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26/10/2020 - 00:42
Candidatos a prefeito falam sobre os planos para o emprego e desenvolvimento econômico
 Foto: Divulgação 

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Aldo Fogaça


O desenvolvimento econômico de uma cidade está diretamente ligado à renda de sua população. Quanto mais empresas, mas emprego, mais consumo, mais impostos, mais investimentos, mais qualidade de vida. É um ciclo. Se uma engrenagem falha, todo o processo fica comprometido.

Votorantim já foi conhecida como a capital do cimento. Também teve um polo têxtil respeitável. Esses dois setores sozinhos empregavam muita gente. Muitos dos atuais moradores da cidade vieram para cá atrás dos empregos então ofertados.

Hoje, a vocação da cidade está focada na prestação de serviços. O comércio se fortaleceu e se diversificou. No entanto, é o setor público que é o maior empregador do município.

O desenvolvimento econômico, a criação de empregos e a consequente geração de renda é outro grande desafio para o administrador público que vai gerir a cidade entre 2021 e 2024.

O orçamento para essas áreas, em 2021, é pouco se comparado às demandas do município de Votorantim. Para a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento foi reservado R$ 6.485.600,00 e para a Geração de Renda e Assistência Social, R$ 7.442.518,00. Se consideramos que boa parte desse dinheiro é para o custeio da máquina pública, não é errado afirmar que sobra pouco para os investimentos necessários para trazer os reflexos esperados pela população.

Segundo o IBGE, em 2018, o salário médio mensal do votorantinense era de 2,7 salários mínimos. A proporção de pessoas ocupadas em relação à população total era de 17,8%. Na comparação com os outros municípios do Estado, ocupava as posições 124 de 645 e 385 de 645, respectivamente. Já na comparação com cidades do país todo, ficava na posição 378 de 5.570 e 1.663 de 5.570, respectivamente. Considerando domicílios com rendimentos mensais de até meio salário mínimo por pessoa, tinha 31,8% da população nessas condições, o que o colocava na posição 296 de 645 dentre as cidades do estado e na posição 4.330 de 5.570 dentre as cidades do Brasil.

É fato que a população espera pela melhoria desses dados e isso depende quase que exclusivamente das ações do poder público. Se as ações foram consideradas positivas, há a atração de empresas dos mais variados setores e o consequente retorno econômico para o município e para o cidadão. O contrário disso, é recessão e seus efeitos nocivos à economia local.

O próximo prefeito terá uma missão extra. Deverá, logo após a sua posse, colocar em prática ações efetivas para minimizar quase que imediatamente os efeitos da pandemia na economia votorantinense em todos os setores, da produção ao consumo. Terá que buscar parcerias e governar com austeridade.

Aos sete candidatos a prefeito de Votorantim, a Gazeta de Votorantim fez o seguinte questionamento: “As estatísticas indicam que há no Brasil cerca de 13 milhões de desempregados. Muitos deles estão aqui na cidade, onde vivem, onde consomem, onde movimentam a economia local. O(a) sr (a) sabe quantos desempregados vivem em Votorantim? Como promover emprego para o maior número de pessoas possível? Como qualificar quem depende do serviço público para entrar ou permanecer no mercado de trabalho. Votorantim demanda mão de obra para serviços ou indústria? Qual relação o poder público deve ter com quem emprega na cidade? O que fará para promover a geração de rendas em Votorantim? Qual a sua proposta para o setor? Qual a sua proposta para promover e garantir o desenvolvimento econômico?”

Confira as respostas:

 

Fabíola Alves (PSDB)

“Em análise aos indicadores do Ipea, pudemos verificar que nossa economia local está, em sua maior parte, localizada no setor de serviços. Esse setor foi um dos mais afetados com a pandemia, portanto, teremos um grande desafio para gerar novas oportunidades no município. Considero importante o estímulo do empreendedorismo local e parcerias com programas e cursos desta natureza já existentes no município e região, além da promoção de eventos que estimulem pequenos empreendedores. Destaco também a reformulação de leis, visando facilitar o ambiente empreendedor na cidade.

Importante também, aprimorar os serviços oferecidos ao trabalhador, dando-lhe o suporte necessário para que seja bem-sucedido na busca de emprego, como orientação às entrevistas, elaboração de currículos e auxílio transporte, quando necessário. Promover a divulgação das potencialidades do Município junto com as entidades empresariais – Ciesp e aos órgãos de promoção do desenvolvimento do governo do Estado – Investe SP, para instalação de empreendimentos e das possibilidades de negócios do município. As pequenas iniciativas locais também são imprescindíveis para a geração de emprego e renda, portanto, pretendo instituir o Programa “Ambulante Legal”, cadastrando e regularizando aqueles que exercem suas atividades em conformidade com as posturas municipais, estimulando seu negócio, bem como promover ações entre artesãos da cidade, visando sempre sua sustentabilidade.”

 

Fernando de Oliveira Souza (Democratas)

“Infelizmente, a pandemia do novo coronavírus, além de ter levado a óbito muitos votorantinenses, também causou um aumento do desemprego neste ano em todo Brasil. No entanto, segundo últimos dados do Caged, referentes a agosto de 2020, Votorantim apresentou um saldo positivo de 113 vagas de emprego naquele mês, ou seja, é um sinal de recuperação da economia, frente a um saldo negativo de 1.330 vagas ao longo do ano.

Desde o início de nossa gestão, estamos trabalhando firmemente na questão da qualificação profissional, principalmente para os desempregados, já que realizamos nos bairros os cursos gratuitos de elétrica residencial, logística e metrologia, além das parcerias com o Senai, Faculdade Anhanguera, Unopar, também oferecendo cursos gratuitos.

Nessa questão, inauguramos o Sebrae Aqui, em atenção aos empreendedores e o primeiro Posto de Atendimento ao Trabalhador, para recolocar nossos munícipes no mercado de trabalho. Podem ter certeza que vamos expandir ainda mais esses projetos.”

 

Luiz Carlos (PSL)

“A pandemia afetou muito a geração de empregos e renda em todo Brasil. Não fosse o auxílio emergencial, a situação estaria muito mais grave. O Governo Doria (PSDB) e Rodrigo Garcia (DEM) fecharam os comércios e impediram que prestadores de serviços exercessem suas atividades. Foi um erro; não observaram as particularidades de cada região e de cada município. A conta chegou!

O nosso governo terá parceria com a União, apoio da Bancada no Congresso Nacional, além da atração de empresas (que já demonstraram interesse), inclusive, investimentos de outros países. Nos governos anteriores perdemos empresas de porte, por exemplo, a Dixie Toga, que deixou nossa cidade e mais de 400 desempregados.

Haverá incentivo para a capacitação, cursos técnicos e apoio assistencial para que os desempregados possam suportar a travessia do desemprego. Vamos perseguir, alcançar e combater a “propinocultura” e a “propinoburocracia”, que emperram investimentos e por anos foram responsáveis pela desgraça na economia.”

 

Marcão Papeleiro (PT)

“A crise de empregos já dura anos no Brasil e em Votorantim. A pandemia piorou esse cenário. De março para cá, mais de 1.400 postos de trabalho foram fechados em nossa cidade. Mas com um governo municipal que tenha sensibilidade para sentir o sofrimento do desempregado e, ao mesmo tempo, reconheça a importância tanto do microempreendedor quanto da grande empresa para ajudar a economia a girar, é possível amenizar esse quadro. É com o crescimento rápido, mas bem planejado, da economia local que vamos aumentar o Orçamento para investir mais e melhor nas demais áreas sociais e nos serviços públicos. Temos propostas para incentivar as empresas, as fábricas, os lojistas que já são da cidade a crescerem. Ao mesmo tempo, vamos atrair novos investimentos para Votorantim. Temos programas para incentivar o consumo interno. Este espaço é curto para detalhar nosso plano de governo. Mas nele, esse tema tem três eixos, cada um deles com uma série de tópicos que explicam sua realização. 1.Capacitação e formação permanente de mão de obra; 2. Incentivo ao empreendedorismo; 3. Atração de novos investimentos. Sigam minhas redes sociais para saber mais”.

 

Rodrigo Chizolini (Psol)

“No Brasil há cerca de 14,4% milhões de desempregados. Hoje Votorantim caracteriza-se por um perfil econômico baseado em comércio e prestação de serviços. Aproximadamente 1/3 de nossa mão de obra economicamente ativa, 18.000 trabalhadores e trabalhadoras de um universo de 60.000, busca seu trabalho também no município de Sorocaba. Grande parte dos outros 2/3 de nossos trabalhadores oscila entre trabalho informal e o desemprego, número indicado pelos dados oficiais que informam o recebimento do auxílio emergencial por 31.546 pessoas de nossa cidade. A gestão municipal prioriza nos processos licitatórios as empresas de micro, pequeno e médio porte da cidade em suas compras e contratações. Vamos otimizar a incubadora do Parque Jataí e implantar mais 4 incubadoras, cada qual será implantada em pontos estratégicos nos bairros mais populosos para preparar os empreendedores e estimular novos negócios locais. Criaremos espaços de qualificação profissional para jovens e adultos para que busquem melhores colocações no mercado.”

 

Silea Benedetti (Solidaeriedade)

“Dados do Caged revelam que quase 1,6 mil postos de trabalho foram fechados entre março e julho deste ano em Votorantim. Este é o saldo negativo da empregabilidade apurado que não corresponde ao total de pessoas inativas no município, mas que permite concluir que também aqui os efeitos da crise repercutem. A projeção aponta para uma tendência de tímida recuperação, mas é certo também que esse é mais um dos desafios a serem enfrentados pela nova gestão. Nossa proposta é executar uma política voltada a incentivos para atração de novos investimentos e também adotar mecanismos para desburocratizar a atividade produtiva. A qualificação da mão de obra para os setores onde existe demanda (com mais ênfase para o setor de serviços e comércio, mas também para a indústria) por meio de parcerias com institutos capacitadores está entre as prioridades que iremos trabalhar. O desenvolvimento econômico, portanto, resulta da soma de ações que irão estimular empreendimentos de modo a gerar mais empregos e renda.”

 

Silvano Donizetti Mendes (PTB)

“Vimos ações concretas para combate ao desemprego na cidade nas últimas décadas? 

O C.A.T. promoveu alguma atividade efetiva para parcerias público-privadas? 

No meu governo, a proposta inicial será incentivar o pequeno e médio comércio ou indústria. 

Primeiro, devemos baixar os impostos e taxas para incentivar contratações.

Entendo que a criação de um “Condomínio industrial” poderá gerar empregos e criar uma “onda” de otimismo e autoestima no votorantinense, que está cansado de falta de oportunidades em sua própria cidade. A ideia é doar lotes de 1.500 ou 2.000 metros quadrados dentro de uma estrutura completa e segura oferecida pelo município. Outras cidades do tamanho de Votorantim fizeram e tiveram sucesso, gerando empregos e oportunidades diversas para seus munícipes. As últimas administrações não fizeram nada para o pequeno comércio, mas para os grandes... Prefeitos doaram grandes áreas, deram subsídios, e muitos nem estão mais na cidade. 

A cidade como Votorantim sobrevive do pequeno e médio comércio. As grandes empresas não dependem mais dos políticos, muito pelo contrário, empresas estão ‘bancando’ campanhas por interesses pessoais e ‘estranhos’. Vamos atrás do grupo Votorantim para solicitar a área, e vamos construir o condomínio industrial. Não há outra forma de gerar empregos em nossa cidade.” 

 

Reportagem publicada na página 3, da edição nº 387 da Gazeta de Votorantim, de 24 a 31 de outubro de 2020

 










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