04/04/2016 - 12:36
Dê um twist na Pepsi: Quando a publicidade se torna propaganda fascista


A área da publicidade é especialista em utilizar contextos sociais para produzir suas campanhas.  Isso porque, os profissionais buscam aproximar ao máximo a marca do consumidor, o que se tornou indispensável em tempos de concorrência exacerbada.  Assim, é comum encontramos campanhas que reproduzem frases, gírias e jargões existidos no cotidiano, principalmente após o uso da internet, com suas facilidades de acesso e pesquisas.    Por outro lado, a mesma facilidade de comunicação faz com que esses profissionais tenham que tomar mais cuidados sobre aquilo que produzem, pois as respostas podem surgir de modo instantâneo, diferente do século passado.

Se buscarmos peças do passado, conseguimos, sem muitos esforços, perceber um número exagerado de publicidades conservadoras e autoritárias, sobretudo quando representavam alguns grupos sociais denominados “minorias”. Hoje essa representação parece perder força, visto que muitos textos explicativos estão à disposição na internet que permite o acesso e a distribuição de reflexões até pouco bastante abafadas.

De modo geral, publicidade tem como objetivo contribuir para que empresas diversas alcancem ou mantenham seus lucros, ao passo que a propaganda pretende transferir ideias, propagar ideologias - como as propagandas políticas. Recentemente a marca Pepsi lançou a campanha da Pepsi Twist, que apresenta o diálogo de dois limões, mascotes do produto. Em tom jovial e com gírias, o diálogo segue: “- Caraca maluco, tamo de volta, aí. – Essa latinha ficou animal. – Xiu, não fala assim não, meu irmão, algum animal pode se ofender. – O mundo anda muito sensível.” Ao final do diálogo, surge uma voz off  dizendo “Pepsi Twist, se o mundo está chato, dê um twist”. Ocorre que essa peça reproduz uma frase atual e que tem como função desconstruir ou diminuir os pensamentos acerca da sociedade diversa, ofuscando, assim, o bom senso. É, portanto, autoritária!

Quando trabalhada dessa forma, a publicidade se transforma também em propaganda que sustenta um discurso fascista bastante presente na zona do nosso Estado. Dizer que “o mundo está chato” porque as pessoas têm buscado refletir sobre as diferenças sociais é, no mínimo, sustentar o discurso do ódio no lugar do desejo de democracia. Em vez disso, deveríamos nos perguntar: Afinal, o mundo está chato para quem?

 

Artigo publicado na página 10 da edição 162 da Gazeta de Votorantim de 2 a 8 de abril







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