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Votorantim,12/05/2026

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    INSTALAÇÃO DO MUNICÍPIO - O 27 de Março na visão privilegiada dos filhos de Pedro Augusto Rangel

    Fonte: Arquivo do pesquisador Cesar Silva
    INSTALAÇÃO DO MUNICÍPIO - O 27 de Março na visão privilegiada dos filhos de Pedro Augusto Rangel

    Aldo Fogaça




    Uma jovem senhora. Assim é a cidade de Votorantim, que nesta sexta-feira, 27 de março, completou 55 anos de instalação do município. Jovem, porém com muitas responsabilidades. Só de filhos, morando em sua “casa”, são mais de 100 mil (108.809, de acordo com o Censo de 2010 e mais de 120 mil, segundo dados estimados mais recentes). Mas os desafios não se limitam em dar condições de vida aos filhos.


    O progresso bate à porta a todo o instante e o futuro é agora. As decisões são muitas e a margem de erro, mínima. Votorantim tem muitas possibilidades e boas expectativas. Mas é sempre bom lembrar a origem de tudo, quando a cidade foi sonhada e como foi viabilizada.


    Na década de 60, Sorocaba não mais administrava a contento o Distrito de Votorantim, que já contava com mais de 30 núcleos populacionais dispersos. Surgiram, então, as primeiras aspirações a favor da separação do Distrito de Votorantim, de Sorocaba. Aspirações essas, que se acentuaram e eclodiram em significativo movimento de luta pela emancipação política. Período de marcantes polêmicas criadas em torno de duas tendências: a do SIM, a favor do desmembramento, e a do NÃO, contra.


    Realizado o plebiscito em 1º de dezembro de 1963, o SIM venceu por grande margem de votos, graças a mobilização dos Vanguardeiros e do fundamental apoio do Grupo Votorantim. Assim, Votorantim se desmembrava de Sorocaba e ganhava vida própria.


    A primeira eleição municipal foi realizada em 7 de março de 1965, confirmando a vitória de Pedro Augusto Rangel como primeiro prefeito de Votorantim. A instalação do município ocorreu em 27 de março de 1965, marcando a posse de sua primeira administração autônoma.


     


    Visão privilegiada


    Os três filhos de Pedro Augusto Rangel - Eliana Marisa Rangel Miguel, Pedro Augusto Rangel Filho (em memória) e Paulo Augusto Rangel - assistiram o “nascimento” de Votorantim com um olhar privilegiado e único. Os olhos de Eliana e Paulo brilham enquanto relatam como foram aqueles tempos, quando a sua casa se transformou em um “QG” da emancipação.


     


    Eliana Marisa Rangel Miguel


    Eliana tinha 16 anos em 27 de março de 1965 e tinha a compreensão da importância do que estava ocorrendo, pois desde os movimentos da Emancipação participava ativamente em casa e nas ruas em prol do movimento. “Após o 1º de dezembro de 1963, quando o SIM venceu, tínhamos certeza que 27 de Março seria a segunda data mais importante, quando se consolidava o começo de vida própria do município com sua independência de Sorocaba”.


    Eliana conta que, embora aquele período tenha sido de muita agitação e compromissos, a convivência com o pai, Pedro Augusto Rangel, “permaneceu sempre muito estreita. Ele fazia questão que nossos almoços diários fossem feitos em família, assim ao menos, uma vez ao dia, podíamos conversar sobre nossas atividades escolares e quaisquer outros assuntos pertinentes à família”.


    Pedro Augusto Rangel foi um homem íntegro, responsável, justo, um pai amoroso e marido atencioso. Como político, agia da mesma forma, com a mesma perseverança, responsabilidade e justiça. 


    Eliana lembra que a sua casa era bastante frequentada pelos políticos da época. “Desde o início da campanha que encampou pelo desmembramento da cidade, as pessoas amigas passaram a frequentar diariamente nossa casa, pessoas essas que também participaram ativamente da campanha pelo desmembramento e pela liberdade de Votorantim, e que, com a instalação do Município, queriam acompanhar o desenvolvimento da cidade.


    Pedro Augusto Rangel tinha muitos desafios, já que a nova cidade precisa de muitas coisas e não havia nenhum recurso financeiro para custear a realização das primeiras necessidades.


    Foi necessário aguardar por vários meses a chegada dos primeiros repasses financeiros e enquanto não havia qualquer verba, a Prefeitura passou a funcionar em um prédio cedido gratuitamente pelo sr. José Miguel Skif, pai do primeiro funcionário da Prefeitura, sr. Messias Skif. E, para iniciarem os trabalhos, levaram de suas casas mesas, cadeiras, canetas, papéis entre outros. Foram recrutados trabalhadores que traziam de casa suas próprias ferramentas como enxadas, pás, rastelos, picaretas.


    Para poder começar a orientação dos trabalhos, bem como o planejamento de como seriam feitos, foi feito um Plano Diretor para nortear as futuras obras e ações, que começaram logo que os primeiros recursos financeiros começaram a chegar. 


     


    Irmão do meio


    “Na época da instalação de Votorantim, Pedro Augusto Rangel Filho, o P.A., como meu pai o chamava, era ainda uma criança, com apenas 12 anos, mas mesmo assim, gostava muito de ir sempre à Prefeitura com o pai o que despertou o desejo de entrar para a política, candidatando-se a vereador e eleito para a Legislatura de 1973 a 1976”.


    Em casa, P.A. tinha uma atenção sem igual para com a Tia Altiva, que era telefonista na Votorantim, pois estivesse ele em qualquer lugar, quando a fábrica apitava, às 13h30, vinha para casa avisar a tia que estava na hora dela voltar ao trabalho. “Foi sempre um menino alegre, conversava muito com nossa mãe. Nosso convívio era a normal, e própria entre irmãos, sempre com muito amor, respeito e cumplicidade”, diz. Ao contrário de P.A, Eliana preferiu não participar ativamente da política.


     


    Papel da mãe


    “Minha mãe (Alcyr Rodrigues, a pioneira das primeiras-damas) sempre foi uma pessoa sensível, alegre, companheira, amiga, prestativa e a convivência dela com o marido político sempre foi pautada pelos seus melhores predicados. Se meu pai foi um grande homem, com certeza foi porque do lado dele sempre esteve uma grande e maravilhosa mulher”, diz emocionada.


     


    Dia histórico


    “O 27 de março foi sempre especial em nossas vidas, pois em 27 de março de 1948 meus pais se casaram e a partir daí nossa história começou. Foram muitos desafios, muitas possibilidades, muitos sonhos realizados até chegarmos ao momento marcante para a cidade com a instalação do Município sendo a maior realização política de Pedro Augusto Rangel como seu primeiro prefeito’


     


    Paulo Augusto Rangel


    Paulo Augusto Rangel tinha 5 anos em 27 de março de 1965, portanto não tinha noção do que representava toda aquela movimentação. “Lembro-me que a correria de meu pai era intensa. Praticamente, eu só o via à noite. Ele era honesto, carismático, amoroso e muito humano. Fazia o bem sem ver a quem”, conta.


    “Meu pai foi um político que há muito tempo não se vê no Brasil”, diz com orgulho sobre o pai ao afirmar que recebeu a influência do gosto pela política. “Já disputei algumas eleições”, comenta. Ele se recorda que sua casa ficava sempre cheia. “Muitos dos Vanguardeiros, àqueles que participaram do processo do desmembramento, não saiam da minha casa”.


    Pedro diz que o principal desafio do pai prefeito foi elaborar o Plano Diretor da cidade. “Sem esse Plano, muito audacioso para a época, Votorantim não seria o que hoje é. As principais obras realizadas por meu pai estão sob a terra. Ligações de água e esgoto, o saneamento básico virou uma realidade na cidade. Antes, éramos abastecidos com água entregue com caminhão pipa emprestado pelas Indústrias Votorantim”.


    “Meu pai foi um político visionário, inteligente, culto, honesto e capaz. Nosso Senhor Deus o levou muito cedo. Ele sabe o que faz. Nossa vida a Ele pertence. Caso contrário, com certeza, chegaria a ser eleito deputado estadual, federal e chegaria a senador. Um político com muito carisma”.


     


    Família unida


    “Nossa relação era de união, fraternidade e muito companheirismo. Todos os fins de semana, toda a família se reunia na chácara Tuim. Ali todos os familiares e todos os amigos correligionários se confraternizavam. Minha mãe sempre foi o alicerce da família. A primeira-dama acompanhava o marido prefeito em todos os compromissos. Foi de uma cumplicidade ímpar para o meu pai. Meu irmão P.A. foi um jovem com muitos amigos, carismático como meu pai. Foi eleito vereador com 18 anos, no ano da morte de meu pai, 1972. Também partiu cedo. Foi um grande irmão e um grande amigo para mim. Tenho muita saudade deles”, finaliza emocionado.


     


    Reportagem publicada na página 08 da edição 357 da Gazeta de Votorantim de 28 de março a 03 de abril de 2020




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