22/02/2016 - 13:12
Doutor Garcia e Irmãs Missionárias semeando generosidade
 Foto: Divulgação 

Ana Miliorini em 1959, com irmãs Carla Alberto, Severina, Ildefonsa, Boaventura, entre outras

Quando se faz referências ao atendimento prestado no hospital Santo Antônio são incontáveis profissionais que ao longo do tempo deram sua contribuição. Além do conhecimento e da ação prática celebraram a alegria de pacientes com nascimentos, recuperação da saúde e alta hospitalar, em outras situações ofereceram o consolo e o conforto em momentos de tristeza.

Entre os profissionais, destaque para o doutor Garcia e as Irmãs Missionárias da Consolata. São exemplos de doação e bondade em prol do próximo.

Em um desses momentos da história, Irmã Demétria do setor de rouparia, passava percorrendo os quartos e perguntando quem desejava receber a visita do padre. Além disso, aproveitava para distribuir bilhetes com mensagens bíblicas, que eram datilografadas e recortadas por Irmã Anania, hoje seriam digitadas e impressas. No dia seguinte, ela estava de volta, trazendo mais trechos da Bíblia que eram carinhosamente recebidos por pacientes e acompanhantes de quarto, mesmo quem seguia outra denominação religiosa. Era uma ação simples, mas de importância àqueles que estavam desejosos pela recuperação médica e por apoio espiritual.

Irmã Deliângela foi uma das missionárias do hospital nesse período, trabalhou entre 1960 e 1973. Ela conta que teve grande experiência de vida ao passar por Votorantim. Além disso, também percorreu em missão por um ano e meio em Portugal, dez anos na Líbia e outros dez na Itália.

A Irmã gaúcha Deliângela que no nascimento ganhou o nome de Cecília, é filha de pais de Bento Gonçalves e avós italianos, se formou em Enfermagem em Botucatu. Ela relembra um dos momentos em que auxiliava um parto tendo a frente o doutor Garcia.

“Era o terceiro no histórico da gestante, no segundo havia nascido gêmeos. Doutor Garcia após ver nascer o bebê disse que havia mais um. Pronto, foi o suficiente para a mãe clamar a Deus, questionando como faria e desesperada falava: Como vou sustentar mais dois filhos, já que tenho outros três? Doutor Garcia tratou de acalmá-la, dizendo para não se desesperar, lembro até hoje de sua voz falando que garantiria o leite aos bebês” relembra a Irmã.

E assim fez, doutor Garcia pediu ao pai dos bebês, que trabalhava na fábrica de tecidos Votorantim, para que buscasse mensalmente com ele uma caixa de latas de leite em pó, não falhou na entrega e deu perspectivas para amenizar as dificuldades da família.

Essa generosidade foi testemunhada em outras oportunidades por Irmã Deliângela que junto das demais religiosas podia ligar a qualquer hora do dia ou da noite, na sua moradia que existia no início da rua Alfredo Maia, numa construção que ficava dentro da propriedade da fábrica de tecidos Votorantim, para pedir a presença do médico no hospital. Mesmo no horário de repouso, nunca se negou e com boa vontade, até mesmo febril, aparecia para fazer o atendimento.

“Lembro até hoje, eu cobrando doutor Garcia para tomar um remédio para cortar a própria febre e ele dizendo para esquentar leite e dar algumas bolachinhas, frisando que gripe era tratava se alimentando” relembra a religiosa.

A preocupação era grande com pacientes e sempre a equipe de atendimento se deparava com novas situações. Uma delas foi quando o padre Antônio Maffei sofreu um acidente com sua lambreta, precisando ser operado e ficou entre a vida e a morte. Irmã Deliângela faz questão de comentar que mesmo tendo a boa vontade de toda a equipe médica, doutor Garcia foi decisivo para diagnosticar e buscar o melhor tratamento ao paciente.

“Eu digo que o saudoso doutor Garcia foi para o céu de botas e tudo. Era uma pessoa justa, dedicada e realmente tinha a vocação médica. Era muito procurado pelos mais necessitados para atender aos partos nas casas e muitas vezes ocorrendo à noite ou de madrugada. Teve uma vez que ao chegar cedo ao hospital comentou que estava um pouco magoado, que o recém-nascido não tinha o que vestir e o improvisou com uma blusa da mãe.

Aí doutor Garcia comprou um enxoval à criança, preferiu não levar e mandou alguém que o entregasse” destaca a Irmã.

Deliângela agora mantêm suas atividades de religiosa numa casa das Irmãs da Consolata na Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo. Toma remédios para controlar a pressão alta e o reumatismo, além do uso de uma bengala para dar equilíbrio ao corpo.

 

Irmã Deliângela


Dr. Garcia e a esposa Dylze em janeiro de 1977


Fachada antiga do Hospital Santo Antônio

 

(Cesar Silva é jornalista formado pela Uniso, gestor público pós-graduado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), membro da Academia Votorantinense de Letras, Artes e História e autor de dois livros sobre a História de Votorantim)

 

Coluna publicada na página 17 da edição 156 da Gazeta de Votorantim de 20 a 26 de fevereiro de 2016







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