21/03/2016 - 16:14
Relação de confiança da enfermagem e o paciente
 Foto: Zezinho, Dr. José Miranda Filho, padre Mafei, enfermeiras e parteira Maninha, mãe do dr. Lauro Roberto Fogaça 

Estar num quarto frio e silencioso de um hospital é algo indesejável, angustiante para o acompanhante e mais sofrível ao paciente. Melhor é quando existe o otimismo pelo restabelecimento da saúde, mas se o sentimento é de incerteza quanto a cura da enfermidade aí gera apreensão e uma sensação de impotência.

A figura do profissional da Enfermagem é fundamental para a estima do paciente, toda vez que a porta do quarto se abre é a garantia que o abnegado cuidador de sua saúde vem para auxiliar com uma conversa amiga, dando mais ânimo e apoio psicológico.

José Cordeiro de Campos é o popular “Zezinho Enfermeiro”, um dos profissionais mais conhecidos na cidade. Foram 38 anos trabalhando na área, só para o Grupo Votorantim foram 35 anos, com a maior parte do tempo no hospital Santo Antônio e com passagem no ambulatório médico da fábrica de celofane Votocel.

“Agora estou aposentado, mas é um prazer indescritível saber que na trajetória da vida você contribuiu com sua cidade, ajudando a muitos e sem distinção, dos mais humildes aos abastados. É a sensação do dever cumprido” comenta Zezinho.

Foi uma história construída aos 17 anos quando era estudante na Santa Casa de Botucatu. Ao fazer estágio interagia com todos os setores e Zezinho se animava ainda mais quando estava na Ortopedia e no Centro Cirúrgico. Essa vontade e disposição fizeram com que a madre italiana Santina, missionária religiosa da Consolata, o incentivasse ainda mais. Quando ela se despediu de lá e veio para o hospital Santo Antônio de Votorantim, aproveitou para trazer o Zezinho.

“Quando você chega jovem para trabalhar tudo é lindo, você não imagina mais nada, o foco é a ocupação no serviço. Como não tinha família por aqui, eu morava dentro do hospital. Fui um privilegiado, tinha um bom quarto para descansar. Em contrapartida me colocava à disposição para atender a qualquer horário e chamado” comenta Zezinho.

Sua vinda ao hospital Santo Antônio ocorreu em 15 de março de 1961 e a expectativa ao completar 90 dias era que ganhasse a efetivação no trabalho. Mas não precisou muito, foram somente 15 dias, precisamente em 1º de abril quando a irmã responsável pelo setor de Enfermagem assinou e encaminhou ao Grupo Votorantim o pedido da sua efetivação no quadro funcional.

Está escrito no velho testamento da Bíblia, no livro de Eclesiastes, que “tudo tem o seu tempo na terra”. Essa mensagem serve para fortalecer o profissional da Enfermagem na missão de se relacionar dia a dia com os seus assistidos.

“É muito bom estar em contato com o paciente e familiares. Sabemos que num hospital tem os que saem vivos e outros não, por isso é difícil para nós que nos ajuntamos a família, é como se fosse um ente querido no leito hospitalar. Quando fica muito tempo internado você começa a conviver mais, a participar da vida dele, passa a ter uma relação de maior confiança” destaca Zezinho que assume que é emotivo e se apega muito às pessoas.

Para ele o hospital era um lugar bem especial. A fachada ornamentada pelo belo jardim cuidado pelo seu Francisco, as irmãs religiosas eram referências na região e muitas gestantes de Sorocaba desejavam os seus cuidados na hora do parto, a equipe médica bem experiente e no final de ano era reservado um tempinho para uma pequena confraternização. Um ambiente bem familiar, mas Zezinho precisou abrir mão de tudo isso.

“Foi quando o hospital passou às mãos de um grupo de médicos responsáveis em administrá-lo. Dentro do processo de mudanças não fiquei à vontade e fui transferido à fábrica Votocel. Lá estava indo muito bem, fazendo amigos. Mas onze anos depois, Renato Delanhesi pediu de volta o hospital e trouxe-me, junto com o doutor Sérgio, para trabalhar como chefe geral. Passei a conciliar os dois empregos”.

Posteriormente Zezinho ficou trabalhando só na Votocel e se aposentou em 4 de julho de 1995. Agora curte seu merecido repouso e aproveita para sempre comentar com os amigos sobre o amor por Votorantim, dizendo que vivemos num município com ares de pequeno e acolhedor, mas desfrutando há cinco minutos de uma cidade vizinha e grande para oferecer tudo que precisamos.

(Cesar Silva é jornalista formado pela Uniso, gestor público pós-graduado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), membro da Academia Votorantinense de Letras, Artes e História e autor de dois livros sobre a História de Votorantim)

 

Informação publicada na página 12 da edição 160 da Gazeta de Votorantim de 19 a 24 de março







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