11/04/2016 - 13:38
Simplicidade e compromisso na ação missionária
 Foto: Divulgação 

Irmãs da Consolata no Hospital Santo Antônio

Todos nós nos deparamos ao longo da vida com pessoas que geram encantamento ao transmitir ternura e bondade, muitas vezes alguém que nem imaginávamos conhecer mas que com seus exemplos e palavras nos cativa, como se tivéssemos afinidade há muitos anos.

Vemos que com jeito simples se mostra muito mais alegre do que aqueles que anseiam por conquistas materiais. São pessoas que transmitem a vivacidade e estimulam a reflexão interior.

Inês Casali é gaúcha de Três de Maio, vinda de família de agricultores e de nove irmãos, entrou no convento aos 19 anos e passou a ser conhecida pelo nome religioso de Irmã Fidência. Ela abraçou a causa missionária e trabalhou por 32 anos em hospitais, com passagens por Roraima, Rio do Oeste (SC), Botucatu e Votorantim.

Irmã Fidência sempre se mostrou de coração leve, com fala mansa e se tornou figura querida na comunidade votorantinense pelos trabalhos pastorais na paróquia São João Batista e pelas atividades no hospital Santo Antônio, de modo especial na condição de parteira, sendo responsável por centenas de nascimentos.

“Quando vim pela primeira fez ao hospital Santo Antônio tinha 27 anos, trabalhava como roupeira, fazia os aventais dos médicos e era responsável pela lavagem de todas as vestimentas. Um dia morreu um paciente e fui designada a preparar o corpo e dar suporte à família. A irmã superiora viu que eu não tinha medo e quis que fizesse um curso de Enfermagem” comenta Irmã Fidência.

Deixou o hospital de Votorantim para fazer os estudos em Botucatu. Posteriormente retornaria a Votorantim, foi quando ficou ainda mais conhecida, agora como a irmã parteira.

“Quando chegava a parturiente fazíamos a acolhida e encaminhávamos para o parto, só quando havia alguma complicação é que chamávamos o médico. Quanto mais difícil o procedimento a alegria se tornava maior ao ver que daria tudo certo. Claro que passei muito apuro e o médico só era chamado para operar. A gente experimenta a vontade de Deus, mesmo o hospital tendo todo o aparato necessário em apoio a gestante” destaca Irmã Fidência.
Assim se sucedia a cada nascimento de parto normal sob a liderança da irmã parteira. Ela na condição de enfermeira e com o apoio de uma auxiliar. Logo após, o médico comparecia para avaliar as condições encontradas e fazer o fechamento da ficha hospitalar.

Esse convívio praticamente diário com os partos é celebrado pela religiosa como um milagre da vida. O primeiro choro do bebê era comemorado pela equipe como uma reação natural à descoberta de um novo mundo.
“Me sinto tão pequena para guardar tantas lembranças do hospital. Ali nos alegramos ao ver a recuperação e alta médica, também sofremos quando os pacientes padecem. Não nos acostumamos a ver a dor alheia. É nesse momento que nos apegamos ainda mais a fé e compreendemos o valor que realmente temos” comenta Irmã Fidência.

As religiosas atuando no hospital Santo Antônio assumiam a causa como um verdadeiro sacerdócio, colocando as missões como uma necessidade de doação e entrega àqueles que tanto necessitam de um apoio físico e espiritual.

Irmã Fidência não fazia distinção e ao receber o pedido de paciente evangélico clamando pela presença de um pastor, ela atendia e se colocava à disposição para auxiliar e rezar juntos pelo restabelecimento da saúde do enfermo.

As religiosas até contavam com o recebimento de salários, mas os valores eram encaminhados a uma administradora da instituição missionária que destina à manutenção de outros trabalhos de missão, em locais longínquos e carentes. Até por que as irmãs de Votorantim avaliavam que tinham alimentação, moradia e as condições necessárias para se manter no próprio local de trabalho.

“Ah como foi sofrível ter que deixar Votorantim, me deu dor no coração quando o Instituto Missionário da Consolata entendeu que tínhamos finalizado a missão e precisava buscar outros locais de poucos recursos. Estar em Votorantim foi um tempo muito bonito, deixei grandes amigos e o que ficou foram muitas saudades. Depois fui trabalhar na Bahia, atuando na pastoral da Criança. Hoje estou na Casa José Alamano, em São Miguel Paulista” finaliza Irmã Fidência.

(Cesar Silva é jornalista formado pela Uniso, gestor público pós-graduado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), membro da Academia Votorantinense de Letras, Artes e História e autor de dois livros sobre a História de Votorantim)

 

Coluna publicada na página 12 da edição 163 da Gazeta de Votorantim de 9 a 15 de abril







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