vice-presidente Mario Rosário Botessi, 1º secretário Aquiles Saracura, 2º secretário Laelso Rodrigues, 1º tesoureiro Ayr Pereira, 2º tesoureiro Luiz Júlio Primo, diretor de relações-públicas Roque Dias Prestes e formado um conselho consultivo presidido por Hélio Pataccine. Como presidente de honra foi escolhido o prefeito Luiz do Patrocino Fernandes.

Depois do comendador Alfredo Metidieri assumiram a presidência Francisco Munhoz, Roque Dias Prestes, Edson Rodrigues, Lázaro de Góes Vieira até chegar em Gentil Pereira Garcia o sexto presidente, que desde 1987 continua até hoje se doando em prol da instituição, seja como diretor ou voluntário da entidade.

“Muitas vezes aquele pequeno salário que os guardinhas mirins recebiam ajudava imensamente na renda familiar, garantia a ajuda necessária para comprar pão e leite para saciar os irmãos menores. A Guarda Mirim auxiliou muitas famílias e em alguns momentos chegou a ser a única renda para alguns lares” comenta Gentil.

No começo das atividades, parte dos guardinhas contavam com apitos, o acessório era usado para alertar e orientar no trânsito. A instituição também exerceu função importante na agência dos correios, que possuía somente um funcionário responsável pela entrega de correspondências a domicílio e haviam problemas quanto ao seu recebimento. A boa vontade dos guardinhas saindo diariamente pelos bairros resolveu temporariamente o problema.

Agora, imagine oferecer os uniformes dos guardinhas mirins aos adolescentes e jovens de hoje, será que usariam e não sentiriam vergonha de se expor na sociedade? Uma coisa é certa, todos aqueles que fizeram parte usavam com muita disposição.

“Eles tinham orgulho de colocarem a vestimenta, era tudo o que queriam, até batiam continência. As botinas sempre estavam bem engraxadas. A idade de acesso à Guarda Mirim era 12 anos, mas muitos vinham com seus pais ou responsáveis quando tinham 11 anos para deixar o nome na lista de espera” relembra Gentil.

Aos sábados pela manhã, todos se reuniam na sede para acompanhar palestras e orientações a sua formação. Além disso a Guarda Mirim telefonava nos locais de trabalho para saber se estavam agindo com presteza e obediência.

Esse comprometimento do jovem em trabalhar logo cedo e dar auxílio financeiro no lar em nenhum momento lhes tirava a responsabilidade de estudar.

“Os guardinhas trabalhavam meio período do dia para não comprometer a dedicação aos estudos. Além disso pedíamos o boletim escolar para acompanhar as notas bimestrais e a quantidade de faltas. Se necessário, chamávamos os pais na sede da Guarda Mirim para cobrar uma nova postura com os estudos” comenta o ex-presidente.

No início, a Guarda Mirim não possuía sede e funcionou provisoriamente no parque infantil Helena Pereira de Moraes. Também ocupou uma sala do serviço de alto-falante na rua Sorocaba, depois no prédio ocupado na época pela Câmara e também numa sala da rua Albertina Nascimento. Atualmente funciona na rua Alfredo Maia, na sede inaugurada em 1 de agosto de 1987.

Fazer parte da guardinha transformou a vida de muitos, como aquele simples empacotador no supermercado que depois foi efetivado a funcionário e chegou a condição de gerente.

Foi um trabalho sério e profícuo que se intensificou entre os anos 70 e 90. A entidade continua funcionando, mas não mais com aquela intensidade de antes. Hoje os guardinhas não precisam usar uniformes, a idade é de 14 aos 16 anos e agora existem as adequações que atendem a Lei do Menor Aprendiz.

Gentil Pereira Garcia

Realizando pedágio na avenida 31 de Março

No desfile de dezembro de 1984


(Cesar Silva é jornalista formado pela Uniso, gestor público pós-graduado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), membro da Academia Votorantinense de Letras, Artes e História e autor de dois livros sobre a História de Votorantim)

 

Coluna publicada na página 17 da edição 152 da Gazeta de Votorantim de 23 a 29 de janeiro de 2016







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