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Cratera reabre às margens da Rodovia Votorantim-Piedade

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Leia a edição completa nº 366, de 30 de maio a 05 de junho de 2020

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30/05/2020 - 02:05
Após cerca de 60 dias, comércio tem a expectativa de reabrir as lojas na segunda-feira
 Foto: Jorge Silva 

Comerciantes aguardam posicionamento do prefeito

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Aldo Fogaça


A quarentena e o isolamento social impostos à toda a comunidade pela pandemia da Covid-19, o novo coronavírus, ajudou, segundo especialistas da saúde, a preservar muitas vidas, mas, também, atingiu em cheio a economia de um modo geral.

O setor do comércio, por exemplo, foi um dos mais atingidos e alguns negócios estão ameaçados de desaparecer após os cerca de 60 dias de paralisação das atividades.

Em Votorantim, alguns tradicionais comerciantes estão preocupados com o presente e também com o futuro de seus negócios, não somente pela cessão do lucro financeiro, mas também pela responsabilidade social, já que o setor é um dos grandes empregadores da cidade.

Na quarta-feira (27), governador de São Paulo, João Dória (PSDB), anunciou a prorrogação da quarentena no estado por 15 dias, com flexibilizações progressivas.

No Plano São Paulo de flexibilização do governo paulista, a região de Sorocaba, onde está Votorantim, aparece na chamada fase 2 do Plano São Paulo, onde serão permitidas as atividades imobiliárias, concessionárias de veículos, comércio e shoppings, todos com restrições, a partir de 1º de junho, a próxima segunda-feira.

Os setores que desejam a reabertura devem apresentar seus respectivos planos à Prefeitura. As normas anunciadas por Dória autorizam prefeitos de cidades a conduzir e fiscalizar a flexibilização de setores segundo as características dos cenários locais.

A Prefeitura de Votorantim informou, por meio do Comitê Municipal de Enfrentamento à Pandemia de Covid-19, “que realizará o alinhamento e os ajustes necessários com as entidades que representam o comércio no município, para então finalizar o decreto de modo a atender da melhor forma a sociedade e a população, em atenção às normas estabelecidas pelo governo do Estado. Procedimentos que estão previstos para serem concluídos neste sábado (30)”.

A Gazeta de Votorantim apurou que será às 10 horas a reunião na Prefeitura entre o prefeito Fernando de Oliveira Souza e dirigentes da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e da Associação Comercial de Votorantim, quando serão discutidos os detalhes do decreto municipal de flexibilização. Esse encontro é esperado com grande expectativa pelos comerciantes.

Enquanto isso, os lojistas procuram meios para administrar as suas dificuldades para se manter ativo no comércio local.


Depoimentos

Wagner Luiz dos Santos, o Wagner Relojoeiro, estabelecido em Votorantim há 30 anos, com sua loja localizada na Avenida 31 de Março, 555, ficou com a porta fechada, entre o dia 22 de março e 22 de abril sem trabalhar. A partir de 23 de abril, começou a trabalhar pelo sistema delivery. Ele conta que, mesmo assim, “o pouco que entra dá para pagar só uma funcionária. Ainda bem que o proprietário do salão entendeu o momento que estamos passando e não está cobrando o aluguel”, disse agradecido.

Wagner disse que assim como muitos comerciantes, suas contas estão sendo pagas com atrasos. “Muitos lojistas da cidade estão fechando as suas portas devido a essa pandemia. Outros mudando para um salão menor. Criei em grupo de WhatsApp que reúne 250 comerciantes, onde postamos nossas dificuldades e, entre nós, fazemos vendas para um ajudar o outro. Foi uma forma que achei pra tentar driblar essa crise”.

Wagner conta que criou projetos para tentar mudar “um pouco” o conceito daquilo que até então era normal para os comerciantes. “A primeira fase desse projeto é fazer que todos os comerciantes se conheçam e deem preferência aos colegas na hora de comprar um determinado produto. A próxima fase será promover sorteios em datas festivas com a ajuda de todos.

José Renato Rodrigues, gerente da unidade local da Lojas Cem, que comercializa móveis e eletrodomésticos na Avenida 31 de Março, 588, informa que em Votorantim, a loja mantém 34 funcionários e a mesma filosofia de trabalho, ou seja, oferece crediário próprio e não disponibiliza o e-commerce. Assim, as vendas e recebimentos de carnês estão totalmente parados, mas a solidez do grupo, que possui mais de 270 lojas em prédios próprios, mantém a operação sem demissão de funcionários, garante a manutenção da expansão de lojas e construção de um novo centro de distribuição e está preparado para quando houver a liberação para a reabertura. “A expectativa é grande”, diz José Renato.

O gerente de uma outra rede que tem 45 lojas, com uma unidade no centro de Votorantim, e que comercializa roupas, calçados, roupas de cama, entre outros, comentou que a orientação que recebeu da matriz é seguir as orientações das autoridades locais. “A loja de Votorantim está fechada”. Ele disse não ter autorização para dar outras informações, mas que a expectativa é para a mais breve reabertura.

Rodrigo Lázaro Rafael da Silva, sócio-prorietário da Autoescola Oriente, localizada na Rua José Thomas da Costa, 785, na Vossoroca, empresa com mais de 20 anos de atuação, informa que tem quatro funcionários, mas está com todos os contratos de trabalho suspensos. “Desde o dia 23 de março, devido a pandemia, estamos com as atividades suspensas e de portas fechadas. Em respaldo do governo Estadual, Federal ou Municipal, as contas de consumo continuam ativas, pois, mesmo sem utilizar temos que a água, energia elétrica e telefone”.

Rodrigo reclama sobre o acesso ao programas de auxílio financeiro aos empresários. “Embora receba informações dos meios de comunicação sobre a ajuda para as pequenas empresas, quando recorremos às instituições financeiras, alegam não saber de nada e que temos que aguardar”. O empresário defende a retomada das atividades com cautela e com as devidas recomendações da OMS.

Para Marcos Mesadri, presidente da CDL, chegou a hora de reabrir o comércio. “Estamos passando por uma situação difícil como consequência de uma pandemia mundial nunca vista, mas entendo que o comércio tem que voltar às atividades”. Marcos argumenta que há grandes redes abertas e acredita que chegou a hora do pequeno e médio comerciante poder retomar os seus negócios.

“Se isso não acontecer logo, a crise econômica vai piorar. É claro que precisamos tomar os devidos cuidados sanitários, seguindo as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e das autoridades locais, mas o comércio tem que reabrir sim”.

Marcos argumenta que o comércio é um importante gerador de emprego. “O vírus é muito agressivo e já matou muitas pessoas, mas também afeta o psicológico das pessoas, está quebrando muitas empresas e causando muitos novos desempregados. Quantas empresas estão em dificuldades, pois ninguém tem capital de giro. Dependem, exclusivamente, do que vendem para se sustentar, manter a família, os empregos e os negócios ativos.

O presidente da CDL diz que a expectativa é grande sobre o decreto do prefeito e a retomada dos negócios a partir de segunda-feira com as devidas precauções. “A saúde em primeiro lugar, mas também dependemos na nossa vida econômica”, finalizou.










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