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Histórias da Minha Cidade: Palhaço Pirolito e a magia do Circo Guaraciaba

Pirolito com esposa Benedicta e filha Guaraciaba, em 1945

Foi em Votorantim que Antônio Malhone, o popular palhaço Pirolito, fincou suas raízes. Era o sentimento de gratidão para um dos lugares que melhor acolheu as inúmeras temporadas de seu circo, o Guaraciaba. Morando em Votorantim, um dos últimos pedidos foi realizado, que quando morresse fosse enterrado nessa cidade.

Vindo de família circense, Pirolito inaugurava o circo em 1946, no bairro do Jaçanã, em São Paulo. Muitas foram as sugestões de nomes, mas todo orgulhoso disse que homenagearia a filha de dois anos e assim nascia o Circo Guaraciaba.

Época que não havia leis de incentivo cultural, a única renda era a bilheteria e os quitutes vendidos na platéia. O circo percorria todo o Estado, mas nem sempre a população correspondia. Pirolito se socorria a uma reserva financeira para manter o elenco e logo projetava nova turnê para Votorantim e Sorocaba, lugares que garantiam sucesso de público.

Em Votorantim por muitas vezes o circo levantou a lona entre as ruas João Walter e Antônio Walter, onde hoje funciona o Pronto Atendimento Central. Ali a comunidade curtiu nos anos 60 e 70 os tempos de ouro do circo-teatro.

A casa de espetáculos itinerante oferecia além das apresentações circenses, shows de cantores populares e de duplas de música sertaneja raiz, abriu espaço aos primeiros comunicadores que marcaram a chegada da televisão, artistas regionais como Nhô Juca e peças teatrais que se consolidaram como “E o céu uniu dois corações”, “Ébrio” e “Cara Suja”.

Mas Pirolito era a grande atração, não por ser o dono e líder do circo, mas por ser um dos artistas mais respeitados da época. Era conhecido como um “palhaço limpo”, aquele que não precisa falar qualquer palavrão para arrancar inúmeras gargalhadas do público.

Com o tempo, assim como o Guaraciaba, os demais circos foram perdendo força, a televisão chegou forte aos lares. Não bastasse isso, um vendaval comprometeu a tenda e isso decretou o fim de suas atividades.

Posteriormente com o falecimento de Pirolito, a filha Guaraciaba e seus netos lutam para preservar a história, com projetos e ações culturais para valorização da arte circense.

 

Cesar Silva é jornalista e autor de três livros sobre a história local / Visite a Fanpage: Histórias da Minha Cidade –Votorantim

 

Publicado na página 14 da edição nº330, do jornal Gazeta de Votorantim, de 17 a 23 de agosto de 2019.

 



Veja mais fotos:

  1. Guaraciaba Malhone, Ediméa Rocha, Hudi Rocha e Iracema Cavalcanti, em 2008

  2. Guaraciaba Malhone, Ediméa Rocha, Hudi Rocha e Iracema Cavalcanti, em 2008







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