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Coluna Kaio Lopes - A desigualdade social e estrutural de Votorantim

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10/08/2020 - 14:45
Coluna Dom James Tavares OSFS - O Anglicanismo – Parte II


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Desde tempos remotos história, os habitantes das Ilhas Britânicas tiveram contato com os primeiros cristãos que ali chegaram. Desde então o cristianismo desenvolveu-se com suas características próprias no território onde hoje se encontra a Inglaterra, Escócia e País de Gales. Daí nasce a Igreja da Inglaterra, em latim Ecclesia Anglicanae, de onde se deriva o nome de Anglicana. Ao longo de séculos, essa região, com suas características próprias desenvolveu um cristianismo dentro de uma tradição católica (universal), como era comum nos primeiros séculos do cristianismo. Somente no século 16, a situação começa a mudar com a insatisfação da nobreza diante da interferência do poder papal sobre assuntos internos no governo daquele reinado. Podemos dizer que a versão histórica de que o rei Henrique VIII solicitou ao papa Clemente VII a anulação do seu casamento com Catarina de Aragão foi somente a ponta do iceberg nas relações entre Inglaterra e Roma. Henrique VIII, através do Ato de Uniformidade do parlamento inglês, obteve o apoio a necessário para separar o governo da igreja, não sendo mais o papa a autoridade máxima sobre aquela igreja, mas o rei. A liturgia e a estrutura hierárquica na Igreja Anglicana, porém, foram mantidas, embora depois reformuladas a partir de influências luteranas e calvinistas. A bíblia foi traduzida para o inglês para que o povo pudesse ler e entender. Da mesma maneira a liturgia da missa e os demais sacramentos eram celebrados na língua nativa. Em 1549 foi lançado o primeiro Livro de Oração Comum (Book of Common Prayer), como uma forma de padronizar a liturgia, acessível tanto para o clero quanto para o povo, também chamado de “comuns”. Naquela época também foi elaborada a declaração doutrinária conhecida como os 39 Artigos de Religião. Devido à reforma Inglesa, o anglicanismo, é considerado uma Via Media, que significa o caminho entre a tradição católica e a influência benéfica da reforma protestante, ocorrida em outras partes da Europa. Desse modo, permaneceram alguns elementos bem característicos, por exemplo, a ordenação às sagradas ordens: episcopado (bispos com sucessão apostólica), presbíteros e diáconos, porém sem a exigência do celibato obrigatório. Também vemos essas influências na liturgia, sendo para os anglicanos, a centralidade do culto na Eucaristia, mas com grande ênfase à pregação da palavra de Deus. O Batismo é ministrado também às crianças e a Confirmação (Crisma) é feita na idade em que tenha o entendimento da fé cristã. Foram mantidas as estruturas tipicamente católicas, como dioceses, paróquias, etc. O presbítero é comumente chamado de padre, reverendo ou até mesmo de pastor, em algumas regiões. Do mesmo modo, a celebração eucarística é chamada de santa missa, celebração eucarística ou santa ceia. Tudo isso dá ao anglicanismo essa possibilidade de agregar as pessoas (unidade) e respeitar suas características próprias, em cada lugar (diversidade). Desse modo, formou-se assim o chamado ethos anglicano, ou seja, a maneira de ser da igreja anglicana, chegando assim aos dias atuais.


*Dom James Tavares OSF é bispo da Diocese Anglicana de Votorantim, bacharel em teologia, licenciado em Filosofia, Pedagogia e Geografia. Pós-graduado em Educação.

 

 

 

 

Coluna publicada na página 13, da edição nº 376, da Gazeta de Votorantim, de 08 a 14 de agosto de 2020. 










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