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Demora no agendamento de exame de sangue gera queixa de morador
 Foto: Ivana Santana 

Aldo Veliska


Ivana Santana
 
Cento e dezessete dias. Esse é o tempo que o munícipe João Carlos Veliska, de 57 anos, vai ter que esperar para fazer uma coleta de sangue para realizar exames, na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Rio Acima. João teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em janeiro deste ano e, atualmente, é acamado. “Ele fica só na cama. Ele não se move por causa do AVC. Ele foi acompanhado por médico do ‘Programa Melhor em Casa’ por 60 dias. Depois disso, a médica do Programa deu alta para ele e disse para a gente procurar a Unidade de Saúde mais próxima, que no caso é a UBS aqui do Rio Acima, bairro onde a gente mora. Eu trouxe meu irmão para passar pela clínica geral que pediu exames de sangue”, explica seu irmão, o consultor comercial Aldo Veliska, de 52 anos.
Depois da consulta, que aconteceu no último dia 03, quarta-feira, a surpresa: a médica marcou o retorno do paciente para 60 dias, ou seja, para o início de dezembro. No retorno, segundo Aldo, João deveria levar os resultados do exame de sangue que a médica solicitou. Porém, a coleta do sangue para o exame foi marcada na UBS apenas para o dia 30 de janeiro de 2019. “É uma situação que eu não me conformo. Não tem como a pessoa precisar fazer o exame e esperar mais de 90 dias, sendo que a médica aqui da unidade solicitou o retorno dele para 60 dias. Ele vai passar pela clínica geral, no retorno, sem o exame”, destaca seu irmão Aldo.
Aldo questionou na UBS qual seria o motivo da demora do exame. Os funcionários da Unidade teriam dito ao consultor comercial que, alguns meses antes, a coleta de sangue para exames era feita três vezes por semana. Mas, agora, a coleta vem sendo feita apenas uma vez por semana. “Aí congestionou. Complicou tudo. Disseram-me que essa redução é porque a Prefeitura não tem dinheiro, a Prefeitura está sem verba, sem dinheiro. Como assim não tem dinheiro para saúde? É complicado”, reclama.
Depois disso, Aldo procurou a Secretaria da Saúde para esclarecer a situação e tentar adiantar o exame. “Falei com a assistente social, fui questionar ela se não tinha alguma forma de antecipar a realização deste exame. Conversando com ela, ela disse a seguinte frase para mim: ‘a situação está crítica. É o que tem para hoje, Aldo’. É essa resposta que uma assistente social da Secretaria de Saúde tem que dar para o munícipe que paga seus impostos? Acho que não”, relata.
“Isso porque é um simples exame de sangue. Um simples exame de sangue, com uma demora de mais de 90 dias! Agora, eu fico imaginando, como seria se fosse um exame mais complexo. Se um exame de sangue está demorando mais de 90 dias para ser marcado, um exame mais complexo deve demorar anos! E eu não falo só por mim, eu falo pela população que usa essa UBS. Eu estou falando em nome desse povo, que está precisando desses exames para serem feitos”, desabafa Aldo.
Em nota, a Secretaria da Saúde (Sesa) disse que “a situação está em readequação com a abertura de novas cotas. Houve redução nas coletas no decorrer dos meses de setembro e outubro, por haver um aumento inesperado na demanda, em números de consultas na atenção básica, Clínico Geral, Pediatras e Ginecologistas. Além da demanda superior à média mensal registrada no Pronto Atendimento”.
A Secretaria ainda informou que “a situação já foi readequada, a redução precisou acontecer para não comprometer os contratos dos laboratórios, que foram ajustados dentro da margem legal. Novas cotas serão liberadas a partir da última semana de outubro, quando a situação estará equilibrada, trazendo os agendamentos para mais próximo e para que os exames sejam realizados no tempo adequado”.
A Sesa ressaltou que existe um alto índice de pacientes que faltam nos agendamentos de coleta de exame, sendo assim, as cotas não utilizadas provenientes destas faltas são utilizadas para outros pacientes agendados. “Há ainda a rotina de reaproveitamento da vaga, na qual o paciente vai até a unidade no dia da coleta para fazer encaixe imediato mediante a ausência do paciente originalmente agendado”. As quantidades de cotas e dias de coletas variam de unidade para unidade, sendo que, são considerados o território e a demanda para a oferta dos agendamentos”, finalizou o órgão.
O exame de João, segundo seu irmão, ainda permanece agendado para 30 de janeiro de 2019 e a consulta permanece agendada para o início de dezembro deste ano. A Secretaria ainda disse: “importante destacar que todos os atendimentos prioritários, gestantes e rotinas para acesso a medicamento de alto custo foram preservados. A Secretaria da Saúde ressalta ainda que já iniciou estudos para novos chamamentos e credenciamento de prestadores para que a situação não se repita em 2019”.


Reportagem publicada na edição n°290 da Gazeta de Votorantim de 20 a 26 de outubro de 2018, página 05.

 










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