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Represa de Itupararanga tem queda no nível de água ano a ano, segundo ambientalista

Ivana Santana
 Foto: Jorge Silva 

Margem da represa revela que nível está baixo

O baixo índice de chuvas neste início de ano impactou no nível da Represa de Itupararanga. É o que afirma o ambientalista Davi Santos Genesi, que é presidente da ONG Grupo de Trabalho Ambiental (GTA) Jerivá de Votorantim e integrante do Comitê de Bacias do Rio Sorocaba e Médio Tietê. “Crítico o nível da represa ainda não é, mas a represa está baixa, mais baixa que o normal. Está muito baixa para essa época do ano, que deveria ser épocas de chuva. A represa está em uma crescente queda do nível da água ano a ano. Isso tem a ver com enorme demanda da região e com o consumo exagerado. Principalmente no calor, as pessoas acham que podem gastar água à vontade, que é uma coisa que não acaba, que vai e volta. Água vai e volta, mas em que quantidade e em que qualidade? Se a água estiver poluída, o que vai voltar é chuva ácida”, esclarece Davi.

De acordo com a Votorantim Energia, gestora da Usina Hidrelétrica de Itupararanga, o reservatório de Itupararanga opera atualmente com 46,20% do volume útil do reservatório. Segundo a gestora, em tempos de altas temperaturas e baixa quantidade de chuvas o nível da água diminui. Mas a Votorantim Energia diz que o nível da represa hoje é considerado administrável. “As operações estão direcionadas para garantir o abastecimento de água da região de Sorocaba e Votorantim e a vazão natural do Rio Sorocaba”, destaca a Votorantim Energia.

A Águas de Votorantim, responsável pelo abastecimento de água na cidade, diz que não há risco de falta d’água em Votorantim. “O abastecimento de Votorantim está normal e sob controle. A recomendação que a concessionária sempre faz aos clientes, é que façam o uso consciente da água em períodos de alta demanda”, destaca em nota.

De acordo com o ambientalista Davi, a Represa de Itupararanga serve para abastecimento de água e também para a geração de energia. Ele acredita que a geração de energia diminui o volume da água. “Em 2013, quando teve uma seca fantástica, a gente descobriu que o Grupo Votorantim estava com quatro turbinas fazendo energia. Então, não era seca, porque a média histórica estava alta. E aí eles pararam de usar a quarta turbina e a represa subiu de novo. Então, eu acho que tem a ver com a produção de energia”, analisa.

No entanto, a Votorantim Energia, explica que não há “gasto” de água no processo de geração de energia. “As hidrelétricas funcionam por meio de grandes turbinas que giram devido à força das águas. A água passa por tubos que são interligados às turbinas, que as faz girar. Cada turbina é acoplada a um equipamento chamado gerador, formando, assim, a unidade geradora que faz a transformação da energia mecânica, do movimento das pás da turbina, por meio da força da água, em energia elétrica. Nesse processo, não há adição de nenhum produto químico, ou ‘gasto’ de água, pois após esse processo, a água retorna para o rio da mesma forma que passou pelas turbinas. Vale lembrar ainda que as operações da usina sempre serão direcionadas para manter a vazão sanitária do Rio Sorocaba, o amortecimento de cheias e a água que será enviada para a empresa responsável pelo abastecimento de água de Sorocaba e Votorantim”, esclarece a Votorantim Energia.

Outra coisa que impacta diretamente no nível da água, segundo Davi, é o crescimento do número de habitações no entorno da represa. “O conselho gestor é um órgão que tem poder de tomar decisões. Ele é composto por sociedade civil, município e estado. O conselho vai ter uma reunião em Piedade no próximo dia 20 e a pauta é justamente o impacto imobiliário por pessoas irem morar no entorno da represa. Tem um condomínio que está querendo se instalar na beira da Represa de Itupararanga e não está conseguindo. Três mil pessoas vão morar nesse condomínio quando estiver tudo preenchido. E eles não falam da onde vai virar água, se vão pegar da represa. Não pode pegar água da represa”, explica.

Davi ainda esclarece que a qualidade da água da represa muda em cada ponto: “em alguns pontos da represa a qualidade da água é boa. Mais perto do paredão tem os parâmetros perfeito de oxigênio e de todas as coisas. Mas é preocupante pela quantidade de agrotóxicos ao redor e de retirada de água. É nisso que está sofrendo pressão. Dez anos atrás você podia beber água direto da represa sem problemas. Hoje, a gente não aconselha. Tem braços da represa que tem casas por perto e lá a qualidade da água não é tão boa. Tem também a pesca predatória... A represa sofre pressão de todo lado”.

 Segurança da barragem

Davi afirma que a barragem da Represa de Itupararanga em Votorantim é segura. “A barragem da Represa de Itupararanga é uma construção fantástica. Ela está perfeita, e é monitorada constantemente. Está bem conservada”, destaca o ambientalista.

A Votorantim Energia confirma a informação: “na Barragem da UHE Itupararanga, a operação e manutenção é realizada pela Votorantim Energia com cuidadoso monitoramento das condições físicas da barragem, por meio de vistorias constantes feitas pelo corpo técnico da empresa e reforçada por inspeções frequentes de empresas especializadas, garantindo assim a segurança na barragem”.

 

Economia de água

Davi recomenda que a população tome cuidados simples no dia a dia para evitar o desperdício de água, como fechar torneiras ao escovar os dentes, não lavar calçadas e quintais com mangueira e reaproveitar água sempre que possível. “A gente fala para os munícipes que não deixem de fazer a limpeza das casas, mas que usem água com parcimônia, com respeito. Água é um líquido sagrado. A gente tem que olhar para esse líquido com amor. (...) Pequenos hábitos têm que ser mudados na sociedade. Eu acredito que isso vem mudado com as crianças. Mas a gente tem um longo período até as crianças crescerem e mudarem esse mundo”, analisa o ambientalista.

O reaproveitamento de água da chuva também é um processo simples de ser feito segundo Davi. “Basta você ter uma calha e um recipiente em baixo para guardar a água. Essa água não pode ser bebida, nunca. Mas ela pode ser usada para lavar e limpar a casa. A minha cisterna, que eu uso na minha casa, custou R$ 120,00. Ela tem uns 15 anos e eu não fiz nenhum reparo nela até hoje. Está perfeita. É um investimento mínimo, que vale a pena. E também é uma economia, pois a conta de água está cara. É uma economia para o bolso e o meio ambiente agradece”, explica.

A dona de casa e aposentada Janice Domingues Cabrera Rodrigues, de 60 anos, usa métodos para economizar água em casa a cerca de seis anos. Ela mora no bairro Jardim Parada do Alto, que fica na divisa entre Votorantim e Sorocaba. Segundo a aposentada, o investimento necessário para os métodos de economia que ela usa foi quase nada.

“Eu reaproveito a água da chuva. Eu tenho duas calhas e cai muita água. Quando começa a chover eu saio correndo na chuva para colocar os baldes e tambores embaixo para guardar água. Eu também reutilizo a água da máquina de lavar. Eu uso essa água que eu recolho para jogar no vaso sanitário quando vou dar descarga, eu uso para lavar tapete, lavo a casa, o banheiro, o quintal, o carro. A água com amaciante que sai da máquina eu utilizo para outras roupas que eu vou lavar”, conta a aposentada. Ela também destaca que sempre higieniza e tampa os baldes com água, para evitar focos de dengue.

Janice também se preocupa em poupar a água das torneiras e chuveiro. “Eu tomo banho rápido, coisa de cinco minutos no dia a dia. Quando eu escovo os dentes, eu fecho a torneira. Na cozinha eu também economizo, ensaboo primeiro todos os pratos e talheres para depois abrir a torneira para enxaguar de uma vez. Senão a água vai todo embora pelo ralo. Dá dó de ver água toda limpinha indo embora pelo ralo, corta o coração”, destaca.

Utilizando todos esses métodos, a recompensa é clara: “nossa conta de água é muito baixa, é um valor bem acessível”, afirma Janice.

E a motivação para fazer toda essa economia de água, segundo a aposentada, é a consciência ambiental. “Eu aproveito bastante a água. Eu não faço isso só por economia financeira, mas por consciência. Água é o que a gente tem de mais precioso nesse mundo. Eu acho que a gente tem que poupar. Por causa da escassez de água, eu acho que todos deveriam reaproveitar a água da chuva e da máquina de lavar”, conclui.

Publicado na edição 304 do jornal Gazeta de Votorantim, do dia 16 ao dia 22 de fevereiro de 2019, página 03.



Veja mais fotos:

  1. Janice economiza água (Foto por: Ivana Santana)

  2. Janice economiza água (Foto por: Ivana Santana)
  3. Davi Santos Genesi (Foto por: Edilson Junior)

  4. Davi Santos Genesi (Foto por: Edilson Junior)







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