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Votorantim,12/05/2026

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    Abuso dos preços por parte dos fornecedores motiva setor supermercadista a acionar Ministério da Justiça

    Fonte: Divulgação
    Abuso dos preços por parte dos fornecedores motiva  setor supermercadista a acionar Ministério da Justiça Os supermercados entendem as dificuldades, mas dizem não estarem de acordo com o aumento

     


    Na última terça-feira (24), a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) publicou uma nota, na qual afirma ter comunicado ao Ministério da Justiça, o aumento abusivo dos preços vindo dos fornecedores, como os de leite e queijo.


    Na nota publicada, a Abras critica o aumento de preços. “O setor supermercadista está trabalhando incansavelmente para manter o equilíbrio nas relações de consumo diante da lamentável pandemia do novo Coronavírus (Covid-19); e não compactua com a elevação injustificada de preços, principalmente em período de fragilidade da população no que se refere à saúde pública.”


    De acordo com a Rede Bom Lugar Supermercados, o leite de uma semana para outra aumentou R$1 a unidade. Em um momento difícil como esse, vários fatores influenciam nos preços das mercadorias como, por exemplo, o aumento da demanda, o frete, a cotação do dólar subindo, a jornada de trabalho reduzida nas fábricas e etc. Tudo isso afeta a cadeia de suprimentos e quem sente na conta final, é o cliente.


    Os supermercados, como a Rede Bom Lugar, entendem as dificuldades, mas dizem não estarem de acordo com os aumentos propostos pelos fornecedores. “Para a nossa classe supermercadista, é um momento superdelicado. Por um lado, está todo mundo buscando trazer as melhores soluções para o consumidor e por outro lado estamos sendo pressionados, o tempo todo, pelo quesito preço. Mas quem manda nos preços não somos nós e sim a cadeia produtiva. É um sentimento de impotência, pois queremos o melhor para o consumidor e estamos com dificuldades em oferecer isso”, explica Fernanda Cechetti, gerente do Centro de Distribuição da Rede Bom Lugar.


    Além deste problema com os preços, Fernanda ainda discorre que precisa administrar outros diversos, como priorizar a segurança dos colaboradores, motivá-los e conscientizá-los. Os horários de ônibus reduzidos e a reclamação dos funcionários que estão com dificuldades na cidade de Sorocaba, pois, o transporte público coletivo voltou a circular apenas para serviços essenciais, não estão aceitando passageiros que trabalham em supermercados. Clientes que não estão querendo respeitar a regra de segurança, a qual limita o número de pessoas circulando dentro das lojas, a ida de famílias inteiras ao supermercado, crianças e idosos andando pelos corredores sem nenhuma responsabilidade.


    “Nesse momento, nossos colaboradores estão saindo de suas casas em serviço da população, mantendo as lojas abastecidas, tomando medidas de segurança e limpeza, e sofrendo maus tratos por clientes mal-humorados. É um momento tenso para todos nós, por isso, contamos com a colaboração e compreensão de todos os nossos clientes”, desabafa Fernanda.


    Tanto a Abras quanto a Rede Bom Lugar, afirmam que como de direito e dever empresarial, irão acompanhar os valores dos produtos comercializados no setor, com o intuito de evitar eventuais distorções e garantir a transparência e a qualidade nos serviços prestados ao consumidor final.


    “Nós deixamos de fazer o folheto de ofertas durante uma semana, porque a demanda aumentou numa proporção que não esperávamos e tivemos insegurança quanto aos estoques. Porém, nessa semana, voltamos a operar com as nossas ofertas semanais. Muitos clientes enxergaram a suspensão desse folheto como uma forma do supermercadista ganhar dinheiro, mas, na verdade, quisemos apenas garantir a nossa idoneidade de entregar para o cliente o que anunciamos”, finaliza a gerente da Rede.




    APAS emite nota


    A Associação Paulista de Supermercados também emitiu uma nota a respeito:


    “Os supermercados não definem preços de produtos. Como o elo entre os produtores e os consumidores finais, os supermercados repassam o custo dos produtos que adquirem da indústria. Por isso, esclarece que os recentes aumentos verificados em alguns produtos, nos últimos dias, podem ocorrer em função da variação de matérias-primas e insumos. Em alguns casos, o supermercadista se vê entre o dilema de comprar o produto por um preço maior ou ficar sem o produto em sua loja. Mesmo comprando mais caro, o supermercado está mantendo as mesmas margens de lucro. Ou seja, segundo recomendação da APAS, não devem aumentar suas margens de lucro. Apenas repassar o aumento do custo de aquisição”.


    Segundo a APAS, que tem mantido entendimentos com o Governo do Estado e com o Procom, os consumidores devem realizar compras conscientes, pensando sempre na coletividade. 


    A APAS também está trabalhando em parceria com a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) e com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, para evitar práticas abusivas de aumentos injustificados de preços pelos fornecedores do setor.


    Dentre os produtos que têm apresentado elevação de preços estão: leite, feijão, alho, batata, arroz; molho de tomate; limão e cebola. 




    Carta aberta aos consumidores (APAS)


    “Em função do aumento de preços injustificados, praticados por alguns de seus fornecedores, e em razão do aumento da demanda causada pela pandemia do Coronavírus, a Associação Paulista de Supermercados (APAS) vem a público esclarecer seus consumidores em geral:


    1 - Há diversas etapas de produção até a entrega do produto nos supermercados, o preço final dos produtos ao consumidor contempla todos os elos da cadeia de abastecimento.


    2 - Como o elo da cadeia de consumo entre os produtores e os consumidores finais, os supermercados repassam o custo dos produtos que adquirem da indústria. 


    3 - Por isso, a Associação esclarece que está preocupada com esses aumentos e que não aceita e nunca aceitou aumentos injustificados. 


    4 – Os supermercados estão tentando negociar custos com seus fornecedores, mantendo a mesma margem de comercialização. Segundo APAS, os supermercados não aumentaram e não devem aumentar suas margens de lucro em respeito aos consumidores. 


    5 – Reafirmamos que nossa missão é oferecer qualidade e preços justos em um ambiente limpo e seguro. Estamos trabalhando junto com nossos fornecedores para que tudo seja normalizado o quanto antes.


    Como forma de auxiliar neste momento, os consumidores devem somente fazer a compra de itens necessários a seu consumo, pois isto fortalece o conceito da negociação dos supermercados com os fornecedores por preços mais justos.


    Acreditamos que assim passaremos mais tranquilos por esse momento.





    Reportagem publicada na página 10 da edição 357 da Gazeta de Votorantim de 28 de março a 03 de abril de 2020.





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