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Rua Paschoal Gerônimo Fornazari é alvo de muitas reclamações
 Foto: Ivana Santana 

Trecho íngreme possui erosões

 

Ivana Santana
 
Buracos, lama, poeira, falta de iluminação, demora na entrega dos Correios... São muitas as reclamações dos moradores da Rua Paschoal Gerônimo Fornazari, no bairro Vale do Sol, em Votorantim. A rua é longa e passa por mais de um bairro, mas ela é asfaltada só até certo ponto. Grande parte da rua é de terra. “Eu já ouvi falar que não asfaltam aqui porque ninguém paga IPTU. Mas eu pago. Na minha casa eu pago IPTU”, destaca a dona de casa Célia Regina de Oliveira Silva, de 49 anos, que mora na rua há 20 anos.
“É difícil para levar as crianças para a escola, para o médico, não chega carro de motorista por aplicativo. Minha neta, por exemplo, vai até a rua de cima, onde passa o ônibus escolar. Mas quando chove muito não dá para ir para a escola também, porque o ônibus não vem. Quando chove, além de lama fica com muito buraco. Correios é difícil também, sempre chega tudo atrasado. E os números são ordenados aqui, é tudo em ordem”, relata a moradora.
“A minha mãe já caiu aqui e quebrou a perna”, conta Célia. Além dela, muitos moradores da rua têm histórias sobre quedas para contar, pois a rua é de terra e é íngreme. “Minha madrinha já caiu. Ela desceu do carro e foi subir a rua, mas como ela tem a perna ruim e está acima do peso, ela caiu e desceu rolando na rua até lá embaixo. E minha sobrinha, quando tinha quatro anos, caiu numa valeta, precisou de duas pessoas para tirar ela de lá”, lembra Poliana Garcia de Oliveira, operadora de caixa de 21 anos.
A jovem ainda chama a atenção para outro problema recorrente na rua: a má iluminação. “Ali embaixo tem pontos que não tem luz, e é muito perigoso. Um tempo atrás teve um caso de um estuprador que estava ali pegando as pessoas. Porque, pelo fato de não ter iluminação, facilita para as pessoas que já pensam em fazer maldade. Transmite um medo na gente, é uma falta de segurança. Facilita para as pessoas que são maldosas. Tira nossa paz”, destaca.
“Então, quando dá sete horas da noite, como é que mulher vai descer nesse meio de mato, com tudo escuro? O que o prefeito e nossos governadores estão esperando? Estão esperando acontecer tragédia aqui para depois tomar alguma providência”, questiona Silvana Bueno Alves Costa, cabeleireira de 46 anos.
Além disso, os moradores ainda precisam pensar numa logística especial quando saem de casa, levando roupas e sapatos para serem trocados no caminho. “A gente adora morar aqui, adora o lugar. Mas o duro são as ruas. Minhas filhas choravam quando a gente mudou aqui, porque atolava o pé delas no bairro. Tinha uma que sempre voltava chorando, até perdia o dia de serviço às vezes, voltava descalça porque o sapato atolava no barro. Aí tiveram que começar a sair de botina, chegar aos lugares e trocar de sapato”, desabafa a mãe de Poliana, Dejanete Lucia Santos Oliveira, dona de casa de 56 anos.
“Não tem condições de você criar os filhos nesse lugar. Eu tenho uma filha, quando ela tinha uns 15 anos, ela fazia as unhas, arrumava o cabelo... Ai chegava ali em cima estava toda suja já. E aqui é perto do Centro, dá meia hora a pé do Centro. Mas como a gente vai subir e descer aqui? E ônibus aqui também é difícil”, relata Silvana.
A alternativa mais viável para muitos moradores acaba sendo sair sempre de carro. Quem não tem o veículo, acaba ficando sem sair de casa. E, além disso, os gastos com os automóveis são muito altos, pois os moradores relatam que os buracos sempre provocam danos. “Meu marido está doente e o médico disse que ele não pode dirigir. Mas ele dirige mesmo assim, ele se sente obrigado a dirigir. Porque eu não ando direito, então eu não saio de casa, eu fico direto aqui. Eu só saio para ir ao médico ou alguma coisa assim quando meu marido me leva. E o carro também não aguenta, vive quebrando. E cada vez que encosta, para arrumar, é R$ 1500,00 ou mais. Meu marido até fala que se a gente saísse daqui, que é nossa casa própria, e pagasse aluguel, a gente gastava menos do que gasta com a manutenção do carro”, desabafa Dejanete.
 
Promessas de melhoria

Os moradores contam que já ouviram diversas vezes promessas de melhorias no local, mas nenhuma ação de fato. A dona de casa Ana Maria da Silva Barroso, de 57 anos, desabafa: “em quarenta anos que eu moro aqui, não melhorou nada, só piora. Eu acho que aqui é um lugar sossegado, mas nós estamos abandonados aqui. Porque só na época de eleição que eles vêm aqui pedir voto, prometem, prometem... Poderia ser um lugar maravilhoso, que tem asfalto, pra nós não cairmos mais. Quando chove, não dá nem para sair. Então eu peço que ajude a gente, porque estamos abandonados. E eu não peço nem ‘por favor’, porque não é um favor, é a obrigação deles. Porque a gente paga nossos impostos”.
Nossa redação questionou a Prefeitura de Votorantim sobre as reclamações dos moradores e obteve a seguinte resposta: “a Secretaria de Obras e Urbanismo (Sourb) informa que poderá estudar a viabilidade de pavimentação da via e também de novos pontos de iluminação. Além disso, a Secretaria de Serviços Públicos (Sesp) promove periodicamente a limpeza do entorno da rua, bem como solicita a colaboração da população para que não descarte entulhos no local”.

 

Reportagem publicada na edição n°285 da Gazeta de Votorantim de 15 a 21 de setembro de 2018, página 09.



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